Fazer uma Via Sacra na Semana Santa, que reúna os fiéis de diferentes comunidades e grupos, não é propriamente uma novidade nas paróquias de Santa Eulália de Fafe e Santa Comba de Fornelos (arquidiocese de Braga). Mas uma que inclua desafios ecológicos – além das habituais leituras bíblicas, meditações, cânticos e silêncios – vai ser a primeira vez. A “Via Sacra do Olhar pela Casa Comum” está agendada para a próxima segunda-feira, às 21 horas, com início no centro cidade de Fafe e fim no Eco Parque da Freguesia de Fornelos, e irá centrar-se não apenas nas dores de Jesus crucificado, mas também nas “dores da Criação”.
“Este ano, ao programarmos a Via Sacra interparoquial, e quando escolhemos o texto a meditar (a Via Sacra do Olhar, da autoria de Carlos Silva), pareceu-nos existir uma clara ligação entre as dores da Paixão do Senhor e as dores da Criação ou os gemidos da terra, como refere tantas vezes o Papa Francisco”, explica ao 7MARGENS o pároco José António Carneiro.
“O nosso objetivo é destacar e reforçar que, entre os cuidados do olhar que nos propõe o texto a meditar, se inscrevam igualmente o cuidado do olhar pela Casa Comum que habitamos e que também ‘geme as suas dores'”, sublinha o presbítero.

Momento da Via Sacra interparoquial realizada na Semana Santa de 2023. Foto © Paróquia de Fafe – Santa Eulália
Apesar de nunca ter sido objeto de reflexão durante a Via Sacra, o cuidado com a Casa Comum é um tema particularmente presente na ação pastoral de ambas as paróquias, assegura o padre de 44 anos. “São várias e constantes as iniciativas, mas a primeira foi dar a conhecer de modo intencional o magistério papal na encíclica Laudato Si’, com momentos diversos e públicos, nomeadamente conversas online em tempo de pandemia e presenciais depois disso”, recorda. “Fizemos também a projeção pública do documentário A Carta, e antes tínhamos proposto e feito a assinatura do Compromisso pela Casa Comum e pela Ética do Cuidado”, o qual foi subscrito por mais de mil pessoas, acrescenta.
Na Via Sacra da próxima semana, serão apresentados 14 desafios a partir da encíclica Laudato Si’, um por cada “estação” do caminho que recorda o percurso feito por Jesus até ser crucificado. A apresentação destes desafios – que vão desde evitar o desperdício de comida até à redução do uso de transportes poluentes, passando por comprar menos fast fashion e doar ou reciclar roupa – será feita pelos grupos de ambas as paróquias, “concretamente os grupos da catequese, os agrupamentos de escuteiros, os grupos de jovens, os grupos corais e a Confraria do Santíssimo Sacramento”, refere o padre José António Carneiro. Após a última estação, haverá ainda “um gesto final preparado pelos jovens, a partir da Caminhada Diocesana da Quaresma, ‘Passos de Esperança'”.
“Cremos que a ambiência da noite e o caminho inerente à proposta da Via Sacra darão um contexto propício à consciencialização pretendida”, partilha o pároco, deixando um convite à participação de todos, e ainda um apelo: “Não podemos perder de vista a compaixão por toda a vida e por cada vida”.










