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Entre Margens

Uma paróquia para imigrantes? Sim ou não?

| 03/07/2025

 

A Diocese de Setúbal, por decisão do seu bispo, o Cardeal Américo Aguiar, que se diga faz o favor de ser meu amigo, decidiu criar uma paróquia para imigrantes. Confesso que me assaltou logo uma dúvida: é uma Exclusão ou uma Inclusão? Recorri a um amigo de infância erudito na Inclusão para saber da sua opinião. Continuei a ficar com dúvidas, embora compreendendo a boa-vontade de Américo Aguiar. Lembrei-me de tantos filhos de emigrantes que frequentam as nossas escolas e nem por isso alguém se lembrou de “escolas para imigrantes”, antes os colocam em condições particulares, principalmente de língua e cultura, nas escolas oficiais. Também me lembrei das suas culturas que não podem ser desperdiçadas, antes constituindo um reforço para a nossa própria identidade cultural, pela absorção da interculturalidade. Não constitui uma destruição das suas culturas, mas antes do enriquecimento da nossa. Se a cultura é a identidade de um povo a interculturalidade constitui a cultura do nosso planeta, desde que saibamos respeitar as culturas próprias. E o nosso povo português sabe muito bem isso! Se tivermos consciência de que tantos missionários levaram o colonialismo feroz a outros povos, sabemos, porém, de quantos souberam a respeitar e a defender como António Vieira ou até Bartolomeu de Las Casas. Mas se as entidades oficiais do nosso Portugal não criam escolas para imigrantes, como a igreja portuguesa, neste caso da Diocese de Setúbal, criam paróquias para imigrantes? É verdade que em outros países foram criadas comunidades para os imigrantes portugueses em tantos países.

Integração dos migrantes na educação, emprego e inclusão social. Foto ©  Programa “Pessoas 2030” (cofinanciado pela União Europeia)

A criação de comunidades cristãs para imigrantes é inclusiva se permanecer de portas e janelas abertas a todos e todas e se for um marco de culturalidade para toda a Diocese, se forem respeitadas as suas identidades próprias e se se constituir temporalmente. Não me parece “um erro” a sua constituição se constituir uma “libertação” para a não exclusão. É, digamos, um recebimento de pessoas que ainda não estão integradas suficientemente bem na nossa vida diária. Não poderá constituir um “prisonamento” das suas convicções e do seu modo e costumes de estar na vida. Portugal é um país acolhedor e bem precisamos de imigrantes, mau grado os “populismos” existentes na sociedade portuguesa estarem a destruir as nossas relações: “o populismo é uma moeda falsa”, no dizer do bispo de Roma e Papa Francisco.[i]

Mas pode ser uma Exclusão da sociedade portuguesa a constituição de nichos constituídos sem uma temporalidade e desinseridos da nossa cultura, sem que nós ou eles possamos compartilhar os valores da diversidade que conduzem à unidade. Os valores da sua existência enquanto povos imigrantes podem desvalorizar a riqueza que se traduz no ensino que nos podem trazer, assim como não absorver as nossas vivências enquanto povo.

Exclusão ou Inclusão, eis a questão!

[i] Petrini, Carlos. “O futuro da terra – Diálogos com o Papa Francisco sobre Ecologia Integral”, Editora Casa das Letras. 2021.

 

Joaquim Armindo é diácono católico da diocese do Porto, doutorado em Ecologia e Saúde Ambiental.

 

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