Na Casa de Oração Santa Rafaela Maria

Uma tarde para aprender a “estar neste mundo como num grande templo”

| 21 Jun 2024

Atividade na Casa de Santa Rafaela Maria, em Palmela. Foto Irene GuiaEscravas de

A Casa de Santa Rafaela Maria, em Palmela, estará de portas abertas para todos os que queiram participar no colóquio deste sábado. Foto © Irene Guia

Estamos neste mundo, não há dúvida. Mas como nos relacionamos com ele? E qual o nosso papel nele? “Estou neste mundo como num grande templo”, disse Santa Rafaela Maria, fundadora das Escravas do Sagrado Coração de Jesus, em 1905. A frase continua a inspirar as religiosas da congregação e, neste ano em que assinalam o centenário da sua morte, “a mensagem não podia ser mais atual”, garante a irmã Irene Guia ao 7MARGENS. Por isso, foi escolhida para servir de mote a uma tarde de reflexão que contará com oradores de diferentes áreas e para a qual todos, “mesmo todos”, estão convidados. Será este sábado, 22 de junho, às 15 horas, na Casa de Oração Santa Rafaela Maria, em Palmela, e as inscrições ainda estão abertas.

“Ela escreveu esta frase nuns exercícios espirituais que fez numa fase difícil da sua vida. Entrou para o retiro um bocadinho em baixo, mas depois sentiu-se revigorada, e usou esta expressão de estar no mundo como num grande templo, e ainda acrescentou: ‘como tal, devo ser sacerdote nele e oferecer sacrifícios de louvor'”, explica Irene Guia. E sublinha: “Esta é uma frase completamente antes do seu tempo, para não dizer que é antes do nosso tempo! Nos últimos dez anos, com a [encíclica] Laudato Si’, com a Fratelli Tutti, e com tudo o que tem acontecido no mundo, esta frase ganha ainda mais sentido, e não tem de ser necessariamente uma declaração de fé”.

De resto, o objetivo do colóquio é também mostrar que “a noção do templo é muito abrangente” e que “é possível um diálogo com pessoas muito diferentes, em que podemos encontrar-nos nesta frase”, assinala a religiosa. Precisamente por isso, “no programa desta tarde, não há o protagonismo de nenhuma escrava”. As irmãs abrirão as portas da sua casa, onde querem que todos se “sintam em casa”, e estarão sobretudo no papel de escutar as partilhas daqueles que convidaram para falar neste encontro, e dos diálogos que daí possam surgir.

 

Vozes diferentes, da economia às artes, e sem esquecer os que não têm voz

Atividade na Casa de Santa Rafaela Maria, em Palmela. Foto Irene GuiaEscravas do Sagrado Coração de Jesus

As religiosas querem promover o diálogo, e que todos se “sintam em casa”. Foto © Irene Guia

A primeira partilha será a de Susana Réfega, que desde janeiro é a diretora-executiva do Movimento Laudato Si’. “Pelo facto de estar à frente deste movimento internacional, com milhares de membros, pedimos-lhe uma voz global, e algumas indicações sobre onde estamos e para onde caminhamos, bem como o seu olhar reparador”, adianta Irene Guia. Seguir-se-á Ana Mira Vaz, diretora pedagógica do Colégio Pedro Arrupe, “que se interessa muito pelo papel da interioridade na educação… e não é possível olhar para o mundo como um templo se não trabalharmos a interioridade, se a descurarmos como dimensão fundamental da educação e do crescer”.

O colóquio contará também com a intervenção de Rita Sacramento Monteiro, do movimento Economia de Francisco, que “tem sido uma construtora de pontes”. “A ela, pedimos-lhe que nos fale deste outro tipo de economia, e sobretudo desta maneira de estar na vida, estabelecendo o diálogo, que é fundamental para a paz”, refere Irene Guia.

E porque “uma reflexão destas pede artes, desafiámos também a Daniela Vieitas, atriz, que trabalhou numa ONG em Angola na área da promoção dos direitos humanos, e o João Maria Carvalho, que estudou Música, Literatura e Filosofia, faz parte da Comunidade Casa Velha, e tem tentado aprofundar a relação entre ecologia e espiritualidade”.

Completará o painel João Pereira, secretário-geral da Cáritas Portuguesa, “porque não é possível estarmos neste mundo como num templo sem falar daqueles que quase têm de pedir autorização para pisá-lo, quanto mais para estar nele como num templo: os mais vulneráveis, aqueles cuja situação por vezes que até parece negar tudo isto”, afirma Irene Guia, acrescentando: “A ele, pedimos-lhe que nos desse esse retrato, porque é necessário que também os sem voz, os descartáveis de que fala o Papa, os invisíveis, estejam neste encontro”.

 

Em agosto, exercícios espirituais com Santa Rafaela Maria

exercicios espirituais na casa velha_cartaz

Com estes diferentes contributos, as escravas pretendem, assim, “aprender a encarnar melhor nos tempos de hoje o património e experiência espiritual que Santa Rafaela Maria deixou”. Uma aprendizagem que consideram importante “para toda a gente” e por isso convidam todos a inscrever- se através do formulário disponível online, até às 10 horas deste sábado, 22 de junho.

Ainda no âmbito das celebrações do centenário da morte de Santa Rafaela Maria, haverá, de 5 a 13 de agosto, outra iniciativa aberta a todos. Trata-se dos “Exercícios Espirituais com Santa Rafaela Maria”, estes sob o mote “Humildes, humildes humildes”, que poderão ter uma duração de entre três a oito dias, e decorrerão na Casa Velha, em Ourém. As inscrições já estão abertas.

 

“Porque não eu? Sim ao diaconado feminino”

Campanha internacional

“Porque não eu? Sim ao diaconado feminino” novidade

“Ousemos finalmente sair do silêncio, nós mulheres, muitas das quais já somos diáconos por força das circunstâncias.” É o que afirmam três dezenas de organizações de mulheres de vários países, numa campanha lançada em reação ao rotundo não do Papa Francisco à possibilidade da ordenação de mulheres na Igreja Católica

Apoie o 7MARGENS e desconte o seu donativo no IRS ou no IRC

Onde estão as mulheres na música litúrgica católica?

Onde estão as mulheres na música litúrgica católica? novidade

Na música, um dos ministérios mais estruturantes da liturgia católica, este paradigma mantém-se, embora com nuances particulares: salvo algumas (felizmente, cada vez mais) exceções, o ministério do canto, domingo a domingo, é, em Portugal, sustentado maioritariamente por mulheres e a regência dos coros é, preferencialmente, entregue a homens

Agenda

Fale connosco

Autores

 

Pin It on Pinterest

Share This