A relação entre o Concílio Vaticano II e África, desde o anúncio daquele evento maior da Igreja Católica em 1959 até à atualidade, vai estar no centro dos debates de uma conferência internacional a realizar na cidade da Praia, em Cabo Verde, de 3 a 5 de dezembro de 2025. A iniciativa cabe à Academia Portuguesa da História, que conta com a colaboração de várias instituições universitárias e culturais de Portugal e de Cabo Verde.
Tendo por mote “Vaticano II e África: Receção, Impacto e Implementação”, a conferência realiza-se na Biblioteca Nacional de Cabo Verde e propõe-se reunir especialistas das áreas da História, Teologia, Direito Canónico e Comunicação. Propostas de comunicações podem ser apresentadas até setembro próximo, sendo idiomas de trabalho o português, inglês, espanhol, francês e italiano. Os temas sugeridos vão das reações africanas ao anúncio do Concílio por João XXIII às questões relacionadas com a colonização, descolonização e relações Igreja-Estado, diálogo ecuménico e inter-religioso, liturgia, formação do clero e papel do laicado, contribuições africanas para os documentos do Concílio, entre outros.
Os organizadores citam o bispo e teólogo Patrick Kalilombe, do Malawi, como defendendo que o Concílio (1963-1965) “foi em grande parte um fórum para as preocupações das igrejas da Europa e da América na década de 1960′, tendo a presença da África sido “marginal e por procuração”. Reconhecendo haver “alguma verdade” nessa visão, ela poderia, no entanto, “subestimar o papel da África no Concílio”.
Por considerarem que o impacto, a recepção e implementação do Vaticano II na África ainda não receberam a atenção académica merecida e que predominam visões gerais, escasseando estudos de caso, os promotores entendem ser oportuno juntar docentes e investigadores destas matérias, no ano em que se evoca o 60º aniversário do encerramento do Vaticano II.
(Foto de destaque: Bispos no Concílio Vaticano II. Foto: Direitos reservados )










