cardeal angelo becciu, Foto Vatican Media

O julgamento de Becciu começou em julho de 2021 e novos dados continuam a somar-se ao processo. Foto: Vatican Media.

 

O Vaticano abriu uma nova investigação contra o cardeal Angelo Becciu, por suposta associação criminosa, a qual vem juntar-se aos dois inquéritos por desvios financeiros que já estavam a decorrer.

A informação foi confirmada esta quinta-feira, 24 de novembro, pelo promotor do Vaticano, Alessandro Didi, depois de o Tribunal de Sassari ter transmitido à Santa Sé os resultados das investigações realizadas sobre a Cooperativa Spes de Ozieri, dirigida pelo irmão de Becciu, o cardeal Antonino.

“Existe uma hipótese de associação criminosa que parte do Vaticano. É uma tendência paralela ao processo atual”, explicou Diddi, sublinhando que “definitivamente o cardeal Becciu” está envolvido. A investigação encontrou “927 guias de remessa de pão, que foram falsificadas” e que teriam servido “para justificar o dinheiro pago à Cooperativa”.

O julgamento, que começou em meados de 2021, centra-se na fraude de compra e venda de um edifício no centro de Londres, mas no decorrer das investigações foram detetadas outras irregularidades: os empréstimos e as doações enviadas pelo Secretariado de Estado à diocese de Ozieri através da cooperativa na qual trabalhava o irmão de Becciu, e as relações do próprio cardeal com Cecilia Marogna, também acusada de peculato, que se apresenta como agente dos serviços secretos italianos solicitada por Becciu e generosamente remunerada para operações de segurança em todo o mundo.

 

Telefonema com o Papa gravado sem o seu consentimento

De acordo com Alessandro Diddi, surgiu entretanto “um facto inquietante“: a gravação de uma chamada telefónica entre o cardeal Angelo Becciu e o Papa Francisco, sem o consentimento deste último, cujo ficheiro áudio se encontrava no telemóvel da sobrinha de Becciu, Maria Luisa Zambrano.

Datada de 24 de julho de 2021, três dias antes do início do julgamento, a conversa só pôde ser escutada pelos juízes e advogados das partes, na sessão desta quinta-feira. Nela, segundo Diddi, Becciu dizia a Francisco: “Já me condenou, é inútil avançar com o processo”. O cardeal pedia depois ao Papa que afirmasse que lhe havia dado autorização para fazer pagamentos de várias centenas de milhares de euros a uma empresa intermediária em Londres, tendo em vista a libertação de missionários sequestrados em África.

Segundo os advogados, citados pela Reuters, o Papa parecia perplexo e confuso com o telefonema e pediu várias vezes a Becciu que lhe enviasse uma nota escrita relativamente ao que pretendia.

 

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