
Um dos cartazes de divulgação do novo movimento cívico.
Sabia que um terço dos alimentos diariamente produzidos no planeta acaba por ir parar ao lixo, ao mesmo tempo que está a aumentar o número de pessoas e comunidades que passam fome? E que, em Portugal, se calcula que um milhão de toneladas de comida são desperdiçadas?
Foi para combater o problema do desperdício alimentar que foi constituído nesta terça-feira, 29, o Movimento cívico Unidos Contra o Desperdício, que junta a rede de bancos alimentares e outras iniciativas de aproveitamento de comida, entre muitas outras organizações de cariz socio-económico e de interajuda, do setor público e privado.
“Unidos Contra o Desperdício” nasce precisamente no Dia Internacional da Consciencialização Sobre Perda e Desperdício Alimentar, instituído pela assembleia geral da ONU, tendo sido a “primeira vez” que a efeméride foi celebrada no mundo inteiro.
O movimento, diz-se no seu Manifesto, “não visa substituir nenhum ator, dá palco a todos os que lutam ativamente contra o desperdício alimentar e quer tornar habitual o aproveitamento de excedentes, alertar para perdas e desperdícios, incentivar e facilitar a doação das sobras e promover o consumo responsável”.

“Tornar habitual o aproveitamento de excedentes, alertar para perdas e desperdícios, incentivar e facilitar a doação das sobras e promover o consumo responsável” são objetivos do movimento.
Esta iniciativa que agora ganha expressão e dimensão em Portugal inscreve-se num grande esforço que vem sendo feito internacionalmente, nomeadamente por iniciativa da FAO (Organização para a Agricultura e a Alimentação) das Nações Unidas.
O paradoxo da fome e destruição, de um lado, e da perda e desperdício alimentar, por outro, tem sido um assunto glosado e refletido pelo Papa Francisco. “É cruel, injusto e paradoxal que hoje haja alimento para todos e que nem todos tenham acesso a eles ou que existam regiões do mundo em que o alimento é desperdiçado, deitado fora, consumido em excesso ou que a comida seja destinada a outros propósitos que não são alimentares”, escreveu, numa mensagem a propósito do Dia Mundial da Alimentação, em 2019.
O Papa denuncia a lógica de mercado que tende a considerar a comida como “mero produto do comércio, sujeito a especulações financeiras e distorcendo o seu valor cultural, social e social, marcadamente simbólico”. “Não nos podemos esquecer – alerta – de que o que acumulamos e desperdiçamos é o pão dos pobres”.










