São todos voluntários. Em Rede, participam em programas de intervenção social e cultural dirigidos aos residentes mais velhos dos bairros sociais. Pertencem à Associação de Reformados, Pensionistas e Idosos de Carnide (ARPIC), em Lisboa.

Promover o envelhecimento ativo é uma das prioridades da ARPIC, aqui através do grupo coral Arpicantares. Foto @ARPIC
Nos bairros Padre Cruz e da Horta Nova, em Carnide, todos conhecem a ARPIC, a associação onde é possível conseguir ajuda, seja para o que for. Para preencher os papéis para o subsídio de desemprego ou para o IRS, para ajudar a encontrar soluções para os idosos isolados, para visitar os que estão nos lares, para facilitar o contacto entre os vizinhos. São ações desenvolvidas no âmbito do programa de intervenção e apoio social, “Pulsar”, para defender os direitos dos mais velhos, tendo em vista a sua formação e informação.
Além das questões práticas, a ARPIC contribui também para promover o envelhecimento ativo, integração social e qualidade de vida, através de várias atividades culturais, visitas e passeios com os associados.
Uma das suas principais iniciativas é o Grupo Coral (Arpicantares) com 60 pessoas, que participa com os seus cantares tradicionais junto de ATL e de escolas, Feira das Expressões ou Instituições de Idosos. “Começou por ser, apenas, um grupo coral mas, pouco a pouco, foram aprendendo a tocar cavaquinho, a que se juntaram outros participantes com violas, bandolim, banjo, banjola, concertina, bateria, adufes, pandeireta, ferrinhos…” conta Fernando Oliveira, da direção da associação. “Nos seus ensaios, os participantes não se limitam à música, pois o convívio entre os componentes é também muito positivo e a alegria uma constante; alegria essa que conseguem, depois, partilhar e transmitir a todo o público, sendo esse um dos objetivos principais.”
Este grupo deu origem a outro: o grupo de Cavaquinhos. “Embora seja um grupo heterogéneo, a música e a alegria é um fator de união que depois se aplica nas atuações e na interação com o público, principalmente com as pessoas que estão em lares, centros de dia ou hospitais, espelhando-se aqui um verdadeiro espírito de solidariedade e de fraternidade”, refere Fernando Oliveira, adiantando que estes grupos atuam também nos dias festivos da freguesia: 25 de Abril, Dia da Poesia, Dias do Vizinho, programação Cultural da Feira da Luz, junto de ATL e escolas, Feira das Expressões, Feira do Fumeiro… “E sempre onde formos convidados.”
Juntos, no Cante Alentejano

A instituição procura também manter viva o Cante Alentejano. Foto @ARPIC
A ação cultural “inserida nesta dinâmica de participação ativa” estende ainda a sua intervenção à defesa do Património Imaterial da Humanidade, de que é um bom exemplo a criação de Grupo de Cante Alentejano. Composto por cerca de três dezenas de elementos, foi fundado por José Cordeiro, um alentejano de Pias, e por Mário Mendes.
Constituído apenas por vozes masculinas, atuou pela primeira vez em dezembro de 2015, numa festa de Natal no Centro Cultural de Carnide. Eram, então, apenas sete cantadores. Passados dois anos, o grupo aumentou para três dezenas de cantadores que têm atuado em vários locais. E “mesmo neste tempo complicado de pandemia e de contingência, o grupo tem procurado manter ensaios, ainda que à distância, com recursos às plataformas digitais de comunicação”, diz Fernando Oliveira. “A atividade muito meritória do grupo masculino de Cante Alentejano, pioneiro na cidade de Lisboa, tem valorizado o Cante na diáspora, quer com a participação noutras freguesias, quer de modo próprio organizando encontros de Grupos de Cante.”
De uma “costela” deste grupo, nasceu, em 2019, o grupo de Cante Alentejano feminino, por ocasião da comemoração do 5.º aniversário da declaração da Unesco. E pode vir a haver mais: “Mantemos viva a esperança de iniciar, a breve trecho, a atividade de fado”, anuncia Fernando Oliveira.
Uma história de abril

Criada em 2004, a ARPIC tem como referências “as portas que abril abriu”. Foto © ARPIC
“A história da ARPIC tem como referência as portas que abril abriu”, diz o dirigente da associação. Em abril de 2004, “um grupo de amigos, Maria Vilar, João Gualdino e José Cardoso, sentindo a necessidade de dotar a freguesia de Carnide de uma associação virada para os idosos e para os reformados, lançou-se ao caminho e, em 6 de julho desse ano, fizeram nascer a ARPIC – Associação de Reformados Pensionistas e Idosos de Carnide.”
Na génese do grupo estava a vontade de “criar alternativas e dinâmicas para a população sénior de Carnide, preenchendo uma lacuna então existente, como o diálogo entre idosos, a sua inter-relação e a sua convivência.” Princípios que, hoje, a ARPIC, com 180 associados, continua a manter em articulação com a Junta de Freguesia.
Projetos não faltam para prosseguir a atividade da associação. “Manter como princípio as portas abertas; a criação de uma rádio digital, Arpic online; oficinas sobre temas atuais e de saúde; levar cinema e poesia com jograis às escolas…”, enumera Fernando Oliveira. “Continuar a desenvolver o grupo etnográfico/folclore e iniciar as atividades teatrais e potenciar o Teatro Sénior; estender e estabelecer novas parcerias, principalmente na área da saúde e do desporto, fortalecer parcerias em vigor; manter vivo o sonho de uma sede própria e de sustentabilidade da ARPIC…” acrescenta, de olhos postos no futuro.







