Uma luz na Serra Leoa

| 14 Fev 2023

“Na Serra Leoa vislumbro uma luz. De esperança. Um brilho inscrito no olhar preso no futuro. É já uma vontade colectiva. A querer mudar o curso da história.” Foto: Freetown (capital da Serra Leoa) © Luís Pinto

 

Na Serra Leoa não há floreados possíveis. Guerra voraz. Diamantes de sangue. Vísceras de poder. Gerações perdidas. Pobreza indigente. Bairros de poeira. Praias de dejectos. Mãos estendidas. Pés descalços. Dias sem água. Edifícios pestilentos. Falta de tudo. Desesperança crónica. Inércia paralisante.

Poderia ser assim. Tudo isto verdade. E no entanto.

Na reunião de abertura, o apelo foi claro. Voz grave, incisiva. Discurso pausado, directo. “Contamos convosco.” Disse o Ministro. O compromisso é com a mudança. Na vida de milhares de mulheres e crianças. A urgência é muita – diz-nos. É preciso acelerar. Seguem-se as palavras-chave, em cascata. Visão. Estratégia. Planeamento. Implementação. Eficiência. Eficácia. Alinhamento. Colaboração. Partilha. Resultados. Impacto. Vidas salvas.

Porque não? Parece simples. Sabemos que não é.

E no entanto, faz diferença este discurso. Num país sem esperança, as palavras importam. Ainda mais talvez. Uns diriam que não. Que não é de vocábulos que precisamos. É de acção. Discordo. Não tem que haver escolha. Podemos ter ambos. O discurso importa. O tom ainda mais. A perceção de genuinidade. Vem sobretudo dos poros. Não da voz. Mas também da voz.

Na Serra Leoa vislumbro uma luz. De esperança. Um brilho inscrito no olhar preso no futuro. É já uma vontade colectiva. A querer mudar o curso da história. Não são todos ainda. Não chega, por agora. Mas são já alguns. Algumas. Sobretudo elas, as mulheres. Sempre as mulheres. Uma força que vem não sei de onde. Talvez da origem do mundo. Da terra vermelha deste continente. Do útero que nos trouxe aqui. Uma coragem que não se diz. Sente-se apenas. Muito forte. Nas entranhas da mudança que lavram todos os dias. Incansáveis. De dentes cerrados.

Estava ali, na secretária dela. Mesmo ao lado do monitor. A moldura. O retrato difuso. A citação em letras gordas. “A mudança não virá se esperarmos por outra pessoa ou por um outro tempo. Nós somos aqueles de quem temos estado à espera. Nós somos a mudança que procuramos.” O rosto de Barak Obama.

Nunca saberei o que verdadeiramente as move. Líderes num país sem destino que se aponte. Mesmo quando pergunto. E me respondem. Fico sem saber. Há sempre mais no que não é dito. É o que sinto. Que talvez nem mesmo elas saibam. Não é uma questão que se coloquem. Entregam-se tão somente a uma nova sina. Feita de entrega aos seus. A quem inspiram. E a todos nós. Que com elas aprendemos o dom do Amor.

 

Luís Castanheira Pinto é licenciado em economia, tem-se dedicado às questões do conhecimento, aprendizagem e desenvolvimento de competências e trabalha no Banco Mundial, em Washington DC (Estados Unidos). É casado e pai de três filhos. Viveu anteriormente no Porto, Lisboa, Bruxelas e Copenhaga.

 

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