Ursula von der Leyen aos jovens no encontro virtual de fim-de-ano: Taizé é uma fonte de inspiração

| 29 Dez 20

Até dia 1 de Janeiro, desta vez através de canais vídeo, a comunidade monástica e ecuménica de Taizé promove o seu encontro de fim de ano, da “peregrinação de confiança”. A carta para 2021 fala da esperança e a presidente da Comissão Europeia refere Taizé como uma “fonte de inspiração”. Vários líderes religiosos, entre os quais o Papa Francisco, enviaram mensagens. 

Oração da fraternidade de Taizé em Mymensingh (Bangladesh), uma das que transmitidas nesta segunda-feira, 28. Imagem captada a partir do vídeo disponível no canal YouTube.

 

“Durante muitos anos, a Comunidade de Taizé tem sido uma fonte de inspiração para mim e para milhões de pessoas em todo o mundo”, diz a presidente da Comissão Europeia (CE), Ursula von der Leyen, numa mensagem enviada aos participantes do encontro de fim-de-ano promovido pela comunidade de Taizé. Este ano, numa modalidade virtual, devido às limitações impostas pela pandemia.

“Em Taizé a fé nunca é experimentada como uma fronteira, um obstáculo que divide as pessoas. Pelo contrário, a fé é um convite ao diálogo. Neste espírito, os irmãos reúnem todos os anos milhares de jovens para descobrir quem eles são como seres humanos”, acrescenta a responsável.

O texto da presidente da CE – tal como as mensagens enviadas por líderes religiosos – refere o contexto da pandemia que o mundo está a viver e a esperança que subsiste de dias melhores.

“Manter a esperança em tempo propício e fora dele” é, precisamente, o tema da carta do irmão Aloïs, de Taizé, para 2021. “Nos últimos meses, muitos jovens partilharam connosco as suas preocupações sobre o futuro: que esperança nos guiará, onde nos podemos apoiar com confiança quando tudo é tão instável? Ainda mais profundamente: com que propósito vale a pena viver? Outras vozes levantam‐se para dizer: resistamos ao desencanto; estejamos atentos aos sinais de esperança”, começa por escrever o prior de Taizé na sua carta.

Na carta, o irmão Aloïs refere a pandemia como causa do aumento da precariedade, a exigir “decisões políticas corajosas”, mas também a solidariedade e a amizade social que todos podemos viver”. E acrescenta que muitos jovens “estão a investir as suas energias para salvar a nossa casa comum que é o planeta” com “estilos de vida mais respeitadores do meio ambiente”.

“Mais do que nunca, precisamos uns dos outros”, acrescenta o texto do prior de Taizé, que diz que “é possível perceber motivos de esperança e, às vezes, até de esperança contra toda a esperança”. Por isso, todos se devem juntar “a quem tem diferentes opções de vida, a cristãos de outras confissões, a crentes de outras religiões, a agnósticos ou a ateus que também estejam comprometidos com a fraternidade e a partilha”. Ao mesmo tempo, devem estar “perto dos mais necessitados: pessoas sem-abrigo, idosos, doentes ou pessoas sozinhas, crianças em dificuldade, pessoas com deficiência, migrantes…”

A carta termina sugerindo a escuta dos “mais vulneráveis” ou que as comunidades cristãs acolham algum exilado ou alguma família de refugiados, tal como a comunidade de Taizé tem feito desde há anos e, desde 2015, também com refugiados africanos, sírios ou afegãos, por exemplo, que têm procurado chegar à Europa.

 

Papa Francisco: “Uma cultura do encontro e da fraternidade”

As cartas dos vários responsáveis religiosos que enviaram mensagens para o encontro estão disponíveis na página da comunidade de Taizé na internet, em francês ou inglês.

Na carta enviada através do secretário de Estado do Vaticano, o Papa Francisco faz votos para que os jovens “desenvolvam uma cultura do encontro e da fraternidade” e caminhem juntos em direcção a esse “horizonte de esperança revelado pela ressurreição de Cristo”.

O patriarca ortodoxo Bartolomeu, de Constantinopla, o arcebispo anglicano de Cantuária, Justin Welby, além dos responsáveis do Conselho Mundial de Igrejas (padre ortodoxo Ioan Sauca) Fórum Mundial Cristão (reverendo Casely Essamuah) Federação Luterana Mundial (rev. Martin Junge) e presidente da Conferência das Igrejas Europeias (pastor Christian Krieger) enviaram também mensagens aos jovens.

No seu texto, a presidente da CE recorda também que este ano mostrou “como os nossos destinos estão ligados”. E exemplifica: “Partilhamos a mesma fragilidade. Todas as nossas vidas foram abaladas pela pandemia, de uma forma ou de outra. E todos os nossos países estão a enfrentar as consequências das alterações climáticas. Como seres humanos, todos nós enfrentamos a mesma escolha. Podemos concentrar-nos nas nossas diferenças, desentendimentos e mal-entendidos. Ou podemos escolher unir forças para o bem – para proteger a dignidade de cada ser humano e a beleza da criação.”

O encontro, que decorre até dia de Ano Novo e cujo programa completo pode ser consultado na página da comunidade, inclui momentos de oração a partir da Igreja da Reconciliação, na aldeia de Taizé (Borgonha, França), ou das pequenas fraternidades dos irmãos em vários países – nesta terça, à meia-noite, será a vez da comunidade que vive em Alagoínhas, no Brasil.

Durante o dia, sempre através de canais vídeo, há também debates e testemunhos de jovens de diferentes países do mundo.

A comunidade de Taizé, fundada em 1940 por Roger Schutz, um jovem pastor protestante calvinista, reúne monges católicos e de diferentes tradições protestantes, e tem como um dos seus carismas o acolhimento de jovens do mundo inteiro.

 

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