No Museu Diocesano de Santarém

Uma exposição que é “um grito de alerta e de revolta” contra a perseguição religiosa

| 19 Abr 2024

Instalação da exposição LIBERDADE GARANTIDA, no Museu Diocesano de Santarém. Foto Miguel Cardoso

Uma das instalações da exposição, composta por televisões antigas que fulminam os visitantes com olhares inquiridores e lhes perguntam, como Jesus fez aos discípulos: “Vês esta mulher?, Têm olhos e não vêem?”. Foto: Direitos reservados

 

Poderá haver quem fique chocado com algumas das peças e instalações que integram a exposição “LIBERDADE GARANTIDA” (escrito assim mesmo, em letras garrafais), que é inaugurada este sábado, 20 de abril, no Museu Diocesano de Santarém. Mas talvez isso até seja positivo, diz o autor, Miguel Cardoso. Porque esta exposição “é uma chamada de atenção, um grito de alerta e de revolta que gostaria que se tornasse num agitar de consciências para a duríssima realidade da perseguição religiosa”, explica. Aqueles que se sentirem preparados, ou simplesmente curiosos, podem visitá-la até ao final do ano.

Há um sudário em tamanho real onde a imagem de Jesus se funde com a do cadáver de Alain Kurdi, o menino sírio de três anos que morreu num naufrágio ao largo da Turquia; há televisões antigas que fulminam os visitantes com olhares inquiridores e lhes perguntam, como Jesus fez aos discípulos: “Vês esta mulher?, Têm olhos e não vêem?”; há uma cruz de azulejos onde surgem os rostos de vários mártires, assassinados porque não negaram a sua religião. Miguel Cardoso descreve as suas instalações como “sirenes a guinchar e murros no estômago”, porque é urgente passar a mensagem de que “em muitos lugares do planeta, é mais violenta hoje a perseguição aos cristãos do que foi em qualquer outro tempo”.

A ideia de criar estas instalações começou com um “desafio lançado pelo Museu Diocesano de Santarém de fazer alguma intervenção artística sobre o tema da Liberdade no contexto das comemorações dos 50 anos do 25 de abril”, recorda o artista plástico. Ao refletir e pesquisar sobre o assunto, Miguel Cardoso percebeu que “o direito humano à liberdade de pensamento, de consciência e de religião é violado em cerca de um terço dos países do mundo” e que “quase 4,9 mil milhões de pessoas, ou seja, 62% da população mundial, vivem em países onde a liberdade religiosa é fortemente restringida”. “Isto significa que provavelmente o expoente máximo do problema da falta de liberdade no mundo é a liberdade religiosa, e por isso senti essa urgência em falar sobre esse prisma da falta de liberdade”, explica o autor da exposição ao 7MARGENS.

Conhecido sobretudo pelos seus trabalhos de vídeo, ilustração e fotografia (é ele o autor das imagens da rubrica semanal Ora Vê), Miguel Cardoso já tinha organizado muitas exposições, mas revela que “esta é completamente diferente” de tudo o que fez até agora. “Participo em exposições desde os meus 15 anos e o normal era pensar nas obras de arte que criava numa perspectiva estética de beleza. Foi a primeira vez que me confrontei com a criação de peças artísticas que não tinham de ser belas, que poderiam até ser meio grotescas e duras, mas que fossem de facto eficientes no transmitir de mensagens, de angústias, de receios”, partilha.

liberdade garantida cartaz

O cartaz de divulgação da exposição.

Sobre o título, “LIBERDADE GARANTIDA”, Miguel Cardoso refere que é ele próprio “uma provocação”. Na verdade, se tivesse de resumir a exposição a uma frase, talvez fosse a seguinte: “A LIBERDADE não deve ser tida como GARANTIDA”, adianta. Mas aquilo que o autor gostaria mesmo era que todos aqueles que a vissem chegassem ao fim com uma certeza: “mesmo quando achamos que somos insignificantes para resolver os problemas, se conseguirmos despertar as consciências para a realidade que os problemas existem, já estamos a ajudar à solução”.

A exposição, que conta com a parceria da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre e o apoio da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo e do Município de Santarém, estará patente no Museu Diocesano de Santarém até ao dia 30 de dezembro. A inauguração acontece este sábado, pelas 16 horas, e contará presença do autor, bem como do bispo de Santarém, José Traquina, e do diretor do museu, padre Joaquim Ganhão. Mais informações disponíveis no site oficial do museu.

 

 

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