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II Encontro Laudato Si'
Símbolo do Encontro. Foto © Rita Reino

Encontro do Movimento Laudato Si’

Uma gota de água, uma forte corrente submarina pelo clima em Palmela

A Casa de Oração Santa Rafaela Maria, em Palmela, acolheu o II Encontro Nacional do Movimento Laudato Si’, reunindo cerca de cinco dezenas de participantes, a maioria animadores Laudato Si, vindos de todo o país, de Chaves a Beja. Foi um dia marcado pela reflexão, pela oração, pela partilha e por gestos simbólicos que reforçaram o compromisso com a ecologia integral e a fraternidade humana. «O acolhimento e o encontro com o outro, em comunhão com a natureza, fizeram-me acreditar que é possível construir um futuro em mais harmonia», disse Jorge Matias, um dos animadores.

 

A força da corrente submarina

Tomas Insua

Tomás Insua, cofundador do Movimento Laudato Si’. Foto © Movimento Laudato Si’ 

A manhã começou com a intervenção de Tomás Insua, cofundador do Movimento Laudato Si’. Diretamente de Assis, através de videoconferência, recuperou a metáfora da pequena gota de água e da forte corrente submarina para descrever a missão do Movimento. Reconheceu que muitos se sentem apenas uma gota num oceano de desafios, mas lembrou que, por baixo da superfície, existe uma corrente profunda, silenciosa e transformadora, alimentada por milhares de pequenas ações, comunidades e animadores espalhados pelo mundo.

Para Tomás, esta imagem expressa a convicção de que a verdadeira transformação ecológica nasce de processos silenciosos, comunitários e espirituais — aqueles que mudam mentalidades, estilos de vida e estruturas a partir de dentro. Não se trata de grandes gestos isolados, mas de uma teia global de pequenos atos de conversão ecológica, que, unidos, formam um movimento de largo alcance. Cada animador, cada círculo, cada projeto local é uma gota que alimenta esta corrente.

Esta força discreta, afirmou ele, é profundamente evangélica: nasce da espiritualidade, da escuta do clamor da Terra e dos pobres e da certeza de que o Espírito Santo age na história através de pessoas simples e comunidades comprometidas. A esperança não é ingenuidade, mas confiança de que esta corrente continuará a crescer até influenciar a superfície – a cultura, as políticas e as estruturas económicas e sociais. O Movimento é chamado a permanecer fiel a esta missão: ser corrente que move, mesmo quando não se vê; ser gota que insiste, até gerar marés de mudança.

 

Aprender, discernir, agir

“Foram momentos (workshops) de testemunhos de ações empreendidas, partilhas de anseios e realizações e de propor compromissos em prol da ecologia integral e da fraternidade humana, segundo a Laudato Si’ e a Fratelli Tutti.” Foto © Secundino Correia

Ainda de manhã, decorreram em paralelo três workshops dedicados aos eixos estratégicos do Movimento – Espiritualidade e conversão ecológica, Estilos de vida e sustentabilidade plena e Mobilização profética da Igreja. Os participantes dividiram-se em três grupos, que foram rodando, de modo que todos passaram consecutivamente pelos diferentes workshops. Foram momentos de testemunhos de ações empreendidas, partilhas de anseios e realizações e de propor compromissos em prol da ecologia integral e da fraternidade humana, segundo a Laudato Si’ e a Fratelli Tutti. Estes workshops também contribuem diretamente para abrir novas perspetivas para os grupos locais: «Os testemunhos dos workshops fizeram-me pensar e visualizar novas perspetivas», explicava Martina, a quem este dia deixou «de coração cheio, de alma preenchida, em paz de espírito».

Antes do almoço celebrou-se a Eucaristia, com a fórmula litúrgica da nova Missa pelo Cuidado da Criação, apresentada pelo Papa Leão XIV em Julho de 2025, em Castel Gandolfo. Tomás Insua, na sua intervenção, tinha contado que há um grupo a trabalhar para que o dia 1 de setembro – actualmente Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, estabelecido pela Igreja Ortodoxa em 1989 e ao qual aderiu a Igreja Católica Romana em 2015 – se torne a solenidade do Dia da Criação, celebração não só ecuménica, mas inter-religiosa, pois a ela têm vindo a aderir outras designações cristãs e também outros credos.

 

Uma tarde de fecundidade focada em 2026

“(…) no exterior da Casa de Oração, foi plantado um damasqueiro Bulida, oferecido pelo Círculo Laudato Si’ de Santo António dos Olivais, Coimbra. Depois de colocada na terra, a pequena árvore foi regada com água trazida de vários locais por diversos participantes (…)” Foto © Rita Reino Assunção

Depois do almoço, no exterior da Casa de Oração, foi plantado um damasqueiro Bulida, oferecido pelo Círculo Laudato Si’ de Santo António dos Olivais, Coimbra. Depois de colocada na terra, a pequena árvore foi regada com água trazida de vários locais por diversos participantes, e também do fragmento de um iceberg apresentado ao Papa quando do encontro Raising Hope, que se realizou nos primeiros dias de outubro passado em Castel Gandolfo.

Estes gestos quiseram significar esperança e compromisso de reconstrução, ainda mais por terem sido feitos no local onde tinham caído quatro árvores durante a passagem da, tempestade Kristin, uns dias antes. Foi, como afirmou Rita Reino, de Lisboa, «um sinal visível do nosso compromisso e de futuro». Seguiu-se um tempo de silêncio, oração e contemplação, que ajudou a interiorizar o caminho percorrido e a reconhecer a ligação entre espiritualidade e ação.

O resto da tarde foi dedicado ao discernimento comunitário sobre prioridades e caminhos para 2026. Nos trabalhos de grupo, todos contribuíram para um diálogo vivo e inspirador. «Criaram-se redes entre as pessoas. Isso foi muito bonito e abriu horizontes», observou a ir. Ana Pina, aci.

No final desta jornada, a mensagem de D. Américo Aguiar, bispo  de Setúbal, reforçou a importância de uma Igreja que cuida, que escuta e que se compromete com a Casa Comum. A sua presença foi vista como um sinal de proximidade e abertura ao caminho sinodal.

Dos testemunhos recolhidos, destacou-se a consciência de que a força do encontro esteve na partilha: «Este encontro foi rico naquilo que mais importa: histórias, fragilidades, esperanças. Percebemos que não caminhamos sozinhos. Isso dá imenso alento», observou Rita Reino.

O II Encontro Nacional do Movimento Laudato Si’ terminou, mas o compromisso permanece. O damasqueiro plantado é agora sinal visível de um caminho que se quer fecundo. «Devíamos proporcionar encontros semelhantes nas paróquias e dioceses. Estar juntos faz toda a diferença», frisou Ana Pina.

Agora, com base nas conclusões deste encontro, vão-se definir os objetivos para o ano de 2026.

II Encontro Laudato Si', Palmela

“O II Encontro Nacional do Movimento Laudato Si’ terminou, mas o compromisso permanece. O damasqueiro plantado é agora sinal visível de um caminho que se quer fecundo.” Foto: Grupo de participantes. © Secundino Correia

Rita Veiga, Lisboa, e Secundino Correia, Coimbra, são animadores Laudato Si’

 

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O Papa Leão XIV proclamou, desde 10 de janeiro e até final deste ano, um ano jubilar assinalando os 800 anos da morte de Francisco de Assis, ocorrida em 3 de outubro de 1226 – a festa litúrgica é assinalada dia 4. Com esse pretexto, o 7MARGENS publica, até final do ano, nos dias 3 ou 4 de cada mês, uma série de dez textos da autoria de frei Isidro Lamelas, da Ordem dos Frades Menores, professor de Teologia. Este é o oitavo texto da série.

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