Bento XVI

Uma vida de serviço inteligente à Igreja

| 4 Jan 2023

Bento XVI na celebração da eucaristia na Praça do Comércio, em Lisboa, 11 de Maio de 2010. Foto © Daniel Rocha/Público, cedida pelo autor.

Bento XVI na celebração da eucaristia na Praça do Comércio, em Lisboa, 11 de Maio de 2010. Foto © Daniel Rocha/Público, cedida pelo autor.

 

As últimas palavras de Joseph Ratzinger, na língua materna alemã, “Jesus, eu te amo” representam o essencial do seu discurso teológico, iluminam o núcleo da sua dedicação ao serviço do Evangelho, constituem a força das suas decisões, sobretudo a de renunciar ao papado.

Na viagem a Portugal, que tive a graça de preparar e acompanhar de perto, impressionaram-me os passinhos curtos do seu andar franzino, que retomo porque uma das características da sua teologia é o dom para explicar coisas difíceis, guiando-nos a mente com pequenos passos, de modo a levar-nos a compreender o que Deus quer, a aprofundar os mistérios com base firme no Evangelho, a interpretar a fé “como a forma de realização do verdadeiro ser humano no mundo de hoje”.

A genialidade de Joseph Ratzinger consiste em tornar acessível a mensagem de Jesus para orientar a vida de modo claro. Conquista a inteligência, não como teórico frio, mas porque conhece a complexidade das questões não é rápido nas respostas; antes, como mestre e sábio, oferece clareza e explicação afetuosa. A severidade intelectual conjuga-se com enorme humildade, firmemente modesto, reservado, equilibrado. Alguém lhe chamou Mozart da teologia, sempre simples e amável. O autor da clássica Introdução ao Cristianismo (1967) convenceu pela humildade e tornou o cristianismo uma fascinante alternativa social.

Bento XVI serviu para trazer a doutrina sobre Deus para as questões problemáticas do mundo moderno: relação entre fé e razão, ética e ciência, religião e política. Realiza-o sem nunca se subjugar à moda, ao pronto-a-pensar, através de um tranquilo poder de argumentação. Pensa em grande escala e não se detém em minudências. A sua orientação teológica considera a fé como um caminho, algo dinâmico e em movimento, orientada para o fundamental.

Tema central da sua mensagem teológica é a síntese entre razão e fé, capaz de transmitir sentido profundo a uma sociedade marcada por vazios e relativismo. A partir da fé, que tem precedência sobre a teologia, surge nova sensibilidade para a criação ameaçada e uma ética para um estilo de vida que tenha futuro. A verdade e o amor foram constantes do seu magistério. Dizia aos jovens: “quero mostrar que é belo ser cristão”… “ser levado por um grande amor e grande conhecimento não é um fardo, são asas”.

Foi veiculada a imagem de um inquisidor, quando se tratou de um inquiridor, pronto sempre a dar precedência à Palavra de Deus sobre o nosso pensamento. Confundiram conservador com reacionário. Quando Peter Seewald o considera um “revolucionário de caracter cristão”, certamente recorda a sua afirmação: “Não são as ideologias que salvam o mundo […] a verdadeira revolução consiste em dirigir-se radicalmente a Deus, que é a medida da justiça e, ao mesmo tempo, o amor terno. E o que poderá salvar-nos a não ser o amor?” Dizia aos cardeais: “nós não trabalhamos para defender um poder. Na verdade, trabalhamos para que os caminhos do mundo se abram a Cristo”. Realmente, classificou o primado de Pedro como “primado do amor, do serviço e do sofrimento” e contribuiu para o desenvolvimento positivo das tarefas comuns das religiões. Recordo que em 2006, no conhecido campo de concentração de Auschwitz, implorou: “grito ao Deus vivo para não ser mais possível tal coisa”.

Nasceu para a vida eterna um teólogo genial, que quis sempre ser um bom cristão.

 

Carlos Moreira Azevedo é bispo e delegado do Comité Pontifício das Ciências Históricas

 

Era uma vez na Alemanha

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No sábado 3 de fevereiro, no centro de Berlim, um estudante judeu foi atacado por outro estudante da sua universidade, que o reconheceu num bar, o seguiu na rua, e o agrediu violentamente – mesmo quando já estava caído no chão. A vítima teve de ser operada para evitar uma hemorragia cerebral, e está no hospital com fracturas em vários ossos do rosto. Chama-se Lahav Shapira. [Texto de Helena Araújo]

“As estatísticas oficiais subestimam a magnitude da pobreza e exclusão em Portugal”, denuncia Cáritas

Estudo apresentado dia 27

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Ao basear-se em inquéritos junto das famílias, as estatísticas oficiais em Portugal não captam as situações daqueles que não vivem em residências habituais, como as pessoas em situação de sem-abrigo, por exemplo. E é por isso que “subestimam a magnitude da pobreza e exclusão em Portugal”, denuncia a Cáritas Portuguesa na introdução ao seu mais recente estudo, que será apresentado na próxima terça-feira, 27 de fevereiro, na Universidade Católica Portuguesa do Porto.

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Breves

 

Sessões gratuitas

Sol sem Fronteiras vai às escolas para ensinar literacia financeira

Estão de regresso as sessões de literacia financeira para crianças e jovens, promovidas pela Sol sem Fronteiras, ONGD ligada aos Missionários Espiritanos, em parceria com o Oney Bank. Destinadas a turmas a partir do 3º ano até ao secundário, as sessões podem ser presencias (em escolas na região da grande Lisboa e Vale do Tejo) e em modo online no resto do país.

Ver teatro que “humaniza” e aprender a “salvar a natureza”? É no Seminário de Coimbra

Atividades abertas a todos

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Empenhado em ser “um lugar onde a Cultura e a Espiritualidade dialogam com a cidade”, o Seminário de Coimbra acolhe, na próxima segunda-feira, 26, a atividade “Humanizar através do teatro – A Importância da Compaixão” (que inclui a representação de uma peça, mas vai muito além disso). Na terça-feira, dia 27, as portas do Seminário voltam a abrir-se para receber o biólogo e premiado fotógrafo de natureza Manuel Malva, que dará uma palestra sobre “Salvar a natureza”. 

O princípio de Betânia

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Numa sexta-feira, seis dias antes da Páscoa, no regresso de Jericó para Jerusalém, Jesus faz uma pausa em Betânia, uma pequena aldeia a três quilómetros de Jerusalém que visitava regularmente, sendo amigo da família de Lázaro, Marta e Maria. É que no sábado a lei judaica não permitia viajar. Entretanto, um tal Simão denominado “o leproso” (talvez um dos que Jesus tinha curado) convida-o para um jantar no sábado à noite na sua casa, também em Betânia. [Texto de José Brissos-Lino]

Ortodoxos denunciam imoralidade do conluio de Cirilo com Putin e a sua guerra

Carta nos dois anos da guerra na Ucrânia

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No momento em que passam dois anos sobre a invasão russa e o início da guerra na Ucrânia, quatro académicos do Centro de Estudos Cristãos Ortodoxos da Universidade de Fordham, nos Estados Unidos da América, dirigiram esta semana uma contundente carta aberta aos líderes das igrejas cristãs mundiais, sobre o papel que as confissões religiosas têm tido no conflito.

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