Vacinas: Criticar sem generalizar

| 11 Fev 21

Vacina. Covid

Vacina contra a covid. Foto Wladimir B/Bigstock.com

 

No fim do ensaio do coro por zoom ficámos alguns minutos na conversa. Uma das colegas anunciou muito satisfeita que o pai, de 92 anos, vai ser vacinado amanhã. Mora na zona de Frankfurt. Outra disse que os pais e os sogros, também nonagenários, só vão receber a vacina em Março. Moram em Brandeburgo. Já a minha sogra, no sul da Alemanha, está a poucos dias de receber a segunda dose, apesar de ser uma jovem de oitenta e poucos anos. É estranho assistir a esta disparidade entre as Länder.

Alguns colegas de coro começaram a falar dos espertinhos – como o político que se ofereceu (juntamente com os seus próximos) para tomar as vacinas que se iam estragar, argumentando que assim davam um bom exemplo aos renitentes. Cada pessoa tinha um caso para contar. E eu ouvia, divertida.

Aparentemente, na Alemanha também há muitos espertalhões. A grande diferença em relação ao que vejo em Portugal – e isso impressionou-me realmente – é que falavam deles como casos individuais. Reprovavam, mas não generalizavam. Nenhuma daquelas pessoas concluiu, com base nestes casos, que “este país é só corrupção” ou “estamos entregues à bicharada”.

Uma das frases que ouço frequentemente na Alemanha, quando se conhecem casos de alguém que se desvia dos valores comuns desta sociedade, é: “nós não somos assim”. Mesmo que um ou outro descarrile e se afaste do que é considerado por todos como o caminho certo, a comunidade sabe quais são os seus valores e tem brio em respeitá-los. Os prevaricadores não são nem espelho da sociedade nem exemplo que desculpa os erros dos outros. São prevaricadores.
E isso é dito com todas as letras, como um veredicto que os deve cobrir de vergonha.

Já em Portugal: li algures que, juntando os casos de sujeitos que abusaram do seu poder para serem vacinados antes dos outros e os casos de decisões precipitadas devido à urgência, como foi o daquela padaria, houve até agora 300 casos de vacinas que foram dadas sem respeitar as prioridades.

300 casos em 400.000 [dados de 9 de Fevereiro].

Isso quer dizer que mais de 99,9% das vacinas foram dadas respeitando os critérios de prioridade. Mas o que ouço a muitos portugueses – nas redes sociais e na vida real – é o escândalo por causa das vacinas desviadas, e que “este país é só corrupção” e que “estamos entregues à bicharada”.

Que é como quem diz: self fulfilling prophecy em português.

 

Helena Araújo é autora do blogue Dois Dedos de Conversa, de onde este texto é reproduzido, actualizando os dados do numero de vacinas administradas a 9 de Fevereiro.

 

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