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SÓ USAR PARA FALAR DO LIVRO - Philppa Rath

Uma freira dá voz à metade excluída da Igreja, no meio do Caminho Sinodal católico alemão

Philippa Rath, mulheres na IgrejaPara mais uma sessão do “Caminho Sinodal” da Igreja Católica na Alemanha, que decorre desta vez online nestes dias 4 e 5 de fevereiro, muitos dos 230 delegados terão já sobre a mesa o contributo especial de uma das participantes: um livro de Philippa Rath, há mais de 30 anos freira beneditina do convento Santa Hildegard de Bingen, intitulado Weil Gott es so will (“Porque Deus assim quer”) e com o subtítulo “Mulheres falam da sua vocação para diaconisas e sacerdotisas”. O livro foi publicado no início desta semana (segunda, dia 1) na Editorial Herder e tem tudo o necessário para tornar-se um “best-seller”.

Num pequeno vídeo divulgado pela editora, a religiosa, formada em teologia, história e política, conta de onde lhe veio a ideia deste livro. Ao ouvir dois bispos no decurso da primeira assembleia sinodal a comentar entre si que afinal não havia na Igreja mulheres com vocação para os ministérios, encheu-se de vontade de comprovar o contrário. Escreveu a 12 mulheres suas conhecidas e pediu um testemunho. Por sua vez estas contactaram muitas outras. E o resultado é um livro com 150 testemunhos.

“Queria dar voz a todas as mulheres cuja vocação aos ministérios nunca foi sequer sujeita a um discernimento nem muitos menos aceite, mas apenas encarada com desprezo e ironia. Os testemunhos destas mulheres impressionam-me profundamente”, diz a beneditina. “São testemunhos de discriminação e desprezo, e ao mesmo tempo do desejo profundo de participação, corresponsabilidade e igualdade de direitos na Igreja. Mostram também quanta vitalidade, capacidade de proximidade às pessoas e chances de futuro a Igreja teria, se as mulheres tivessem acesso a todos os ministérios na Igreja, também aos ministérios ordenados.”

Philippa Rath afirma-se convencida – assim o afirmava ela no Forum sobre a Mulher, do Caminho Sinodal – de “que a nossa Igreja, tal como ela se apresenta, é uma igreja amputada, porque mais de metade de todos os seus fiéis, nomeadamente as mulheres, estão excluídas dos ministérios ordenados”.

Apesar de algum atraso devido à situação criada pelo vírus SARS-CoV-2, o “Caminho Sinodal” da Igreja alemã prossegue o seu trajecto. Nestes dois dias, a ordem de trabalhos era fazer um ponto de situação, com o relatório dos quatro grupos de trabalho (designados por “Forum”). As decisões são esperadas apenas para a assembleia de setembro próximo, caso seja possível fazer uma sessão com participação presencial.

Os quatro temas deste Caminho Sinodal são o poder e participação na Igreja, sexualidade e amor nas relações humanas, vida sacerdotal e celibato, lugar das mulheres nos serviços e ministérios da Igreja.

SÓ USAR PARA FALAR DO LIVRO - Philppa Rath

A irmã Philppa Rath, autora de “Porque Deus assim quer”. Foto © Verlag Herder

 

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