
Aung San Suu Kyi, a líder deposta do movimento que ganhou as eleições democráticas de 2020 em Myanmar, encontra-se na prisão desde fevereiro de 2021. Foto © Comune Parma
“Pedi a libertação da Sra. Aung San Suu Kyi e recebi o seu filho em Roma. Ofereci o Vaticano para acolhê-la no nosso território”. As palavras são do Papa Francisco e foram proferidas durante o encontro que teve com jesuítas em Jacarta, Indonésia, na sua mais recente viagem apostólica. O teor desse e dos outros dois encontros com membros da Companhia de Jesus – em Timor-Leste e Singapura – foi divulgado nesta terça-feira, 24 de setembro, pela revista La Civiltà Cattolica.
Francisco respondia à pergunta concreta de um padre jesuíta oriundo de Myanmar (Birmânia), onde o Papa esteve em novembro de 2017. “Há três anos que vivemos uma situação difícil. O que nos aconselha a fazer? Perdemos as nossas vidas, família, sonhos e futuro… como não perder a esperança?”, questionava o jovem presbítero.
“A situação em Myanmar é difícil”, começou por reconhecer o Papa. “Você sabe que os Rohingya são queridos para mim.” E em seguida partilhou: “Fui a Myanmar e lá falei com a Sra. Aung San Suu Kyi, que foi primeira-ministra e que agora está na prisão. Depois fui visitar o Bangladesh e lá conheci os Rohingya que haviam sido expulsos. Não há uma resposta universal para a sua pergunta. Existem bons jovens que lutam pelo seu país. Hoje em Myanmar não podemos ficar calados: algo deve ser feito!”, defendeu Francisco. E sobre Suu Kyi, acrescentou ainda: “a senhora é um símbolo” e “os símbolos políticos devem ser defendidos”.

O Papa durante o encontro com os membros da Companhia de Jesus em Jacarta. Foto © Vatican Media
Aung San Suu Kyi, a líder deposta do movimento que ganhou as eleições democráticas de 2020 em Myanmar, encontra-se na prisão desde fevereiro de 2021, onde começou a cumprir uma pena de 26 anos, tendo sido em 2022 condenada a mais sete anos. Sobre a ex-dirigente e Nobel da Paz, de 79 anos, pendiam condenações por vários crimes, que vão de fraude eleitoral a má conduta sanitária durante a pandemia de covid-19, e que diversos grupos de defesa dos direitos humanos garantem ter sido fabricadas por razões políticas.
Em agosto do ano passado, o secretário-geral da ONU, António Guterres, apelou à sua libertação, depois de a junta militar da Birmânia ter anunciado uma amnistia para mais de sete mil prisioneiros, por ocasião de um dos principais festivais budistas. A amnistia anulou então cinco das 19 condenações contra Aung San Suu Kyi, reduzindo em seis anos a pena total de 33 anos de prisão aplicada à ativista que, segundo meios de comunicação locais, enfrenta vários problemas de saúde.
De acordo com a Al Jazeera, pelo menos dois ativistas pró-democracia que haviam sido condenados à morte “em tribunal fechado” foram executados esta semana. Outros 120 detidos e condenados a “falsas penas de morte” estarão também em risco de ser executados em breve.
Segundo dados da Associação de Assistência a Presos Políticos, que monitoriza a repressão em Myanmar desde o golpe militar, há atualmente 20.953 presos políticos, e foram mortos até ao momento, pelo menos, 5.694.










