Na quarta-feira, 3 de junho, tal como anunciáramos, o 7MARGENS não publicou nenhuma notícia nem qualquer outro texto, solidário com a greve geral a que os jornalistas, através do seu sindicato, aderiram e porque a sua redação entende, tal como outros jornalistas, que “a aprovação do projeto de alteração da legislação laboral constitui um retrocesso civilizacional, com o efeito primordial de facilitar a exploração das pessoas assalariadas mais frágeis”.
As previstas restrições à licença de amamentação – ainda mais num tempo em que a demografia é um problema gravíssimo em Portugal, que os governos não têm sabido enfrentar –, as limitações dos direitos dos pais a não trabalhar à noite e aos fins de semana ou a facilitação dos despedimentos são algumas das medidas que consideramos que fragilizam os elos mais fraco da economia – os trabalhadores e as famílias – e que não podem deixar de merecer repúdio. Ainda mais num tempo em que crescem em muitos sítios os ataques aos direitos conquistados ao longo de dois séculos, e que ameaçam fazer-nos regressar a práticas laborais quase escravas e sem direitos, próprias do século XIX e não deste século XXI.
Por sermos um órgão de comunicação social, estamos também solidários com os jornalistas, cuja profissão está cada vez mais precarizada, e com todas as pessoas, nomeadamente jovens, que dificilmente veem qualquer futuro nesta alteração à legislação laboral.
A greve é um direito que tem sido afirmado, por exemplo, pelo pensamento social católico (nomeadamente na Laborem Exercens, de João Paulo II).
E é o único direito que os trabalhadores têm para manifestar de forma viva a sua importância – e que, por isso, pode prejudicar o quotidiano de outras pessoas. Na proposta governamental, esse direito está também ameaçado.
O 7MARGENS tem estado atento a este tema: além do editorial referido acima, em março organizámos um debate sobre o assunto e, a propósito do Dia do Trabalhador, um outro editorial propôs várias questões para reflexão, além de darmos conta das posições da Liga Operária Católica/Movimento de Trabalhadores Cristãos (ver 7MARGENS), que afirmava ser particularmente importante “o entendimento entre as forças da democracia e da cidadania, que permitam respostas eficazes na defesa dos justos direitos conquistados com negociações e justas lutas, nos valores essenciais da dignidade e dos direitos humanos”.
Na recente encíclica Magnifica Humanitas, do Papa Leão, a defesa da dignidade humana, das relações laborais justas, do trabalho digno e da qualidade de vida de quem trabalha são reafirmadas várias vezes. A defesa do salário justo e da proteção dos mais fracos, que vem também da tradição bíblica judaica e da tradição islâmica, são igualmente argumentos a ter em conta num jornal como o nosso. As grandes tradições religiosas, apesar das suas diferenças doutrinais, convergem neste ponto: a economia deve estar ao serviço da vida humana, e não o contrário.
Por estas razões, ontem não publicámos notícias e esta newsletter chega apenas com esta carta. Durante este dia de quinta-feira, apesar de ser feriado, voltaremos às notícias e à opinião, a partir da manhã.







