Sim, são “tempos difíceis” aqueles em que vivemos, mas há “fontes de esperança”. E é sobre elas que católicos e marxistas de diferentes países irão refletir em conjunto nos próximos dias 17 e 18 de outubro, numa conferência que decorrerá simultaneamente em sete localidades: Lisboa, Atenas, Berlim, Bona, Buenos Aires, Loppiano e Viena.
Intitulada “Hope in rough times. Challenges in politics, environment, economy” (em português, “Esperança em tempos difíceis. Desafios na política, ambiente, economia”), a iniciativa é promovida pela Plataforma de Diálogo entre Cristãos e Marxistas e aberta à participação de todos os interessados.
O programa de Lisboa terá lugar no Seminário dos Missionários do Verbo Divino (R. São Tomás de Aquino, 15), iniciando-se na sexta-feira, 17, às 16 horas, com uma ligação Zoom ao Instituto Universitário Sophia para assistência a um debate entre Walter Baier (Presidente do Partido da Esquerda Europeia) e Pasquale Ferrara (embaixador italiano), seguindo-se uma discussão sobre o mesmo.
Já no sábado, as atividades começam às 10h00 com as intervenções de José Manuel Pureza (professor universitário e ex-deputado pelo Bloco de Esquerda) e Inês Espada Vieira (professora universitária e presidente do Centro de Reflexão Cristã), subordinadas ao tema “Esperança em tempos difíceis: desafios ao diálogo entre cristãos e marxistas”, após as quais haverá um debate e pausa para almoço.
Da parte da tarde, a partir das 15h00, decorrerá um plenário internacional, com a partilha dos resultados da reflexão dos grupos nacionais via Zoom, a qual deverá terminar pelas 17h15.
Os interessados em participar devem inscrever-se através de um formulário disponível online, havendo também a possibilidade de fazer um registo para assistir à distância.
Questionado pelo 7MARGENS sobre a importância desta iniciativa, José Manuel Pureza recordou aquilo que o Papa Francisco disse aos membros da Dialop (entre os quais ele próprio se encontrava), quando os recebeu em audiência em janeiro de 2024. “Ele desafiou-nos assim: ‘Não recuem, não desistam e não deixem de sonhar com um mundo melhor. Pois é na imaginação, na capacidade de sonhar, que a inteligência, a intuição, a experiência e a memória histórica se unem para nos tornar criativos, levar-nos a aproveitar oportunidades e a correr riscos”.
Para o militante do Bloco de Esquerda, que é também assumidamente católico, “este desafio ganha um sentido imperativo” neste tempo de “retração dramática da paz, dos direitos e da justiça social”. Por isso, “todos os que atuam guiados pelo primado do bem comum estão desafiados a dialogar para encontrarem convergências de ação, conscientes das diferenças de visão e de trajeto. Sermos capazes de ultrapassar os anátemas do passado em benefício dessas convergências para responder ao clamor dos pobres e ao clamor da Terra, esse é o grande desafio que nos está lançado”, defende. E esta conferência pode ser mais um passo nesse sentido, particularmente no ano em que decorre o Jubileu da Esperança, convocado pelo Papa Francisco.
Foi, de resto, na sequência de uma audiência do Papa Francisco, em 2014, ao político e antigo primeiro-ministro grego Alexis Tsipras, a Walter Baier (então da rede transform!europe), e a Franz Kronreif (do Movimento dos Focolares), que nasceu a Dialop, enquanto plataforma de diálogo entre a esquerda europeia e o Vaticano.
O objetivo desta rede é implementar uma ética social transversal e uma ecologia integral que ligue a doutrina social da Igreja Católica e a crítica social marxista. “Ultrapassando os seus limites religiosos e ideológicos, cristãos e marxistas, assim como todas as pessoas de boa vontade, consideram-se unidos no esforço de pôr fim aos conflitos armados no mundo e de assegurar os direitos humanos mais elementares com o objetivo de garantir o equilíbrio social e a paz”, lê-se numa apresentação do projeto.

O cartaz da iniciativa.










