Ligada ao caso do padre Rupnik

Vaticano extingue Comunidade Loyola

| 14 Dez 2023

Irmãs da Comunidade de Loyola em oração na Igreja de Jerusalém, 2020. Foto ©Nadim Asfour CTS

Irmãs da Comunidade Loyola em oração numa igreja em Jerusalém, em 2020. Foto © Nadim Asfour CTS

 

O arcebispo de Liubliana, Eslovénia, comunicou esta quinta-feira, 14 de dezembro, que o Dicastério para a Vida Religiosa decidiu avançar com o processo de extinção da Comunidade Loyola, segundo garantiu ao 7MARGENS uma fonte que acompanha o processo.

A comunicação dessa decisão aconteceu num encontro que havia sido convocado no final do mês de novembro pelo comissário que, nos últimos três anos, foi encarregado de fazer uma visita canónica (equivalente a uma inspeção), sobre o estado daquele instituto religioso, o bispo auxiliar de Roma, Daniele Libanori. O facto de acontecer na Arquidiocese de Liubliana decorre de ter sido aí que foi formalizada, reconhecida e registada a constituição da Comunidade Loyola.

Foi esse bispo que, como o 7MARGENS noticiou, ouviu as pequenas comunidades e os seus membros, e superintendeu na vida da instituição. A superiora geral, a eslovena Ivanka Hosta, ficou inicialmente com os seus poderes suspensos. Mais tarde, tendo em conta evidências consideradas consistentes de que tinha abusado do seu poder, foi definitivamente afastada do cargo e remetida a reclusão na pequena comunidade que existe em Braga.

A Comunidade Loyola foi fundada em meados dos anos 1980, na Eslovénia, por mulheres que se cruzaram ainda na Universidade e em ligação próxima com o então jovem padre jesuíta Marko Ivan Rupnik. Este presbítero, que se estava a lançar também como artista, tornou-se diretor espiritual e mentor da instituição nascente. De facto, foi adquirindo um papel tal que, segundo depoimentos oriundos de algumas religiosas, era ele que dirigia de facto a Comunidade, alegadamente como intérprete da fundadora e superiora geral, Ivanka Hosta.

Os abusos de poder e sexuais que um significativo número de religiosas viria a atribuir a Rupnik, caraterizaram logo esses primeiros anos. De tal forma que, quando a Comunidade Loyola foi formalmente constituída, em 1994, já se tinha verificado uma rutura, que se traduziu na saída do padre e artista, juntamente com quatro religiosas, que viriam a fundar o Centro Aletti, em Roma – laboratório e estaleiro de obras de mosaicos de temática bíblica, que, entretanto, se espalharam por todo o mundo.

O secretismo, manipulação e autoritarismo de Ivanka, que terão caraterizado a sua liderança, mais tarde denunciados pelas religiosas e bem patentes no relatório do bispo Daniele Libanori (ver 7MARGENS) poderão estar relacionados quer com o trauma, não assumido, dos estragos feitos pelo padre Rupnik, quer pelo estilo de liderança adotado pela fundadora, quando a Comunidade iniciou a sua nova etapa, na pós-rutura.

O balanço feito quer por algumas ex-religiosas quer pelas vítimas de abusos, que denunciaram publicamente, a partir de dezembro de 2022, os horrores em que viveram, retratava uma Comunidade moralmente traumatizada e internamente dividida. A decisão da Cúria Romana de a extinguir a Comunidade surge, assim, aos olhos de alguns observadores, como o desfecho lógico e expectável.

 

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