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Uma experiência de sinodalidade – a Igreja Católica no Terceiro Milénio

Uma experiência de sinodalidade – a Igreja Católica no Terceiro Milénio

by | 28 Mar 20

Há dias, chamou-me à atenção, no 7MARGENS, um artigo intitulado Um sínodo sobre a sinodalidade para dar eficácia à ideia de participação. Li o artigo com entusiasmo, sobretudo, porque revivi a minha experiência de paroquiana numa igreja da cidade de Lisboa. Foram tempos de Alegria e Graça, os anos de 2000 a 2019, sob a “batuta” do padre e cónego Carlos Paes.

Sim, foram anos marcantes, de um crescimento interior intenso, sem que nos déssemos conta. Esta Alegria semeou no nosso coração o desejo de a repetir mais e mais…

Cada pessoa que chegava à paróquia, em pouco tempo sentia-se acolhido, como se estivesse em casa. Se o desejasse, podia oferecer-se, dar ideias, colaborar, sonhar, construir em comunidade.

O Domingo, dia do Senhor, era o ponto alto, o ponto de encontro e o renovar das energias espirituais e humanas… tínhamos um sentido de pertença, de família: porque havia alegria no olhar, interesse e sentido de ajuda, disponibilidade para estar, conversar, rezar e sonhar… e isso tornou-se contagiante!

Passámos a viver num crescente desejo de compromisso, procurando dar resposta às necessidades dos paroquianos.

O que faziam o padre Carlos e a sua equipa?… Aparentemente, muito pouco, mas conhecendo cada um escutavam, sugeriam, provocavam o encontro, manifestavam o que queriam e depois, como ele dizia com um ar tranquilo e sábio: “Vamos deixar correr”…

Outra pessoa extraordinária era o seu coadjutor, monsenhor Alberto Teixeira Dias! O padre Alberto era um gigante de Deus, um Homem de grande Sabedoria, experiência pastoral e de profunda Humildade. Como só as almas de Deus sabem, há muito que tinha ultrapassado a necessidade de ser reconhecido. Os dois eram o vivo retrato da frase do Evangelho “vinde e vede”.  Tratavam-se com um profundo respeito e amizade – era o amor de Deus, humanizado. Os mais pequenos diziam: “um dia vou ser como o padre Carlos e o padre Alberto”.

Sendo uma família, a paróquia fervilhava de acontecimentos, reuniões, missões, celebrações, atividades culturais em contínuo. E tudo isto acontecia com toda a naturalidade, porque cada um de nós, batizado, se sentia envolvido como um protagonista”…

Basta reparar:

– Um grupo de teatro, que chegou a encenar O Processo de Jesus e um auto sobre S. João de Deus. Foram meses de ensaio, de preparativos vários – adereços, cenários, luz e som, panfletos publicitários, bilhetes, logística… Mas o que nos “fazia correr”? O gosto de estarmos juntos, de sermos comunidade!

– O Crescer a Brincar, no verão, porque os campos de férias apresentavam custos exorbitantes; falando com o padre Carlos, criámos de raiz um “campo de férias” na paróquia para as crianças dos 6 aos 14 anos, com atividades de segunda a sexta-feira.

– As atividades da catequese eram pensadas, rezadas e preparadas por um grupo cada ano maior, tal era o gosto e o sentido de missão que quem se aproximava descobria.

– O serviço de bar, sempre disponível e atento a tornar o momento delicioso e, ao mesmo tempo, uma fonte de receita para as famílias mais carenciadas.

– Um gabinete de atendimento de advogados, psicólogos, enfermeiros, sem custos e ao dispor de quem mais precisasse.

– A alargada equipa de explicações para ajudar os mais novos a terem sucesso escolar; a escola de oração; os serviços de atendimento aos Alcoólicos Anónimos, Narcóticos Anónimos, Comedores Anónimos e Famílias Anónimas … já para não falar da Legião de Maria;

– A Conferência de S. Vicente de Paulo; o Grupo A Caminho; os Casais de Schöenstatt e Famílias de Betânia; o Coro Infantil e Juvenil e o Coro de Adultos; o grupo de oração das Carmelitas Seculares e dos Beneditinos; o Grupo da Oração das Mães; o Grupo dos neo-catecúmenos; o Grupo de Meditação Cristã… E creio que ainda me escapam alguns, mas estes são aqueles que conheci mais de perto.

Por tudo o que aprendemos, partilhámos, vivemos, crescemos interiormente… sim, acredito que “a sinodalidade é o caminho que Deus espera da Igreja do terceiro milénio”!…

 

Margarida Costa Alves é professora de História no 2º e 3º ciclo do ensino básico e integra a Liga das Famílias de Schöenstatt

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