
Além da bispa Jo Bailey Wells (à esquerda), o Papa voltou a convidar a irmã salesiana Linda Pocher e Giuliva Di Berardino, consagrada da Ordo Virginum, para falar ao C9. Foto © Vatican Media
Não, não se trata de um erro tipográfico. O Papa convidou mesmo Jo Bailey Wells, bispa da Igreja de Inglaterra e vice-secretária geral da Comunhão Anglicana, para participar na reunião de fevereiro do Conselho dos Cardeais (C9), que decorreu esta segunda e terça-feira, dias 5 e 6, na Casa Santa Marta. Conhecida por defender que “a igualdade de género faz parte do plano de Deus”, a bispa anglicana foi uma das mulheres que Francisco quis escutar – e que os seus conselheiros escutassem – sobre “o papel feminino na Igreja”.
Além de Jo Bailey Wells, o Papa voltou a convidar a irmã salesiana Linda Pocher, professora de Cristologia e Mariologia na Pontifícia Faculdade de Ciências da Educação Auxilium de Roma, que já havia estado presente na última sessão do C9, em dezembro de 2023, em que o tema começou a ser debatido. E chamou ainda Giuliva Di Berardino, consagrada da Ordo Virginum, da diocese de Verona, que trabalha como professora e gestora de cursos de espiritualidade e exercícios espirituais.
No caso de Wells, 58 anos, é de assinalar a sua experiência em papeis de liderança. Em 1998, tornou-se na primeira mulher decana de uma universidade de Cambridge e já esteve à frente de comunidades na África do Sul, Uganda, Sudão do Sul e Haiti. Casada com um padre anglicano e mãe de dois filhos, é autora de vários livros e fala regularmente sobre o papel das mulheres na Igreja, e na sociedade em geral.
A presença de mulheres nas reuniões de um órgão exclusivamente masculino, e em particular a participação da bispa Jo Bailey Wells, foi saudada por muitos e considerada um marco de progresso significativo no esforço de Francisco para tornar a Igreja mais inclusiva e acolhedora de todas as vozes, e implementar o conceito de sinodalidade nos mais altos escalões do catolicismo, assinala o jornal Crux na sua edição desta terça-feira.
Outros houve, no entanto, que criticaram a inclusão das mulheres neste encontro de cardeais, em particular uma mulher anglicana, interpretando o gesto do Papa como “um aceno às vozes católicas a favor da ordenação das mulheres ao diaconado e ao sacerdócio”, assinala a mesma publicação.
Mas se, como tudo indica, Francisco quiser continuar a reflexão sobre “o papel feminino na Igreja”, o mais provável é que a presença das mulheres nestas reuniões se mantenha.
Recorde-se que o Conselho dos Cardeais, após a renovação levada a cabo pelo Papa a 7 de março de 2023, é composto por Pietro Parolin, secretário de Estado; Fernando Vérgez Alzaga, presidente da Comissão Pontifícia para o Estado da Cidade do Vaticano; Fridolin Ambongo Besungu, arcebispo de Kinshasa; Oswald Gracias, arcebispo de Bombaim; Seán Patrick O’Malley, arcebispo de Boston; Juan José Omella Omella, arcebispo de Barcelona; Jean-Claude Hollerich, arcebispo do Luxemburgo; Sérgio da Rocha, arcebispo de São Salvador da Bahia, e Gérald Lacroix, arcebispo do Quebeque.
De assinalar que este último participou na reunião, apesar de ter informado que iria afastar-se temporariamente das suas funções no final de janeiro, na sequência de acusações de abusos sexuais de que está a ser alvo, as quais remontam a 1987 e 1988 e nega “categoricamente”.









