Vaticano “espera” que o Papa vá à Cimeira do Clima

| 25 Mai 21

O Papa Francisco diz que recebemos um jardim das mãos de Deus e não podemos transformá-lo num deserto. Afirmações numa mensagem que pretende dinamizar as comunidades católicas para sete anos de acção a partir das propostas da encílcica Laudato Si’. Entretanto, são cada vez mais os indícios de que Francisco estará em Glasgow na Cimeira do Clima.

Par de sapatos do Papa, na Marcha Global pelo Clima, em Paris (2015): agora, o Papa pode “marchar” em direcção a Glasgow, para pressionar um acordo mais eficaz. Foto: Direitos reservados, via Movimento Católico Global pelo Clima.

 

O cardeal Peter Turkson, prefeito do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral (DSDHI), da Santa Sé, admitiu na manhã desta terça-feira, em conferência de imprensa, que espera que o Papa Francisco esteja presente na 26.ª Conferência das Partes (COP26) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas, que decorrerá de 1 a 12 de Novembro de 2021, em Glasgow, Escócia.

“Esperamos que o Papa participe na COP26 em Glasgow”, afirmou o cardeal. Essa eventual participação poderia ser acompanhada do Patriarca Ecuménico de Constantinopla, Bartolomeu, o que “seria um sinal fundamental para os participantes do encontro”.

O cardeal falava na apresentação da Plataforma de Acção Laudato Si’, um plano para sete anos que o Vaticano pretende que chegue ao máximo de estruturas católicas.

Estas afirmações são indícios fortes de que é cada vez mais provável que o Papa esteja em Glasgow. Ainda por cima, a presença de Francisco e Bartolomeu na Escócia, pode seguir-se a uma declaração ou cimeira de líderes religiosos sobre os temas do ambiente e da encíclica Laudato Si’.

“Sei que o Papa já foi convidado por várias pessoas”, diz entretanto o padre Joshtrom Isaac Kureethadam, coordenador do Sector de Ecologia e Criação no DSDHI. Em declarações ao 7MARGENS e à Família Cristã, este responsável acrescenta que já há mais de um ano que o primeiro-ministro Boris Johnson escreveu a convidar o Papa. “Mas não sei se ele irá. As conversações estão a decorrer”, diz, a propósito do lançamento da Plataforma no Vaticano, ma manhã desta terça-feira.

Outro sinal de que a ida do Papa a Glasgow é bem provável foi a afirmação do enviado do Presidente Joe Biden para a questão climática, John Kerry. Há pouco mais de uma semana, Kerry dizia, em entrevista ao portal Vatican News, que os EUA desejam ver Francisco na cimeira de Glasgow, em Novembro, conforme noticiou o 7MARGENS.

 

“Governos têm de se comprometer”

Padre Joshtrom: “Não ficaria surpreendido, se o Papa fosse a Glasgow.” Foto: Direitos reservados.

 

O Papa conhece a importância do que está em causa, acrescenta o mesmo responsável do Dicastério do Desenvolvimento Humano. Já na altura da publicação da encíclica, há seis anos, muitos líderes políticos destacaram a importância do impulso do texto de Francisco para se conseguir o Acordo de Paris. Há dois anos, o ex-secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, esteve com o Papa Francisco, recorda Joshtrom Isaac. “Ele contou-me que tinha agradecido ao Papa Francisco: ‘No dia em que a Laudato Si’ foi publicada, eu disse à minha equipa que em Dezembro teríamos um acordo em Paris, porque o Papa nos tinha dado a encíclica.”

Agora, o padre Joshtrom admite que o Papa possa fazer uma visita pastoral à Escócia, passando depois pela reunião de chefes de Estado para abrir os trabalhos da Conferência. “Primeiro estávamos cépticos, porque o Papa é convidado muitas vezes para muitas iniciativas. Mas, honestamente, não ficaria surpreendido, se ele fosse a Glasgow. Se puder, ele irá, porque está muito preocupado com a situação.” (As declarações de Joshtrom Isaac foram feitas ao 7MARGENS e Família Cristã no contexto dos comentários ao inquérito sobre a aplicação da Laudato Si’ em Portugal, acerca do qual publicaremos mais dados nos próximos dias.)

Estas declarações, somadas às do cardeal Turkson, indiciam que a visita é cada vez mais provável e pode ser uma ocasião de pressão sobre os governos para que seja mais eficaz o combate contra a emergência climática.

“Os governos têm de se comprometer com este problema”, disse Turkson ao Vatican News. Os seis anos que passaram desde a publicação da Laudato Si’, reforçaram a “autoridade moral” do Papa Francisco no cenário internacional, e tornaram-no a voz mais influente sobre o tema. E agora é preciso agir em conjunto para garantir aos nossos filhos e aos filhos dos nossos filhos “um futuro justo e sustentável”.

“Desde a COP21, em 2015, em Paris, cada país foi convidado a desenvolver o seu próprio compromisso, cada um foi deixado à sua disposição. O que falta é alguém que possa mostrar a sua seriedade na questão da Criação”, disse ainda o cardeal, na apresentação da Plataforma de Acção. E citou a encíclica do Papa: “Não se trata de recolher informações, mas de compartilhar e compadecer o sofrimento com os pobres. É isso que, com a possível presença do Papa, se espera que os líderes políticos possam entender.”

Turkson considerou ainda, durante a conferência de imprensa, que “agora, mais do que nunca, é hora de agir, de fazer algo concreto”, que leve a “um futuro justo e sustentável”, baseado em “novos modelos”.

 

“Recebemos um jardim das mãos de Deus, não podemos deixar um deserto”

Num vídeo divulgado durante a conferência de imprensa, o Papa Francisco referiu-se também à “oportunidade de preparar um amanhã melhor para todos”. E avisou: “Recebemos um jardim das mãos de Deus, não podemos deixar um deserto para os nossos filhos.”

A mensagem pretende lançar a Plataforma de Acção já referida, de modo a que todas as comunidades e estruturas católicas “se tornem totalmente sustentáveis, no espírito da ecologia integral”.

Francisco avisa que é necessária “uma nova abordagem ecológica, que transforme a nossa forma de viver no mundo, os nossos estilos de vida, a nossa relação com os recursos da Terra e, em geral, a forma como olhamos o homem e vivemos”. Só juntos, acrescenta o Papa, “poderemos construir o futuro que desejamos: um mundo mais inclusivo, fraterno, pacífico e sustentável”.

Na mensagem, o Papa afirma: “Há algum tempo que esta casa que nos hospeda sofre com as feridas que causamos com uma atitude predatória. Essas feridas manifestam-se de forma dramática numa crise ecológica sem precedentes, afectando o solo, o ar, a água e, em geral, o ecossistema em que vivem os seres humanos.”

Francisco propõe ainda uma “ecologia humana integral”, que supere os estilos de vida “irresponsáveis” que ameaçam o futuro e insiste em que a pandemia veio sublinhar a interdependência entre os seres humanos e a natureza.

“Vamos cuidar da nossa mãe Terra, vamos superar a tentação do egoísmo que nos torna predadores dos recursos, vamos cultivar o respeito pelos dons da Terra e da criação, vamos inaugurar um estilo de vida e uma sociedade que finalmente seja ecossustentável”, apela o Papa.

O vídeo com a mensagem (em italiano) pode ser visto a seguir:

 

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