Ex-responsável do Centro Televisivo Vaticano em Fátima

Uma catequese centrada no Evangelho e uma liturgia que recupere o simbólico

| 18 Abr 2024

Dario Edoardo Viganò

Dario Edoardo Viganò em Fátima: “A liturgia católica deveria “recuperar o alto valor simbólico”, que se perdeu “porque tudo se tornou funcional”. Foto © António Marujo/7MARGENS.

“A catequese deveria escolher alguns pontos centrais da experiência cristã” e propor uma narrativa “centrada no texto do Evangelho, que é um texto maravilhoso”, defendeu em Fátima o padre Dario Edoardo Viganò, antigo director do Centro de Televisão do Vaticano. Respondendo a uma pergunta do 7MARGENS no âmbito das Jornadas de Comunicação do Santuário, o agora vice-chanceler da Academia Pontifícia das Ciências Sociais diz que a catequese “duplicou o modelo escolástico”, que “já vimos que não funciona”, porque depois do crisma, todas as crianças e jovens “fogem, não sobra ninguém”.

O responsável do Vaticano acrescentou que “a catequese deveria ser uma catequese bíblica, que faça descobrir como está construído o evangelho” e que isso seria “apreciado” pelos jovens. Do mesmo modo, a liturgia católica deveria “recuperar o alto valor simbólico”, que se perdeu “porque tudo se tornou funcional”. Se se quiser contar a beleza do Evangelho, disse Viganò, a narrativa deve nascer do “encontro pessoal com Jesus. “A prática catequética e litúrgica é pobre” no que à narratividade da Bíblia diz respeito, sublinhou.

Dario Viganò inaugurou as jornadas com uma conferência sobre “O uso da imagem e a construção da narrativa”. Centrou-se, no entanto, nos problemas e desafios trazidos pelas redes sociais, acentuando a “auto-representação e narração de si” que aquelas comportam, no que traduz um distanciamento das formas tradicionais e históricas de comunicação. O cenário dos média é “muito diferente do do fim do século XX e da época anterior à difusão” da internet, sublinhou. No século XX, os média “normatizavam as formas de presença num círculo muito limitado” enquanto actualmente os média sociais “permitem expor-se, exibir-se, num leque quase ilimitado de modos”.

Compreendendo-se pela categoria de “laboratório e mercado da “presença”, os média permitem ainda o descentramento da “função da comunicação”, através da extracção e tratamento de dados, que leva ao distanciamento e a um novo modelo relacional. Trata-se de uma “mudança radical”, tendo em conta a mudança que se fez “com a digitalização do sinal e o advento das redes”.

Numa alternativa a esta lógica, Viganò propôs uma comunicação mais centrada “na escuta do que na manifestação de si próprio” e um “coração capaz de sugerir beleza e esperança”. E, insistindo na relação destas questões com o modo de transmitir a narrativa bíblica, dizia que esta deve manifestar “palavras de beleza, de amparo, de solicitação à esperança”.

As jornadas incluíram várias oficinas temáticas e uma conversa com a apresentadora Ana Galvão, da Rádio Renascença, sobre a importância da voz na construção das histórias.

 

Apoie o 7MARGENS e desconte o seu donativo no IRS ou no IRC

O aumento da intimidação católica

O aumento da intimidação católica novidade

A intimidação nos meios católicos está a espalhar-se por todos os Estados Unidos da América. No exemplo mais recente, a organização Word on Fire, do bispo de Minnesota, Robert Barron, ameaçou a revista Commonweal e o teólogo Massimo Faggioli por causa de um ensaio de Faggioli, “Será que o Trumpismo vai poupar o Catolicismo?”

Agenda

Fale connosco

Autores

 

Pin It on Pinterest

Share This