
A associação MEERU agendou esta conversa para o Dia Internacional da Fraternidade Humana, a mesma data em que, em 2019, o Papa Francisco e o Imã Al-Tayyeb se encontraram em Abu Dhabi.
“Num tempo cheio de sombras, inseguros e com medo, parece que só nos restam duas opções: escolher a violência num dos lados da barricada ou optar pela indiferença egoísta”. Será? A associação para o desenvolvimento MEERU | Abrir Caminho acredita que há uma terceira opção: a “do encontro, do diálogo e da amizade entre pessoas, para abrir caminhos para a Paz”. E quer provar isso mesmo já no próximo domingo, 4 de fevereiro – em que se assinala o Dia Internacional da Fraternidade Humana -, sentando à mesma mesa um muçulmano, um cristão e um judeu… E convidando todos os que quiserem a juntar-se também a eles, presencialmente ou online.
O muçulmano que aceitou o desafio da MEERU | Abrir Caminho foi Khalid Jamal, um português que professa a religião islâmica, membro do Observatório do Mundo Islâmico e dirigente da Comunidade Islâmica de Lisboa. O cristão é Rui Santiago, padre católico português e missionário redentorista, que assumiu, desde 2019, o cargo de Provincial da Congregação do Santíssimo Redentor em Portugal. O judeu é Joshua Ruah, que durante 23 anos presidiu à Comunidade Israelita de Lisboa e que, nessa qualidade, se encontrou com pessoas como o Papa João Paulo II e Yasser Arafat.
“Os três disseram que sim à proposta da MEERU, mas com uma condição: ‘Este é o nosso ponto de partida — ou somos irmãos ou tudo desaba. Paz, Salam, Shalom!‘”, pode ler-se no comunicado de divulgação do encontro, enviado ao 7MARGENS.
A associação explica que agendou esta conversa para o Dia Internacional da Fraternidade Humana, a mesma data em que, em 2019, o Papa Francisco e o Imã Al-Tayyeb se encontraram em Abu Dhabi, “para que aquele encontro de amizade e esperança nos enchesse de inspiração para um caminho concreto e real para a paz”.
“No dia 4 de fevereiro de 2019, como artesãos da paz, estes dois líderes religiosos assinaram a Declaração sobre a Fraternidade Universal, que, com uma clareza inequívoca, condena a blasfémia que é a violência em nome de Deus e da religião”, recorda a MEERU. “Em 2024, sabemos, melhor do que nunca, que o ódio gerado pela violência do passado, conservado durante demasiado tempo e preservado como um ídolo, como se fosse indispensável para recordar e defender as vítimas, é um fracasso devastador e aniquilador de qualquer possibilidade de futuro”.
Conclusão: “estar à conversa com um muçulmano concreto, um cristão concreto e um judeu concreto, a partir das suas histórias” é escolher a tal terceira opção. E sinónimo de acreditar nesta “força desarmada do encontro, do diálogo e da amizade entre pessoas, para abrir caminhos para a Paz”.
A iniciativa acontece no âmbito do projeto Bridges of Faith, promovido pela MEERU I Abrir Caminho e o Observatorio Blanquerna de Comunicación, Religión y Cultura com o apoio do KAICIID e a parceria do 7 MARGENS, onde Rui Santiago e Khalid Jamal já tiveram oportunidade de explicar porque aceitaram o desafio.
A conversa, que está marcada para as 15 horas, na Porta (Rua da Firmeza, 163, Porto), será moderada pelo jornalista José António Pereira. Todos os que também aceitem este desafio devem inscrever-se em http://meeru.org/uma-conversa-na-porta. “Para quem está longe, haverá transmissão online do evento. Mas, se puderem – insiste a organização – venham mesmo à Porta, porque é bom estarmos juntos”. E nesta mesa – garantem – haverá “lugar para todos”.









