Ciclo de debates online

Uma polifonia de vozes sobre a história silenciada das mulheres no cristianismo

| 6 Mai 2024

Beguinas

Cecil Jay, As Beguinas de Goes (1900). Ilustração reproduzida da Wikimedia Commons.

Um ciclo de conferências com o título genérico “História das Mulheres: Vozes de uma polifonia” tem início nesta terça-feira, dia 7, via zoom, com a ideia de debater as questões da invisibilidade da mulher na História e no cristianismo. “A história das mulheres tem estado envolta em silêncios e tem sido pautada pela escassez das fontes, pela inexpressividade de discursos autógrafos, pela inaudibilidade da actualmente tão glosada ‘agência feminina’”, diz ao 7MARGENS Luísa Jacquinet, professora na Universidade Autónoma e principal responsável pela organização deste ciclo.

As quatro conferências decorrem nos dias 7, 17 e 28 de Maio, e 14 de Junho, sempre a partir das 18h30 e via zoom, cujo endereço será enviado a quem se inscreva, para cada um dos debates, na página da Universidade Autónoma e, concretamente, da Autonoma Academy.

As autobiografias femininas, os percursos da mística Juliana de Norwich e das beguinas medievais ou as letras femininas em livrarias monásticas são os temas das intervenções previstas. “A iniciativa surge directamente da minha recente experiência na leccionação da disciplina de História das Mulheres. Tomando como mote um dos seus pressupostos teóricos – a invisibilidade da mulher na História –, lembrei-me de dar voz a temas menos sonantes no contexto dos ‘estudos de género’ e, simultaneamente, a autores não necessariamente consagrados a essa área disciplinar”, explica a organizadora. “Tentei, enfim, aproximar mundos, cruzando-os: o da religião – presente nos temas e, em grande medida, na formação dos palestrantes – e o do público académico e dos demais” interessados.

Depois de, nos tempos mais recentes, ter atraído “o interesse de muitos e instituindo-se como campo de estudos autónomo”, a história das mulheres “harmoniza-se hoje numa diversidade de vozes cuja riqueza urge revelar, nos múltiplos aspectos pelos quais o ‘feminino’” adquire vários tons, “na multiplicidade de leituras, formações e sensibilidade daqueles que os evocam”, acrescenta Luísa Jacquinet, professora no Departamento de História, Artes e Humanidades da Autónoma, consultora em património histórico e tradutora.

Entre os intervenientes, está a teóloga espanhola e colaboradora do 7MARGENS, Cristina Inogés Sanz, que falará no dia 28 sobre as “beguinas, as grandes desconhecidas”. No dia 17, o padre e teólogo António Martins, professor na Universidade Católica e capelão da Capela do Rato, intervém, sob o tema “Resistir ao caos através da esperança” acerca de Juliana de Norwich, a mística inglesa medieval (1342-1416), autora do primeiro livro escrito em língua inglesa. A última conferência (14 de Junho) será com a historiadora e docente universitária Rosa María Alabrús Iglesias que fará um percurso histórico pelas “Autobiografias femininas”. Nesta terça-feira, 7, a primeira conferência, sobre “A Galeria das Letras Femininas nas livrarias monásticas de S. Miguel de Refojos e S. Salvador de Vairão”, estará a cargo da historiadora Ana Isabel Líbano Monteiro.

 

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