O parlamento suíço acaba de aprovar, por maioria clara, a criação de um “fórum de paz” constituído por 19 parlamentares de diferentes partidos, que visa facilitar o diálogo entre o Azerbaijão e representantes de Nagorno-Karabakh para que os aproximadamente 120 mil arménios expulsos da sua terra natal em setembro de 2023 possam finalmente regressar a casa de forma segura. O comité multipartidário será lançado no próximo dia 26 de maio, em Berna, capital da Suíça.
“Este é um momento significativo, não apenas para as pessoas expulsas, mas também para a própria Suíça. Estamos a mostrar que o nosso país continua a defender a paz e a justiça. A proteção dos cristãos perseguidos é uma preocupação fundamental da população suíça e deve ser defendida com vigor pela diplomacia”, enfatizou o Conselheiro Nacional Erich Vontobel, que iniciou a moção.
Desde a sua expulsão forçada pelo Azerbaijão, os refugiados de Nagorno-Karabakh vivem na Arménia sem perspectivas de poder regressar à sua terra natal. A esperança reacendeu-se em março passado, quando a Arménia e o Azerbaijão anunciaram aceitar o texto de um acordo de paz entre si. E agora intensificou-se.
A iniciativa inédita foi aplaudida pela Christian Solidarity International (CSI). “Durante quase cinco anos, representantes do povo de Nagorno-Karabakh estiveram completamente ausentes do ‘processo de paz’ liderado pelo Ocidente para a sua região, uma omissão que contribuiu diretamente para sua limpeza étnica em setembro de 2023. Esta medida já deveria ter sido tomada há muito tempo, e elogiamos esta Assembleia Federal Suíça pela sua liderança nesta questão”, afirmou Joel Veldkamp, diretor de advocacia da ONG.
Poucos dias antes da votação da moção para criar o “fórum de paz”, centenas de pessoas expulsas de Nagorno Karabakh reuniram-se em frente à embaixada da Suíça em Yerevan, capital da Aeménia, para expressar o seu apoio à iniciativa. O emotivo protesto contou com a presença de inúmeras famílias que encontraram refúgio na Arménia após terem sido vítimas da limpeza étnica em setembro de 2023. Muitas seguravam cartazes com mensagens de esperança e gratidão à Suíça, relata a CSI.
Durante o encontro, o presidente em exercício da Assembleia Nacional de Nagorno-Karabakh, Gagik Baghunts, entregou à Embaixada da Suíça uma carta formal endereçada ao Ministro das Relações Exteriores da Suíça, Ignazio Cassis, na qual assegurou: “O povo de Nagorno-Karabakh não busca o conflito. Buscamos apenas a oportunidade de regressar à nossa terra natal em condições que garantam a nossa segurança, protejam os nossos direitos e defendam a nossa dignidade”.
Para a CSI, “a adoção da moção envia uma mensagem clara: limpeza étnica e expulsão forçada não têm lugar na ordem internacional do século XXI”.










