AGENDA

SOBRE NÓS

ASSINAR

APOIAR

Uma sombra de gente a olhar a morte

| 21/10/2023

Marino Mazzacurati, "Os Horrores da Guerra", Sant'Egidio

Marino Mazzacurati, “Os Horrores da Guerra”. Obra na igreja de Santa Maria in Trastevere (Roma). Foto © António Marujo/7MARGENS

 

Quando uma guerra se instala – seja em que parte for – falhamos todos. Falhamos enquanto espécie. Falhamos por acreditar que vivemos em linha recta quando negligenciamos a evidência dos ciclos.

Primeiro, falhamos na descrença. A seguir, falhamos na indiferença. Depois, falhamos na arrogância das opiniões – dos dedos em riste apontando a vítima. Somos bárbaros fingidos. Não queremos saber, queremos apenas fingir que sabemos sem a menor cautela com os nossos irmãos. Sim, porque somos todos irmãos, não é? Deveríamos sê-lo também nos corpos dados ao manifesto, no rasgar das balas, no choro dos bebés a caminho da orfandade e nos anciãos sem direito a passagem digna.

Não me venham com tretas de conflitos internos e sempre existentes, de lavagem de roupa suja vinda dos séculos antes de Cristo, e o diabo que vos carregue mais às vossas constatações. Se lhes está no sangue, não será no sangue do povo desesperado, com certeza. E no nosso sangue? O que nos está? A passividade que destrói a paz? A indiferença? A distância? A desculpa de quem se acusa filho de Deus mas se recusa a descruzar os braços?

O que nos resta… o que nos resta já não é nada. Somos os escombros que perpetuam a desistência da vida, que nunca a souberam agarrar com a força divina. Somos o pó envergonhado dos dias depois do medo, dos dias sem nada para sentir. Somos a apatia.

Mas para fingir que não somos isto tudo, disfarçamo-nos de opiniões gélidas e sem honestidade – a preguiça de pensar e de sentir cola-se-nos sem volta a dar. Se ao menos fôssemos insónias e lágrimas exaltadas… mais malparecidos, é certo; mas ainda humanos, quase divinos. Se ao menos isso… mas não.

Assim, resta-nos ser uma sombra de gente a olhar a morte – a ajudar a morte, a causar a morte.

 

Ana Sofia Brito começou a trabalhar aos 16 anos em teatro e espetáculos de rua; Depois de dois anos na Universidade de Coimbra estudou teatro, teatro físico e circo em Barcelona, Lisboa e Rio de Janeiro. Autora dos livros “Em breve, meu amor” e ” O Homem do trator”.

 

Últimas Notícias

Últimas Notícias

“Um conselho pastoral em cada paróquia”, o desafio está lançado

Diocese de Portalegre – Castelo Branco

“Um conselho pastoral em cada paróquia”, o desafio está lançado novidade

No fim do processo, “nem um centímetro” da Diocese de Portalegre – Castelo Branco deve “ficar sem ser coberto por um conselho pastoral paroquial” (ou interparoquial se necessário e conveniente). Foi o desafio do bispo Pedro Fernandes à diocese de que assumiu a tarefa de pastor ainda não há um ano. Esta é talvez a melhor síntese do que foi a “Assembleia Diocesana”, no dia 6 de outubro, em Ponte de Sor, a que várias centenas de pessoas responderam participando de um modo ativo.

Guerras e mudanças de regime

[Entre Margens]

Guerras e mudanças de regime novidade

Já muitos se terão esquecido, ao acompanhar a trágica e intrincada evolução da guerra entre Estados Unidos e Israel e o Irão, que, no seu início, essa guerra foi apresentada como tendo por objetivo primacial o de derrubar um regime ditatorial e opressor, que há pouco tempo havia reprimido de forma violenta e mortífera a contestação de largas canadas da população sedentas de uma liberdade que essa guerra lhes haveria de proporcionar. [Texto de Pedro Vaz Patto].

7MARGENS é um jornal digital
de Religiões, Espiritualidades e Culturas

Propriedade de Associação Porta 18 [ACSFL]
R. da Páscoa, 12 – R/C Dtº – 1250-179 Lisboa | NIPC: 514 876 905
Redação Lisboa: Largo da Luz, 11, 1600-764 LISBOA
IBAN: PT50 0035 0675 0004 6941 7308 1 (CGD)

O 7MARGENS aceita e incentiva a colaboração escrita, em vídeo ou audio dos seus leitores.
Reserva-se o direito de os difundir ou não e aconselha que os textos não excedam os 4.000 caracteres.