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[Entre Margens]

Uma organização mafiosa no coração da Igreja?

| 26/03/2026

O Papa Leão XIV encontrou-se há dias com Gareth Gore, autor do livro Opus. Engenharia financeira, tráfico humano e ascensão da extrema-direita no seio da Igreja Católica (edição Clube de Autor, 2025).

Por coincidência acabei de ler o livro muito recentemente, e fiquei com a impressão de que ele me veio aclarar muitas dúvidas e questões. Gareth Gore apresenta a prelatura da Opus Dei como uma seita com acentuados contornos criminais, parcamente cristã; uma espécie de grupo marginal ultraconservador, aliado à agenda de outras grandes organizações de extrema-direita (como o movimento MAGA, nos EUA) que têm procurado influenciar o poder político, económico e judiciário através de métodos muito pouco ortodoxos com o objetivo de pôr em prática políticas avessas aos progressos sociais que as sociedades modernas, a custo, alcançaram.

A Opus Dei já respondeu num longo documento de 100 páginas, contestando as acusações e refutando-as como falsas.

Mas aqui atenho-me ao livro.

 

As origens

Gore apresenta, ao longo do livro, elementos da história da organização e de muitos casos em que ela e os seus membros se têm envolvido: desde a sua origem, a Opus Dei apresenta deformidades fundamentais quanto aos objetivos a alcançar, aos meios usados e à organização interna. Foi fundada por José Maria Escrivá (1902-1975), padre espanhol a quem muitos apontam graves distorções de personalidade: ambicioso, calculista, arrogante, vaidoso e pretensioso, achava-se legitimado por Deus para todo o tipo de ações, mesmo aquelas cujas anomalias éticas e legais eram evidentes. Profundamente manipulador, pretendeu, desde o início, controlar as consciências dos que foram aderindo ao seu movimento ultraconservador. Visceralmente misógino, foi apenas por motivos táticos e não por convicção que aceitou mulheres nas fileiras da organização.

O contexto político em que se desenvolveu a fundação da Opus Dei foi-lhe bastante favorável. O franquismo vitorioso foi o terreno fértil para a sua atuação. Claramente partidário do ideário fascista, anticomunista primário, antissemita e negacionista do Holocausto, Escrivá prosperou no seio do autoritarismo franquista com o qual colaborou amplamente. Exigia também ele, tal como Franco, obediência incondicional. Nunca se privou de viver no luxo, embora impusesse aos membros um voto de pobreza extrema.

José Maria sofria da paranoia do controlo. Tinha de estar a par de tudo o que se passava, por mais insignificante que fosse. Para levar por diante este seu desiderato, chegou ao ponto de mandar instalar microfones pelas várias divisões da residência sede, em Roma, para ter conhecimento de todas as conversas, gravando-as sem consentimento das vítimas. Mas não se ficava por aqui. Também promovia sevícias e maus-tratos, abusos psicológicos de todo o tipo e ameaças à desonra pública e à família de todo o numerário que se atrevesse a pôr em praça pública os podres da instituição.

 

A estrutura hierárquica do sistema

Papa Leão com Gareth Gore no Vaticano, 16 março 2026. Foto Vatican Media

O jornalista Gareth Gore com o Papa Leão: Papa quis ouvir o resumo das acusações feitas no livro. Foto © Vatican Media

De acordo com a vontade do fundador, a Opus Dei – cujo objetivo declarado, mas não efetivamente o único, era a “santificação do trabalho e do quotidiano” – tem dois tipos de membros: os numerários, que constituem o núcleo mais importante, e os supranumerários. Os membros do primeiro grupo, constituído por padres ou leigos, estão sujeitos aos votos de castidade, pobreza e obediência estrita à hierarquia da organização; vivem em casas da Opus Dei e têm de prescindir dos seus salários em benefício da estrutura. São recrutados de forma bastante agressiva e, sobretudo, no âmbito das classes mais altas da sociedade. Cada numerário é obrigado a ser, ele próprio, um angariador de novas “vocações” junto de estudantes universitários ou mesmo jovens e adolescentes das escolas afetas à Opus Dei.

A organização obedece a uma hierarquia estrita: no topo, estão os eleitores; o segundo lugar é ocupado pelos restantes numerários; num patamar mais abaixo estão os supranumerários (gente com família, geralmente rica e ultraconservadora, que é simpatizante e fonte de recursos financeiros através de doações); por último, as mulheres numerárias de baixa condição social e sem habilitações académicas, inteiramente reduzidas ao estado servil.

 

Que religiosidade e que valores são propostos?

A religiosidade promovida pela organização é essencialmente sacrifical e inclui maus-tratos pessoais como o uso de cilícios e autoflagelações e, no caso das mulheres, dormir em tábuas de madeira ou tomar banhos com água fria.

Adepta de formalismos rituais ultrapassados – como o ritual da missa em latim, pré-Vaticano II –, reduz essencialmente a religião a um sacramentalismo formalista, de grande aparato litúrgico, mas desligado da vida concreta. Os abusos espirituais somam-se e vão desde a proibição de os membros se confessarem a padres que não pertençam à instituição (ao arrepio do direito canónico), a obrigatoriedade de serem orientados por um diretor espiritual da própria instituição – que anota todo o tipo de informações pessoais e as partilha com os superiores hierárquicos de modo a poder ser exercido controlo estrito sobre as consciências –, a proibição de saída da residência, etc.

No que se refere aos valores defendidos e amplamente propagados através de poderosos lóbis e grandes somas financeiras, Gore apresenta a Opus como uma instituição que se move no terreno movediço do conservadorismo e da luta sem tréguas contra os valores liberais da sociedade contemporânea. Os seus grandes combates incluem a proibição total do aborto e do uso de todo o tipo de métodos anticoncecionais, o regresso às sociedades patriarcais (que eles chamam “cristãs”), nas quais a tarefa social da mulher está confinada ao cuidado da família, devendo obedecer cegamente à vontade do marido, o apoio explícito a regimes políticos de direita ou mesmo de extrema-direita.

Torna-se claro, tanto nas orientações do fundador, como na atuação da instituição, que o valor essencial não é a liberdade de cada pessoa, fundada na dignidade inerente à condição humana, mas a obediência estrita e acrítica ao líder supremo. Para além das lutas mencionadas, a Opus investe na perseguição à comunidade LGBT+, fazendo lóbi contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo e promovendo a adoção sistemática das chamadas “terapias de conversão”, fundadas numa antropologia distorcida e sem qualquer base médico-científica.

 

Servir a Deus ou ao dinheiro?

Capa livro Opus Gareth Gore

A capa do livro.

Toda a pertença à Opus Dei está orientada para a recolha sistemática de fundos para a expansão da própria organização. Não é o Evangelho que está no centro, mas uma agenda caduca, ultraconservadora, que, para ser imposta, necessita de grandes somas financeiras, e o sucesso internacional da organização, cuja expansão depende da recolha constante de avultados recursos financeiros. É assim que os numerários prescindem do seu salário a favor da instituição, os supranumerários prescindem de 10% dos seus rendimentos (o dízimo não é exclusivo dos grupos evangélicos!) e todos eles têm como finalidade o recrutamento de gente bem posicionada socialmente com o objetivo de avolumar os recursos financeiros da instituição. A autorreferencialidade no interior da Igreja de que falava Francisco tem o seu epítome na Opus Dei!

Os numerários são incitados a recolher abundantes somas de fundos, ainda que tenham de usar métodos claramente puníveis por lei. No mundo da Opus Dei, os fins justificavam os meios! Esta perspetiva torna-se evidente quando são analisadas as manigâncias que certos numerários com posições dominantes em determinadas empresas (sobretudo na grande fonte de receitas de muitas décadas: o Banco Popular de Espanha) concluíram, através do desvio de verbas para benefício da instituição.

Tudo era possível, desde que os cofres da instituição estivessem recheados: trair amigos ou a própria família ou violentar a própria consciência. Não admira que muitos numerários desenvolvessem doenças psíquicas, derivadas da clivagem entre os valores do Evangelho que, em princípio, abraçavam e a perversidade da atuação concreta que eram estimulados a realizar para benefício da Opus Dei e do seu ambicioso fundador. Mas a autorreferencialidade da instituição não se fica por aqui. Os numerários que desenvolviam patologias psíquicas eram incitados a ser observados exclusivamente por psiquiatras da instituição, sendo-lhes prescrita medicação psiquiátrica sem uma análise séria dos problemas que desencadeavam a patologia, perpetuando assim o estado de dependência patológica.

Muitos aderentes acabaram por abandonar a instituição por não concordarem com os métodos imorais utilizados e com o foco principal na angariação de fundos financeiros. O poder e a riqueza sobrepujavam a promoção da vida espiritual! A estratégia da instituição para obviar à debandada de numerários era a sua sujeição financeira, profissional e espiritual. Um elemento que “voluntariamente” prescindisse do seu salário durante anos a fio, podia sair da instituição sem qualquer retaguarda financeira que lhe permitisse fazer face à nova situação pessoal.

 

Fugir às responsabilidades

Manuel Cociña y Abella, Opus Dei, Foto Direitos Reservados

Manuel Cociña y Abella (centro) foi o primeiro padre da Opus Dei a ser condenado por abusos sexuais pela Santa Sé, em 2020: Gore acusa membros da instituição de fugir às responsabilidades. Foto: Direitos Reservados.

Mas a Opus Dei, descreve ainda Gore, sabia como usufruir dos benefícios do sistema e ao mesmo tempo estar a salvo de qualquer responsabilidade que as suas maquinações pudessem desencadear. Em vez de receber diretamente as avultadas somas financeiras que fluíam para os seus projetos megalómanos, foram criadas propositadamente redes de empresas e fundações de fachada cujo objetivo era gerir essas somas sem que a Opus Dei fosse alguma vez identificada como beneficiária direta. À frente delas, estavam invariavelmente numerários de confiança de modo a que o tráfico de montantes avultados, o recurso à mentira e a meios ilegais nunca pudessem ser assacados à instituição propriamente dita.

Esta mesma estratégia será usada também para a instituição se libertar de qualquer responsabilidade legal face aos numerários que se desvinculam e pedem indemnizações justas, bem como às vítimas de abusos sexuais.

 

Luta pelo prestígio

Um dos aspetos que melhor espelha a distorção de valores que está na origem da Opus Dei, segundo o livro de Gareth Gore, é a sua luta pelo prestígio no interior da Igreja. Durante o papado de Paulo VI, a Opus Dei foi reconhecida canonicamente como instituto secular. Porém, como havia muitos outros, esse enquadramento legal não servia a vaidade dos sucessivos líderes e a situação de prestígio e privilégio a que aspiravam. A pressão sobre o Vaticano para atribuir outro enquadramento canónico foi constante. Paulo VI resistiu, ciente das vulnerabilidades éticas da instituição.

Tudo muda com a eleição de João Paulo II. A agenda deste papa coincidia no essencial com a da Opus Dei. Conservador e anticomunista primário, João Paulo II verá na Opus Dei (e noutras organizações similares, como os Legionários de Cristo) o seu braço “espiritual” espalhado pelo mundo. Embora as estruturas do Vaticano resistissem, o papa rapidamente intervém para oferecer à instituição o que Paulo VI lhe havia negado sistematicamente: o privilégio de ser a única com enquadramento jurídico específico. Não só a elevou à condição de prelatura pessoal como aceitou de bom grado que o cargo de liderança fosse exercido por um bispo, distanciando assim a Opus Dei da obediência aos bispos diocesanos. Transforma-se, por isso, numa espécie de igreja autónoma no interior da Igreja universal e do espaço particular de cada diocese. Sob a batuta do mesmo papa, ocorrerá a duvidosa canonização do fundador, um ambicioso fascista que pouco ou nada se interessava pelas camadas mais desfavorecidas da sociedade. É assim que um papa conservador dá o seu suporte a uma instituição sem elevação moral em troca do seu contributo para a implementação de uma agenda antimoderna, antipluralista e autocrática.

A eleição de Francisco fará, de novo, tremer a organização. Bem ciente do que a Opus Dei representava no interior da Igreja, o papa recusa elevar ao episcopado o atual líder, após a morte do anterior, e exige que a instituição altere os seus estatutos, uma vez que eles permitem todo o tipo de abusos e mesmo de infrações ao próprio direito canónico. Os dirigentes vão protelando a alteração, realizando pequenas e inócuas mudanças ao texto. Mas Francisco não desarma e, pouco antes de morrer, procede à modificação da sua condição canónica. Infelizmente, a sua morte impediu que a reforma fosse concluída. Espera-se, contudo, que Leão XIV leve a bom porto o que Francisco corajosamente iniciou.

 

A problemática relação com os jovens

Grupo de jovens celebra dia de S. Josémaria Escrivá. Foto Clube dos Arcos

Um grupo de raparigas celebra o dia de S. Josemaria Escrivá. Foto © Clube dos Arcos

Um pouco por todo o mundo, as residências universitárias afetas à Opus Dei impunham um estilo de vida que não era do agrado da maior parte dos estudantes. Os métodos de controlo dos costumes transformavam os universitários numa espécie de monges sem hábito nem vocação. As raparigas não podiam visitar as residências para rapazes; a partir de uma certa hora, todos estavam impedidos de sair da residência; as pressões para aderirem à Opus Dei raiavam o abuso de consciência. Os conflitos com os estudantes não tardaram.

A instituição decidiu, então, redirecionar o seu campo de ação para camadas mais jovens, mais moldáveis às pressões para aderir a uma forma de vida claramente desadaptada em relação ao tempo. Foram abertos colégios sob o mesmo regime inflexível de valores. Mas o abuso espiritual, expresso num controlo férreo das consciências, e mesmo o abuso sexual de menores trouxe perturbações severas à vida da instituição. No entanto, em vez de atacar o problema de frente e corrigir os erros, a Opus Dei preferia negar a situação e mudar simplesmente os numerários (padres ou leigos) de local, sem qualquer julgamento justo e atenção às vítimas e sem sequer lhes impor a proibição de contacto com menores nas tarefas a desempenhar. Tudo prosseguia como se nada tivesse acontecido. E quando a instituição foi intimada a assumir as suas responsabilidades, descartou-se delas porque o seu nome nunca figurava explicitamente em nenhuma daquelas atividades, sendo todas organizadas por empresas fantasma que serviam (e servem) de suporte à desresponsabilização da Opus Dei.

A mais comum das manipulações consistia em convidar jovens a participar em campos de férias sem que lhes fosse revelado que tal evento pretendia simplesmente aliciá-los a integrarem as fileiras da instituição. Todas as manipulações e enganos são aceites quando está em jogo aumentar o poder da Opus Dei.

 

A redução à condição de servidão

Opus-Maria Angústias Moreno

María Angústias Moreno, uma das dissidentes espanholas da Opus Dei. Foto: Direitos reservados.

Talvez a situação mais escabrosa apontada por Gore seja a das numerárias de origens pobres e sem escolarização sólida. O recrutamento destas raparigas era feito em bairros carenciados ou em países pobres. Eram aliciadas a integrar escolas de formação profissional de modo a poderem ascender socialmente. Para tal, tinham de integrar a instituição e adotar os seus valores e as suas formas de vida, tornando-se numerárias. A sua situação concreta, porém, nunca configuraria qualquer ascensão social. Viviam em residências da Opus Dei, adjacentes às residências de numerários de primeira categoria, de modo a realizarem todo o serviço doméstico, gratuitamente e num horário de trabalho que chegava às doze horas diárias, sete dias por semana, sem folgas nem feriados. Estamos claramente perante uma moderna forma de escravidão e de tráfico de seres humanos, arrancados aos seus locais de origem para exercerem trabalho não remunerado numa dada instituição. “A exploração, o abuso de poder e a falta de direitos básicos eram explicados como ‘sacrifícios’ entregues a Deus” (p. 278). A sua situação de servidão efetiva ia ao ponto de lhes ser vedada a possibilidade de saírem das residências, até para passearem pela povoação em que a residência se inseria, e de serem sujeitas a todo o tipo de tratos desumanos. A dependência económica e espiritual e a distância em relação às famílias tornam praticamente impossível qualquer rebelião ou abandono da Opus Dei.

Apesar de todos os constrangimentos, algumas destas numerárias reuniram forças para se desvincularem e recomeçarem as suas vidas longe das amarras a que estavam sujeitas. A luta por uma justa indemnização dos anos que tinham passado a trabalhar gratuitamente e pelo pagamento da segurança social, que não tinha sido realizado, será uma longa via-sacra. A estratégia da Opus Dei é sempre a mesma: as numerárias nunca foram oficialmente empregadas da instituição e não existe qualquer contrato assinado!

Entretanto, um grupo de numerárias consegue organizar-se na Argentina e levar a tribunal a instituição sob a acusação de tráfico de seres humanos. Um processo que a poderosa organização gere com todos os meios jurídicos e não jurídicos à sua disposição! No capítulo 14 do seu livro, Gore descreve com pormenor toda esta saga lastimável.

 

Perguntas sem resposta?

Fernando Ocáriz, Prelado do Opus Dei, em audiência com o Papa em novembro de 2022. Foto © Vatican Media

O prelado da Opus, Fernando Ocáriz, com o Papa Francisco em Novembro de 2022: O que vai a hierarquia da Igreja fazer? Foto © Vatican Media

Pode parecer deslocada uma leitura como a que Gore faz sobre a Opus Dei, já que em Portugal a instituição, apesar de ter várias organizações, será talvez menos influente do que em Espanha, Itália, Estados Unidos ou Peru, por exemplo. Mas o livro de Gore, bem fundamentado e muito documentado, deixa-nos com muitas perguntas: O que haverá de autenticamente cristão num organismo assim? Que valores éticos se revelam numa atuação que aparenta ser manipuladora e maquiavélica? Onde poderemos vislumbrar o amor ao próximo, sobretudo aos mais desfavorecidos da sociedade, que o cristianismo fomenta desde a sua génese?

Deve a Igreja permitir que uma organização deste calibre continue a desenvolver a sua ação como se fosse apenas uma entre muitas outras instituições católicas?

O respeito pela liberdade individual, a tolerância em relação a perspetivas que não coincidem com as nossas e a promoção do pluralismo são valores essenciais, inscritos nas principais declarações de direitos humanos. A Opus Dei, pelos vistos, nunca revelou qualquer apreço por tal universo de valores.

Uma outra pergunta torna-se, portanto, relevante: devemos nós ser tolerantes com os inimigos da tolerância? Assim como, nos sistemas democráticos, os defensores da liberdade não podem tolerar os detratores da liberdade, também no interior de instituições concretas, mesmo religiosas, não é possível compactuar com grupos organizados que se consideram na posse da verdade total e combatem todos os outros por não seguirem as suas formas de encarar a vida. Não há maior loucura do que reduzir o ser humano a um mero executor de ordens alheias, subtraindo-lhe todo o espírito crítico e obliterando-lhe toda a liberdade. Como é evidente no livro de Gore, parece que a Opus Dei defende e promove exatamente essa insanidade!

 

Opus. Engenharia financeira, tráfico humano e ascensão da extrema-direita no seio da Igreja Católica
Autor: Gareth Gore
Edição: Clube do Autor, 2025
416 páginas, 22,00 €

 

Jorge Paulo é católico e professor do ensino básico e secundário.

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