Uma carga preciosa

| 21 Dez 18

No início do mês de Setembro de 2015, uma criança aparecia morta numa praia da Turquia. Ficou depois a saber-se que era um menino sírio. Tinha três anos e chamava-se Alan Kurdi. As imagens terríveis que o mostravam só, deitado na orla do mar, como que adormecido, ou tombado no colo de um agente da polícia turca correram o mundo através das primeiras páginas da imprensa, provocando uma forte comoção. Alan Kurdi tinha-se afogado no Mediterrâneo, que o seu pai com ele tentou atravessar ansiando por uma vida de segurança na Europa.

A memória desta criança e das 4176 pessoas que, no ano seguinte, fugindo da guerra e da perseguição, morreram ou desapareceram em idêntica viagem inspirou Khaled Hosseini a escrever Uma Prece ao Mar. O livro, ilustrado por Dan Williams, dá voz a um pai que conta ao filho, chamado Marwan, como eram os dias felizes da sua infância na cidade de Homs, na Síria, antes de a guerra ter chegado. Os dois, na companhia de outras pessoas, estão na praia à espera da hora certa para partirem rumo à Europa. A Deus, o pai pede que conduza em segurança a embarcação. Ao mar, pede que se lembre do filho – “uma carga preciosa” – que nela viaja. 

Uma Prece ao Maré uma leitura muito recomendável para todos e, de um modo particular, para os mais novos.

Khaled Hosseini – Uma Prece ao Mar.

Ilustração de Dan Williams. Tradução Manuela Madureira

Lisboa: Editorial Presença, 2018

(Nota: Uma parte das receitas deste livro, que o jornal britânico The Guardiantransformou num surpreendente filme de animação, reverte a favor do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR). O filme pode ser visto a seguir (na sua versão inglesa):

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São Pessoas. Histórias com gente dentro

Há um tanque de lavar roupa. Há uma cozinha. Há o poço e as mãos que lançam um balde. Há uma sombra que foge. Há o poste de eletricidade que ilumina as casas frágeis. Há o quadro pendurado em que um coração pede “Deus te ajude”. Há a campa e a eterna saudade. E há uns tapetes gastos. Em cada uma destas fotos só se adivinham os rostos, os olhos, as rugas, as mãos rugosas, as bocas, as pessoas que habitam estes lugares.

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Um dia, uma leitora do blogue “2 Dedos de Conversa” escreveu-lhe: “Este blogue é um momento de luz no meu dia”. A partir daí, Helena Araújo, autora daquela página digital, sentiu a responsabilidade de pensar, de manhã, o que poderia “escrever para animar o dia” daquela rapariga. Sente que a escrita do blogue pode ajudar pessoas que não conhece, além de lhe ter alargado os horizontes, no debate com outros pontos de vista.

Arte de rua no selo do Vaticano para a Páscoa

Um selo para celebrar a Páscoa com arte de rua. Essa será a escolha do Vaticano, segundo a jornalista Cindy Wooden, para este ano, reproduzindo uma Ascensão pintada por Heinrich Hofmann, que se pode ver na Ponte Vittorio Vittorio Emanuele II, em Roma, a poucas centenas de metros da Praça de São Pedro.

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Foi nesse congresso que, pela primeira vez, tive a explicação relativa a dois nomes, Maria e Marta, cujo significado fiquei de procurar, desde 1983, ano no qual nasceram as minhas primas Maria e Marta. O facto é que, quando elas nasceram, o meu avô materno, impôs que fossem chamadas por esses nomes. Despertou-me curiosidade a insistência, uma vez que já as chamávamos por outros nomes.

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