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Uma errata eloquente

Errata eloquente do jornal El País.

 

A falta de cultura religiosa não é apenas falta de cultura religiosa. Quem não conhece o cristianismo não está devidamente habilitado a entender, por exemplo, as artes plásticas, a literatura, a música ou a arquitectura.

A errata que o diário espanhol El País, um dos mais prestigiados jornais europeus, publicou na edição de domingo, 28 de Março, esclarecendo que “no catolicismo, a Trindade está formada pelo Pai, pelo Filho e pelo Espírito Santo; e não pelo Pai, pelo Filho e pela Virgem como se sugeria na reportagem sobre a catedral de Burgos publicada no sábado nas páginas de Cultura”, poderia ser apenas risível. Mas é o sintoma de uma deplorável falta de cultura religiosa que grassa nas redacções dos jornais. E, evidentemente, não apenas nelas.

 

Sobre a representação artística da Trindade, escreve José Velho Dantas, na página dos Bens Culturais da Igreja, onde se podem encontrar outras referências e imagens:

Representação da Santíssima Trindade. Escultura anónima de oficina portuguesa, de vulto, em calcário bege policromado, século XVI; Paróquia de São Mateus da Junceira (Santarém). Foto © Direitos Reservados

Ainda que a crença em Deus uno e trino só tenha sido fixada no Concílio de Niceia, em 325, a verdade é que os teólogos e os primeiros doutores da Igreja desde logo se esforçaram por provar as manifestações da Trindade em algumas passagens do Novo Testamento e mesmo a sua prefiguração no Velho Testamento. 

A arte cristã experimentou várias formas para tentar traduzir plasticamente a ideia de três pessoas num só Deus, recorrendo quer a símbolos geométricos, caso do triângulo ou dos três círculos concêntricos, quer optando sobretudo por figurações antropomórficas. 

Inseridas nesta última categoria, surgem no Ocidente, sobretudo no domínio da pintura, as várias tipologias da Trindade horizontal, que representavam as três pessoas divinas através de três cabeças separadas, com fisionomias iguais ou distintas entre si, ou então através de uma única cabeça apresentando três faces, uma central, de frente, e duas laterais, de perfil. 

A representação da Trindade vertical, também chamada Trono da Graça, acabou por responder melhor às acusações do triteísmo e por se impor quase como uma regra nas figurações trinitárias, independentemente de algumas variantes relacionadas com a posição de Cristo relativamente ao Pai e também com a posição do Espírito Santo relativamente ao Pai e ao Filho.

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