
Tendo negado “categoricamente” as acusações contra si, o cardeal Lacroix, 66 anos, “renunciou temporariamente às suas atividades” em janeiro deste ano. Foto reproduzida a partir da sua conta de X @gclacroix.
A Sala de Imprensa da Santa Sé anunciou esta terça-feira, 21 de maio, que a investigação canónica preliminar solicitada pelo Papa Francisco para averiguar as acusações de agressão sexual contra o cardeal canadiano Gérald Cyprien Lacroix não prosseguirá, visto que “não foi identificada qualquer ação como má conduta ou abuso” da parte do mesmo. O nome do prelado, que pertence ao Conselho dos Cardeais (C9), foi um dos apontados numa grande ação coletiva a decorrer no Canadá, listando supostas agressões sexuais que terão ocorrido na diocese do Quebeque, nos anos 1980.
Lançada em 2022, esta ação coletiva inclui depoimentos de 147 pessoas que afirmam ter sido “agredidas sexualmente por mais de uma centena de padres ou funcionários da diocese, alguns dos quais fizeram múltiplas vítimas ou faziam parte do alto clero do Quebeque”, segundo os advogados das vítimas.
Tendo negado “categoricamente” as acusações contra si, o cardeal Lacroix, 66 anos, “renunciou temporariamente às suas atividades” em janeiro deste ano, até que a situação fosse “esclarecida”.
No passado dia 8 de fevereiro, o Papa solicitou a um ex-juiz do Quebeque, André Denis, que investigasse o clérigo como parte de uma investigação canónica preliminar para determinar o curso de ação do sistema de justiça interno da Igreja.
“O relatório da investigação canónica preliminar realizada pelo juiz foi concluído em 6 de maio de 2024 e entregue ao Santo Padre nos dias seguintes. À luz dos fatos examinados pelo juiz, o documento não prevê qualquer ação identificada como má conduta ou abuso por parte do cardeal Gérald C. Lacroix. Consequentemente, não está previsto um procedimento canónico mais aprofundado”, pode ler-se no comunicado da Santa Sé.
Na conclusão da nota, o Papa Francisco expressa o seu agradecimento ao juiz “por concluir, dentro do tempo prescrito, o mandato que lhe foi confiado e que ele realizou com imparcialidade no contexto da ação coletiva movida contra a arquidiocese do Quebeque”.
A investigação solicitada pela Igreja deixa cético Alain Arsenault, um dos advogados que tem liderado a ação coletiva contra a diocese do Quebeque, que expressou dúvidas sobre a credibilidade e independência da mesma, segundo refere o jornal La Croix International. Quanto à ação coletiva perante o Tribunal Superior de Quebeque, irá prosseguir.









