Uma metáfora da condição humana na obra de um escultor iemenita, para ver em Bragança

| 30 Out 19

 

A obra do escultor Zadok Ben-David (Iémen, 1949) pode ser vista em Bragança até 10 de Novembro.

 

Uma verdadeira metáfora da condição e da comunicação humanas é como se apresenta a obra do escultor Zadok Ben-David (Iémen, 1949), em exposição no Centro de Arte Contemporânea Graça Morais (Bragança) até ao dia 10 de Novembro (depois de prolongada a data inicialmente prevista para o fecho).

No conjunto escultórico formado por mais de 4000 figuras humanas, que o autor da obra “viu, mas nunca conheceu”, é possível confrontar diversidade e singularidade, dinamismo e quietude, multidão e solidão.

E é nessa mesma condição humana que somos convidados a parar, dirigindo sobre a mesma um novo olhar, que favoreça a pedagogia de cada instante. “Perdidos” no meio da multidão, somos portadores de uma história única, pessoal e intransmissível. Os detalhes que nos “isolam”, são também as características que nos tornam singulares e irrepetíveis.

Mais do que vivermos alheados num mundo de desconhecidos que vivem desconectados, precisamos de dar o salto dialógico descobrindo a areia sobre a qual caminhamos. Uma ética do cuidado, que coloca cada pessoa no centro de um universo feito de pessoas que caminham na direção de outras pessoas.

O conjunto escultórico completa-se no trabalho em vídeo do mesmo artista que, sob o título “Conversation Peace”, aborda a metáfora da comunicação e da natureza humana, no seu frágil equilíbrio e na busca permanente da harmonia e da verdadeira essência do ser.

Zadok Ben-David – People I saw but never met (Pessoas que vi mas nunca conheci)

Centro de Arte Contemporânea Graça Morais (Rua Abílio Beça, nº 105 – Bragança). De terça-feira a domingo, das 10h às 18h30; encerra às segundas-feiras.

Informações: Centro de Arte Contemporânea Graça Morais; tel. 273 302 410; centro.arte@cm-braganca.pt

 

Dina Pinto é professora de Educação Moral e Religiosa Católica em Bragança

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