
Apesar de ter atingido este ano letivo um número recorde de matrículas, a universidade católica está disposta a fazer as adaptações necessárias para receber estudantes adicionais. Foto © Universidade Franciscana de Steubenville.
Com o intensificar do conflito Israel-Palestina, as universidades nos Estados Unidos da América estão a registar “um aumento muito preocupante no antissemitismo e sérias ameaças contra estudantes judeus”, alerta o padre Dave Pivonka, presidente da Universidade Franciscana de Steubenville. Como resposta, a instituição acaba de anunciar a criação de um processo de transferência acelerado para estudantes judeus em risco de discriminação e violência antissemita.
“Com os nossos irmãos cristãos em todo o mundo, estamos a rezar por justiça e paz. Mas com demasiadas universidades a pregar a tolerância e a praticar o preconceito, sentimo-nos compelidos a fazer mais”, explicou o padre Pivonka, em declarações à Catholic News Agency.
Apesar de ter atingido este ano letivo um número recorde de matrículas, a universidade católica está disposta a fazer as adaptações necessárias para receber estudantes adicionais. “A nossa comunidade irá recebê-los com generosidade e respeito”, garantiu Pivonka. “As nossas diferenças religiosas não causarão nenhum conflito. Pelo contrário, na Franciscana, a nossa fidelidade radical a Cristo e à fé católica exige de nós caridade fraterna para com os nossos irmãos e irmãs judeus, como o faz para com todas as pessoas”, assinalou.
A instituição já começou a procurar «apoio da comunidade local para que as necessidades particulares destes estudantes possam ser atendidas, nomeadamente que lhes seja assegurado um local de culto e a possibilidade de manter uma dieta kosher.
Além disso, será dada a estes alunos a opção de frequentar aulas online, no caso de sentirem que essa opção é mais segura.
Iniciativa poderá ser alargada a muçulmanos
Stephen Hildebrand, vice-presidente para assuntos académicos e professor de Teologia na Universidade Franciscana de Steubenville, compara a guerra atual ao Holocausto. “A forma como o Hamas foi de porta em porta e executou famílias, simplesmente executou-as, famílias inteiras… A última vez que este tipo de coisa aconteceu foi durante o Holocausto”, afirmou.
“Isso está na cabeça de todos e o mundo não respondeu tão bem na primeira vez. Portanto, adoraríamos que os católicos, a Igreja Católica, as universidades católicas, acertássemos desta vez. Não queremos falhar no nosso amor por eles como fizemos no passado”, destacou.
A iniciativa poderá ser alargada a estudantes muçulmanos, caso se verifiquem situações de discriminação semelhantes. “Na Franciscana, seguimos o ensinamento da Igreja e por isso a nossa fraternidade não se limita aos judeus, claro”, assegurou à Catholic News Agency. “Não tenho visto muita perseguição a estudantes muçulmanos nas universidades americanas, mas se isso se tornar um problema generalizado, espero que respondamos com igual fraternidade”, concluiu.









