O Vaticano anunciou esta segunda-feira, 13 de outubro, a nomeação de uma equipa de juízes para analisar o caso do artista e padre esloveno Marko Yvan Rupnik, acusado de abusos de poder, sexuais e espirituais sobre um significativo número de mulheres.
Num comunicado, o Dicastério para a Doutrina da Fé disse que, com data de 9 passado, foi nomeado um painel de cinco juízes do Tribunal que vai apreciar a informação entretanto recolhida, depois de o Papa Francisco ter decidido reabrir o processo de Rupnik, em 27 de outubro de 2023.
Recorde-se que o caso deste clérigo, então membro da Companhia de Jesus, foi por duas vezes julgado no Tribunal daquele Dicastério. Em 2020, a decisão foi a do reconhecimento de uma excomunhão latae sententia, por abuso do sacramento da confissão num caso de abuso sexual em que o próprio confessor seria o abusador. Essa pena viria ser levantada menos de um mês depois, em circunstâncias que se mantiveram secretas.
Na segunda vez, e perante novos casos de abuso apresentados àquele Dicastério, por religiosas da Comunidade Loyola, em outubro de 2022, os juízes, não questionando a veracidade dos factos graves de que que o padre Rupnik era acusado, entenderam que eles tinham ocorrido em finais dos anos 80 e princípios dos anos 90 do século passado, considerando-os prescritos.
Desta vez, o prefeito para a Doutrina da Fé afirmou que foi necessário clarificar o ‘figurino’ jurídico-canónico do conceito de abuso espiritual e encontrar juízes com competência e disponíveis para integrar o painel.
Segundo o curto comunicado agora divulgado, o coletivo de juízes, cuja identidade não foi revelada, é “composto de mulheres e clérigos que não fazem parte do Dicastério para a Doutrina da Fé nem têm qualquer ligação institucional com outros dicastérios da Cúria Romana”.
A escolha desses juízes foi feita com a finalidade de “melhor assegurar, como em qualquer processo judicial, a autonomia e independência” do Tribunal, refere também o comunicado.
Não foi referida qualquer data para o início das sessões de julgamento, ainda que, em julho último, se tenha aventado esse arranque para este mês.










