Il Giardino Armonico

Em Sines iremos ouvir música italiana “com afecto” e saber porque morrem os sobreiros

| 20 Out 2022

Giovanni Antoninni, Il Giardino Armonico, música

Giovanni Antoninni, maestro e músico de flauta transversal barroca do ensemble Il Giardino Armonico. Foto © Marco Borggreve.

“Con Affetto: Emoção e Razão na Música Italiana do Século XVII” é o título do concerto da noite deste sábado, 22, em Sines, inserido num conjunto de actividades que marcam o encerramento do 18º festival Terras Sem Sombra. Com o ensemble barroco Il Giardino Armonico, um dos mais famosos da actualidade, o programa de sábado à noite (21h30, Centro de Artes de Sines) inclui obras de Tarquinio Merula, Dario Castello, Alessandro Scarlatti ou Antonio Vivaldi, entre outros e será dirigido pelo maestro Giovanni Antonini. A participação nas diferentes actividades do festival é gratuita, mas no caso do concerto os bilhetes de reserva de lugar estão esgotados.

Fundado na década de 1980 em Milão (Itália), com o repertório centrado nos séculos XVII e XVIII, Il Giardino Armonico tem meia centena de discos gravados. Vivaldi, Handel e Haydn estão entre os compositores mais gravados pelo grupo. Deste último compositor, e desde 2014, o ensemble gravou já sete discos do projecto “Haydn 2032”, que pretende registar e tocar “num ciclo único com concertos por toda a Europa, todas as 107 sinfonias de Joseph Haydn até 2032”, data em que se completam 300 anos sobre a data do nascimento do compositor. Cantores e solistas de renome, como Cecilia Bartoli, Julia Lezhneva e Viktoria Mullova têm gravado com Il Giardino Armonico. O programa de Sines é o mesmo que Il Giardino Armonico tocará na Gulbenkian, em Lisboa, no dia seguinte.

O fim-de-semana de encerramento do Terras Sem Sombra – que tem como tema “Há uma paz infinita na solidão das herdades: Quietude, Natureza e Música (Séc. XII-XXI)” – começa já nesta sexta-feira, com o programa Onde a Vida Acontece. Destinado prioritariamente ao público infanto-juvenil e familiar, o dia culmina com um recital (Escola de Artes de Sines, 18h00) da pianista húngara Kinga Somogyi, sob o tema “O Voo do Piano: Música Europeia (e não só) dos Séculos XIX-XXI”, que inclui peças de Ludwig van Beethoven, Béla Bartók, Ede Poldini e Piotr Tchaikovski, entre outros.

O dia, entretanto, começa às 10h desta sexta-feira, com uma iniciativa sobre arte, história e tradições (encontro no Museu de Sines). “Viver no Campo: A Ruralidade à Porta da Cidade” pretende levar os participantes “a reflectirem sobre o papel do mundo rural numa comunidade hoje predominantemente urbana, mas que ancora as suas raízes em espaços rurais ainda em plena produção e que continuam uma mais do que milenar tradição pecuária”.

A tarde de sábado será dedicada ao património cultural, sob o mote “Saxa Sacra: Monumentos Megalíticos de Monte Chãos” (encontro no Museu de Sines, 15h), e propondo uma viagem ao Calcolítico (terceiro milénio antes de Cristo) “e a um povoado único, sito na zona mais alta dos arredores da cidade, Monte Chãos”, de onde se domina a baía de São Torpes, que reúne condições naturais de defesa e estruturas religiosas (cromeleque, santuário rupestre e uma necrópole). Esta iniciativa será orientada pelos arqueólogos Mário Varela Gomes e Anabela Joaquinito.

Finalmente, a biodiversidade é o tema da manhã de domingo (encontro às 9h30, no Museu de Sines) “Onde o Atlântico e o Mediterrâneo se encontram: O Montado e o Sobreiral de Nascedios do Moinho”, levará os participantes a esta herdade perto da Sonega. Os engenheiros florestais Paulo Maio, Pedro Serafim e Pedro Pacheco Marques e o técnico florestal João Dimas procurarão responder à pergunta “porque morrem os sobreiros?”

Kinga Somogyi, música, piano, Hungria,

Pianista húngara Kinga Somogyi, que toca o Festival Terras Sem Sombra, 21 Outubro 2022. Foto: Direitos reservados.

 

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