Vaticano e Al-Azhar propõem à ONU criar um Dia Mundial da Fraternidade Humana

| 9 Dez 19

 

O Papa em Abu Dhabi em Fevereiro deste ano. Foto © Vicariato Apostólico do Sul da Arábia.

 

O Vaticano e a Universidade muçulmana sunita de Al-Azhar (Cairo) propuseram à Organização das Nações Unidas (ONU) a criação de um Dia Mundial da Fraternidade Humana, que seria celebrado anualmente dia 4 de Fevereiro.

A proposta, noticia a Ecclesia, foi entregue quarta-feira, 4 de Dezembro, ao secretário-geral da ONU, António Guterres, pelos membros do novo Comité Superior criado entre as duas instâncias religiosas com o objectivo de promover os objectivos enunciados no Documento sobre a Fraternidade Humana em prol da paz mundial e da convivência comum, assinado em Abu Dhabi, precisamente a 4 de Fevereiro deste ano, quando o Papa ali se deslocou.

No documento, o Papa Francisco e o xeque Ahmed Al-Tayyeb, grande imã de Al-Azhar, reconhecida informalmente como a maior autoridade do islão sunita, fazem um convite à reconciliação e à fraternidade entre os crentes de diferentes religiões e entre crentes e não-crentes, ao mesmo tempo que denunciam com vigor as injustiças e a miséria que afectam grande parte da humanidade. No Documento sobre a fraternidade humana pela paz mundial e a convivência comum, apela-se ainda “a toda a consciência viva que repudia a violência aberrante e o extremismo cego” e “aos que amam os valores da tolerância e da fraternidade, promovidos e estimulados pelas religiões”.

O novo Comité Superior, que junta responsáveis cristãos, muçulmanos e judeus, é presidido pelo presidente do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso, da Santa Sé, cardeal Miguel Ángel Ayuso Guixot.

Por ocasião do encontro com Guterres, os membros do Conselho Superior entregaram ao secretário-geral da ONU também uma mensagem do Papa e do imã de Al-Azhar. Guterres, acrescenta ainda a Ecclesia citando uma nota do Vaticano, manifestou apreço pela iniciativa, destacando a importância de “trabalhar ao serviço de toda a humanidade”. Guterres entregou ainda ao seu assessor especial para a prevenção dos discursos de ódio e do genocídio, Adama Dieng, a responsabilidade de acompanhar as actividades propostas pelo novo comité.

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