Uma pedagogia ao serviço da paz e da não-violência

| 23 Fev 20

Suscitar nos jovens uma atitude de inconformismo, uma ação enérgica e um compromisso vital em prol da justiça, da paz e dos direitos humanos é não só um desafio fundamental, mas urgente. A paz há-de dar frutos se encetarmos uma verdadeira pedagogia da não-violência. Uma não-violência que, mais do que nunca, deverá derrubar os discursos do ódio, do racismo e da intolerância. Uma não-violência que (trans)forma as relações humanas, que promove o autodomínio e recusa todas as formas de conflitualidade destrutiva.

Uma das dinânimas de sensibilização para a paz e a não-violência, no Agrupamento de Escolas Abade de Baçal. Foto © Dina Pinto

 

No dia 30 de janeiro celebrou-se o Dia Escolar da Não-Violência e da Paz e este foi o mote escolhido pela disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica do Agrupamento de Escolas Abade de Baçal (Bragança) para levar a cabo iniciativas indutoras de uma cultura de paz, assentes na pedagogia da não-violência.

Com o número 30, que recorda a memória do grande mentor da doutrina da paz e da não-violência – Mahatma Gandhi – sintetizámos em cinco “pês” a pedagogia da Paz:

Plantação do Jardim da Paz – Com a oferta de trinta oliveiras ao agrupamento, por parte de uma empresa local, cada turma abraçou o desafio de plantar a sua oliveira da paz. Uma oliveira que, incrustada no espírito de um pacifista, há de inspirar cada turma a cultivar iniciativas geradoras de paz, assegurando a união e comunhão de alunos de diferentes anos e escolas que compõem o agrupamento. Os alunos mais velhos não só cuidarão do jardim que os mais novos hão de herdar, mas, com esse mesmo gesto de corrente solidária, lançam as sementes pela paz global e sustentável.

Os alunos lançam as sementes pela paz global e sustentável, plantando 30 oliveiras. Foto © Dina Pinto

 

Pessoas – São as pessoas o centro do que é verdadeiramente humano e são elas as verdadeiras construtoras da paz. Lembrar pessoas que, através do seu exemplo, foram verdadeiros arautos de paz mostra que “a paz é cada um que a faz”. Concomitantemente, cabe a cada turma disseminar o pensamento e a ação que cada pacifista inspira e o potencial que transporta ao mundo de hoje. Recordar e reviver estes testemunhos e deles dar eco faz com que os caminhos da paz sejam mais facilmente percorridos.

As palavras e os pensamentos – As nossas convicções, os nossos valores e as nossas atitudes começam, em primeiro lugar, bem dentro dos nossos corações. E a sua força advém, também, do eco que lhes damos. Levar a concretizar, por meios das palavras e pensamentos dos grandes ativistas/pacifistas, pequenos gestos em prol da paz e da não-violência permite ir lançando as sementes de uma autêntica pedagogia da paz e dos Direitos Humanos.

Poemas e pinturas de paz – As diversas formas de arte sempre foram uma via para os mais altos valores civilizacionais. Despertar, para além das estrofes e dos versos de cada um dos trinta poemas e pinturas, o sentido estético das atitudes e dos gestos que dão cor, sentido e harmonia à vida, ajudará a “fazer da própria vida um lugar de beleza”.

Pombas – Como é próprio da linguagem simbólica, procurar re-unir o significante e o significado, a comemoração deste dia culminou com o lançamento de duas pombas em cada escola, como que a recordar que a paz brota da simplicidade, da beleza e da liberdade e, tal como a ave, em pleno voo, une a terra e o céu, assim também toda a educação que visa a paz nos une numa só irmandade universal.

Recordando, novamente, o arauto da Paz e da Não-Violência, “não há caminho para a paz, a paz é o caminho” (Mahatma Gandhi).

 

Dina Pinto é professora de Educação Moral e Religiosa Católica em Bragança

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