
Crianças olham para suas casas destruídas na cidade de Rafah, no sul da Faixa de Gaza: na Cisjordânia, a outra região da Palestina, as crianças também são vítimas. Foto © UNICEF/Eyad El Baba
Desde outubro de 2023, quando começou a guerra entre Israel e o Hamas, que, em média, é assassinada uma criança a cada dois dias em território cisjordano, revela a Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) num comunicado de imprensa divulgado nesta segunda-feira, 22. Este número representa um aumento de quase 250% em relação aos de há nove meses.
“Há anos que as crianças que vivem na Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental, estão expostas a uma violência terrível”, afirmou a diretora executiva da Unicef, Catherine Russell. “A situação deteriorou-se significativamente, coincidindo com a escalada das hostilidades em Gaza. Assistimos a alegações frequentes de crianças palestinianas detidas quando regressavam da escola ou alvejadas quando caminhavam na rua. A violência tem de acabar já”, acrescentou.
Um total de 143 crianças palestinianas foram mortas na Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental, desde outubro de 2023. Por comparação, durante o mesmo período, duas crianças israelitas morreram no território cisjordano em atos de violência relacionados com o conflito. Além disso, mais de 440 crianças palestinianas foram feridas com munições reais.
As vítimas foram registadas em dez das onze províncias da Cisjordânia, tendo mais de metade das mortes ocorrido em Jenin, Tulkarm e Nablus. Estas zonas têm assistido a um aumento das operações policiais de grande envergadura e militarizadas nos últimos dois anos. As crescentes tensões na Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental, estão também a afetar o bem-estar físico e mental de milhares de crianças e famílias, que vivem agora com medo diário pelas suas vidas. As crianças dizem ter medo de andar pelos seus bairros ou de se deslocar para a escola, refere o comunicado de imprensa.
Antes de 7 de outubro de 2023, quando se deu o ataque do Hamas a Israel, as crianças da Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental, já estavam expostas aos mais elevados níveis de violência dos últimos 20 anos, com 41 crianças palestinianas e seis crianças israelitas mortas nos primeiros nove meses do ano passado. Foram também fortemente afetadas por restrições de movimento e de acesso que perturbaram a sua vida quotidiana.
“O verdadeiro custo da violência no Estado da Palestina e em Israel será medido em vidas de crianças – as que se perderam e as que mudaram para sempre”, disse Russell. “O que as crianças precisam desesperadamente é de um fim da violência e de uma solução política duradoura para a crise, para que possam atingir o seu potencial máximo em paz e segurança”, insistiu Russell.
“Renovamos o nosso apelo às partes para que ponham imediatamente termo e impeçam novas violações graves contra as crianças, incluindo o assassínio e a mutilação de crianças. As partes devem aderir às suas obrigações ao abrigo do direito internacional para proteger as crianças. O direito das crianças à vida deve ser defendido e as crianças nunca devem ser alvo de violência, independentemente de quem ou onde se encontrem”, conclui a nota.









