Urbano Duarte: padre, professor e jornalista, 40 anos de uma marca perene

| 16 Mai 20

Completam-se neste domingo, 17 de Maio, 40 anos sobre a morte do cónego Urbano Duarte. A efeméride será recordada durante a missa celebrada no Seminário Maior de Coimbra, a partir das 11h00 (e que pode ser acompanhada nas páginas do seminário nas redes YouTube e do Facebook.
A esse propósito, o 7MARGENS convidou o jornalista Mário Martins para escrever uma breve evocação de Urbano Duarte. Autor do livro Crónicas dos Anos Quentes – Urbano Duarte 1971-1980, Mário Martins analisa nesse livro as crónicas da última década de vida de Urbano Duarte, que se cruzam com um tempo de mudanças fundamentais no país.

Padre Urbano Duarte. Coimbra

O cónego Urbano Duarte nos anos 1970. Foto: Direitos reservados

 

Há pessoas que deixam uma marca perene na história da comunidade. Urbano Duarte é uma delas. Padre, professor e jornalista, em todas estas áreas se distingue, tanto pela fulgurante inteligência como pela permanente disponibilidade e sentido de serviço, assumindo-se como figura incontornável da sociedade coimbrã – e, mesmo, da vida nacional – da segunda metade do século XX.

Urbano Duarte nasce em 1917, em Pescanseco do Meio, na Pampilhosa da Serra. Entra no Seminário Maior de Coimbra com 12 anos. Ainda estudante é enviado para Roma. É na capital italiana que será ordenado padre em 1940, em plena II Guerra Mundial, aos 23 anos de idade.

Regressa a Coimbra e é escolhido para professor do seminário e pregador da Sé. Ao longo da vida, enquanto assistente religioso no Centro Académico de Democracia Cristã (CADC), hoje Instituto Justiça e Paz, e como professor na Escola Brotero e, acima de tudo, no Liceu D. João III, ajuda milhares de jovens a entender melhor Deus e os homens. É director do Correio de Coimbra ao longo de 27 anos, no qual publica semanalmente os famosos Sintomas, crónicas indispensáveis para entender Portugal ao longo de três décadas. Frontal, envolve-se em polémicas que percorrem o país.

No total, só na última década, entre 1971-1980, escreve 691 crónicas. Nelas, Urbano Duarte trata temas de sociedade, política, comunicação social, educação e catolicismo, analisando de perto a realidade portuguesa na década das grandes transformações: os últimos anos do Marcelismo, o 25 de Abril de 1974, o “Verão Quente”, as primeiras eleições democráticas e o início da “normalidade democrática”.

Urbano Duarte partiu cedo, aos 63 anos de idade. Morreu na noite de 16 para 17 de Maio de 1980, durante o sono, no seu quarto no Seminário Maior de Coimbra, mas continua vivo na memória daqueles que o conheceram e que o continuam a recordar com saudade.

 

Invulgar, homem do diálogo e da liberdade

Capa do livro de Mário Martins sobre Urbano Duarte.

Há dois anos, no dia em que Urbano Duarte completaria 101 anos de idade, um grupo de antigos alunos e colaboradores do Correio de Coimbra evocou o padre-jornalista com uma homenagem que decorreu na Escola Secundária José Falcão, Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra e Instituto Justiça e Paz.

Na Escola Secundária José Falcão, o Liceu D. João III onde Urbano Duarte foi professor 37 anos, foi descerrada uma lápide e teve lugar uma palestra destinada à comunidade escolar.

Na Universidade de Coimbra, na magnífica Sala de S. Pedro da Biblioteca Geral, estiveram expostos cerca de três dezenas de livros da autoria (ou co-autoria) de Urbano Duarte.

A sessão solene de homenagem realizou-se no Instituto Universitário Justiça e Paz. Os títulos das comunicações foram os seguintes: “Urbano Duarte: um padre que amava e praticava o diálogo” (padre António Jesus Ramos); “Das fronteiras da liberdade à liberdade sem fronteiras: a recepção de Urbano Duarte ao espírito e à letra do Vaticano II” (Paulo Archer de Carvalho); “Urbano Duarte e a PIDE: de alinhado a anti-situacionista” (Lígia Inês Gambini); e “Urbano Duarte: o invulgar senhor comendador” (Mário Martins).

Os dois últimos são autores das duas dissertações de mestrado sobre Urbano Duarte existentes até ao momento, ambas publicadas em livro.

Treze anos após a sua morte, Urbano Duarte foi agraciado com a comenda de Grande Oficial da Ordem de Mérito, atribuída por Mário Soares a 10 de Junho de 1993, sob proposta de António Barbosa de Melo, antigo deputado da Assembleia Constituinte, D. Manuel de Almeida Trindade, antigo bispo de Aveiro, e Rui de Alarcão, antigo reitor da Universidade de Coimbra.

 

(Para informações sobre o livro referido: martins56@gmail.com)

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