Homenagem da família

Uma Celebração da Vida de José Mattoso

| 8 Jul 2023

Na ocasião da morte de José Mattoso, a família preparou uma curta selecção de textos com a qual procurou sintetizar a vida do historiador. É essa “celebração” que o 7MARGENS publica a seguir, por cedência da família.

 

Há de haver no deserto um lugar de água
Alguém que nos chame pelo nome
e nos acolha ao termo da viagem
(José Augusto Mourão)

 

Homens a pescarem em silêncio mas águas azuis sob um manto de nuvens no mar de Visayan, nas Filipinas. Foto © Vyacheslav Argenberg / http://www.vascoplanet.com/, CC BY 4.0 , via Wikimedia Commons

Homens a pescarem em silêncio mas águas azuis sob um manto de nuvens no mar de Visayan, nas Filipinas. Foto © Vyacheslav Argenberg / http://www.vascoplanet.com/, CC BY 4.0 via Wikimedia Commons

Leitura do Livro do Apocalipse

Felizes os mortos que morrem no Senhor… Sim, eles descansarão das suas fadigas, pois as suas obras os seguirão. Nunca mais terão fome nem sede, nem o sol ou o vento ardente cairão sobre eles. O Cordeiro será o seu pastor e os conduzirá às fontes da água viva. E Deus enxugará todas as lágrimas dos seus olhos. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, pois tudo o que era antigo já passou. E aquele que está sentado no trono disse: “Faço novas todas as coisas! ».

 

Salmo

A vós que deslocaram as grandes sedes,
Eu vos saciarei nas fontes altas da Vida
Como o veado anseia pelas águas correntes,
assim minha alma anseia por Vós, Senhor.
Minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo:
Quando poderei contemplar a face de Deus?

A vós que deslocaram as grandes sedes,
Eu vos saciarei nas fontes altas da Vida
Enviai a vossa luz e a vossa verdade
para que me guiem e me conduzam
à vossa montanha santa e ao vosso santuário.

A vós que deslocaram as grandes sedes,
Eu vos saciarei nas fontes altas da Vida
Irei para a casa de Deus,
do Deus que é a minha alegria.
E para sempre Vos louvarei,
Senhor, meu Deus.

 

Evangelho (João 4, 4-13)

Jesus chegou a uma cidade da Samaria, chamada Sicar, perto do terreno que Jacob tinha dado ao seu filho José. Ficava ali o poço de Jacob. Jesus, cansado da caminhada, sentou-se na borda do poço. Era por volta do meio-dia. Chegou uma mulher samaritana para tirar água. Disse-lhe Jesus: «Dá-me de beber.» Os seus discípulos tinham ido à cidade comprar alimentos. Disse-lhe então a samaritana: «Como é que tu, sendo judeu, me pedes de beber a mim que sou samaritana?» É que os judeus não se dão bem com os samaritanos. Respondeu-lhe Jesus: «Se conhecesses o dom que Deus tem para dar e quem é que te diz : ‘dá-me de beber’, tu é que lhe pedirias, e ele dar-te-ia água viva!» Disse-lhe a mulher: «Senhor, não tens sequer um balde e o poço é fundo… Como consegues, então, a água viva? Porventura és mais do que o nosso patriarca Jacob, que nos deu este poço donde beberam ele, os seus filhos e os seus rebanhos? Jesus respondeu-lhe: «Todo aquele que bebe desta água voltará a ter sede; mas, quem beber da água que eu lhe der, nunca mais terá sede: a água que eu lhe der há de tornar-se nele em fonte de água que dá a vida eterna.»

José Mattoso, Metanoia

José Mattoso, em 2016, no Encontro de Reflexão teológica do Metanoia. Foto © António José Paulino

De José Mattoso:

Não há nada neste mundo que possa preencher todos os nossos desejos, todas as oportunidades que a vida nos oferece. A vida oferece tantas…

Só podemos responder a uma parte muito pequena dessas. Isto é o que me ensina uma reflexão sobre o Ser, uma reflexão sobre Deus, sobre a “espantosa realidade das coisas”

… quando, subitamente, nos comove ou encanta o olhar de uma criança, a beleza de um rosto, o brilho das estrelas numa noite de verão, os raios de sol no meio das árvores, a imensidade do mar, a descoberta da prodigiosa capacidade de adaptação e de invenção da vida animal, a perceção da nossa insignificante pequenez no meio do Universo. A vida, na sua festiva generosidade, oferece-nos momentos de iluminação…

O sábio cristão sabe esperar. Não tem pressa. Para ele não há absolutos. Tudo é relativo: um sorriso pode ser mais importante do que a fundação de uma dinastia. Acredita no valor e na eficácia dos símbolos. Não pronuncia sentenças nem faz discursos. O seu espaço é o silêncio. Considera que a sua função não é julgar e condenar ou absolver, mas salvar, isto é, dar vida à imagem de Deus que está no fundo de cada homem.

É bom acreditar que merece a pena “levantar o Céu”, e lembrarmo-nos de que não estamos sozinhos. Felizmente há muitas mulheres e homens neste mundo a tentar unir esforços para manter o contacto entre o Céu e a Terra. É esse o caminho que a sabedoria ensina a percorrer para encontrar a saída do labirinto em que a vida nos coloca.

… há uma coisa com a qual me sinto bem; é aquele “gracias a la vida, que me ha dado tanto”
É isto que sinto.

 

Os justos

Começam o dia louvando o imperfeito:
o tempo que se inclina para o lado partido
as escassas laranjas que se tornam
amarelas no meio da palha
as talhas sem vinho

Olham por dentro a brancura da manhã
e em tudo quanto auxilia um homem no seu ofício
louvam o vulnerável e o inacabado

Estão sentados à soleira dos espaços
trabalhados devagar pelo silêncio

Quando Deus voltar
não terá de arrombar todas as portas

 (para José Mattoso)

 José Tolentino de Mendonça, in Estação Central

 

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