Igreja Católica – que caminhos de futuro? (Debate – 7)

Uma resposta nascida de todos

| 8 Abr 2023

O catolicismo vive uma crise profunda, apesar de continuar a ser para muitas pessoas um espaço vital de busca de sentido e experiência de fraternidade. As situações de abusos de poder e violências sexuais vieram evidenciar problemas sistémicos. Em Portugal, depois de terem criado uma Comissão Independente (CI) para estudar os abusos sexuais sobre crianças, os bispos ficaram na indefinição sobre o que fazer com o panorama posto a nu pelo relatório da CI. Perante a perplexidade que tomou conta da sociedade e de muitos crentes, o 7MARGENS convidou católicos a partilhar leituras da situação e propor caminhos de futuro, a partir de três perguntas:

  1. Quais são os pontos que considera centrais nas medidas a assumir agora pela Igreja, para ser fiel ao Evangelho e ser testemunho de Jesus Cristo na sociedade? A quem cabe concretizar e liderar a aplicação de tais medidas?
  2. Considera que faria sentido que os batizados se encontrassem e se escutassem sobre essas tarefas e desafios que se colocam à comunidade eclesial, a nível diocesano e/ou nacional? Como? De que formas?
  3. Que contributo(s) estaria disposto a dar para que a Igreja, os católicos e as suas comunidades adotem um caminho centrado no Evangelho em ordem a superar a prática de abusos?

 

Estar atento aos sinais de jovens e famílias

 

 Nesta sétima resposta, Nuno Sobral Camelo, leigo católico da diocese de Évora, diz que a Igreja terá de assumir a debilidade feita com a vida das pessoas envolvidas, abusados e abusadores.

“A Igreja terá de assumir esta debilidade feita com a vida das pessoas envolvidas, abusados e abusadores. Não será possível reparar o que já aconteceu, pois ao sofrimento causado não se subtrai dor.” Foto © Ulrike Mai /Pixabay

 

1. A Igreja é porto de abrigo em todo o tempo e por essa razão terá de estar sempre disponível para abrigar quem se encontra desprotegido, vulnerável, perdido, e não tirar partido dessa condição, em momento algum. A vida coloca-nos perante uma constante de condições e condicionantes que nos definem e que nos vão construindo; por isso a Igreja, composta por todos os batizados, está e tem estado sujeita a um conjunto de situações que são do mundo, mas terá que fazer diferente do que faz o mundo.

A Igreja terá de assumir esta debilidade feita com a vida das pessoas envolvidas, abusados e abusadores. Não será possível reparar o que já aconteceu, pois ao sofrimento causado não se subtrai dor. No entanto, assumindo a atitude de conhecer para melhor agir, a Igreja que somos todos, terá de, de forma muito vivível e enérgica, garantir que não voltará ninguém a tentar abusar do outro, mais do que evitar que alguém seja abusado por existirem pessoas com propensão para abusar.

Quem abusa não pode ser simultaneamente Igreja, e quem faz a Igreja terá de conhecer muito bem os seus, em contínuo, para também os acompanhar, pois só assim se conseguirá garantir prevenção, proteção e salvação. Quem abusa, em algum momento do caminho lhe foi negada a possibilidade de ser salvo. Quem foi abusado, em muitos momentos do caminho não lhe foi concedida proteção suficiente.

2. A resposta tem de nascer da Igreja que somos todos e por isso todos, em todos os ambientes, em todos os territórios, teremos de zelar pela vida de um Jesus Cristo que se quer vivo e capaz de dar mais e melhor vida. Os batizados são a Igreja e se a sua vida é por Jesus, então terão de ser membros ativos em todas essas tarefas e desafios. As estruturas de todos os níveis terão de estar muito atentas no acompanhamento, formação, orientação, encaminhamento de todos os elementos que trabalham na evangelização das comunidades.

Os leigos terão de ter também um papel determinante nas dioceses, realizando uma aproximação entre a hierarquia e as comunidades e assumindo papeis de facilitadores e empreendedores locais da Igreja.

3. Os que já hoje assumo enquanto membro ativo da “minha Igreja” e da Igreja como um todo: estando atento aos sinais, particularmente presente no acompanhamento dos jovens em vários ambientes, com um trabalho próximo das famílias, com o reforço das redes de proximidade local, com um reforço de responsabilidade dos nossos jovens nas estruturas comunitárias e pastorais, combatendo o isolamento das ações, zelando pela integralidade e a integridade de tudo o que possa ser enquanto Igreja. A palavra de ordem é ser ajuda, garantir que escutamos quem precisa de ajuda e que protegemos o todo atuando em cada um.

 

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Os Cavaleiros de Colombo, maior organização leiga católica do mundo, anunciaram esta quinta-feira,11 de julho, que irão cobrir os mosaicos da autoria do padre Marko Rupnik, acusado de abusos sexuais e de poder, que decoram as duas capelas do Santuário Nacional de São João Paulo II, em Washington, e a capela da sede da organização em New Haven, Connecticut (EUA). A decisão, inédita na Igreja, surge uma semana depois de o bispo de Lourdes ter admitido considerar que os mosaicos do padre e artista esloveno que decoram o santuário mariano francês acabarão por ter de ser retirados.

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Em matéria de teologia, tendo a sentir-me mais próxima do meu neto X, 6 anos, do que da minha neta F, de 4. Ambos vivem com os pais e uma irmã mais nova em Londres. Conto dois episódios, para perceberem onde quero chegar. Um dia, à hora de deitar, o X contou à mãe que estava “desapontado” com o seu dia. Porquê? Porque não encontrara o cromo do Viktor Gyokeres, jogador do Sporting, um dos seus ídolos do futebol; procurou por todo o lado, desaparecera. Até pedira “a Jesus” para o cromo aparecer, mas não resultou. [Texto de Ana Nunes de Almeida]

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