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Vida Consagrada

Vaticano obriga Arautos do Evangelho a entregar menores às famílias

| 10/09/2021

Celebração na Semana Santa de 2010, na Igreja de San Benedetto in Piscinula, em Roma, entregue aos Arautos. Foto © Knight746/Wikimedia Commons

 

Os Arautos do Evangelho que acolham menores nas suas instituições devem entregá-las às respetivas famílias, de acordo com um decreto da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica.

A medida, datada já de 22 de junho último, refere que “todos os menores admitidos a qualquer título na associação privada de Arautos do Evangelho ou que residam em casas, colégios ou internatos da mesma associação, ou ainda nas localidades de Virgo Flos Carmeli e Regina Virginum, devem regressar para as suas famílias no fim do ano letivo e serem confiadas aos respectivos pais”. 

O cardeal Raymundo Damasceno Assis, arcebispo emérito de Aparecida, que foi nomeado comissário pontifício para os Arautos do Evangelho em 2019, foi o encarregado de transmitir a decisão de Roma, o que aconteceu em 10 de agosto. Porém, os responsáveis da organização visada recorreram da decisão, argumentando com irregularidades e ilegalidades no decreto, assinado pelo prefeito da Congregação romana, o cardeal brasileiro João Braz de Aviz.

O documento expressa a posição de ser indispensável que as crianças tenham um relacionamento com as respetivas famílias. Visa, deste modo, “prevenir qualquer situação que possa favorecer possíveis abusos de consciência contra menores e sua submissão total”.

O cardeal Braz de Aviz explicou que a decisão foi tomada “à luz das informações recebidas pela Sé Apostólica” da parte dos pais dos menores, que se queixam de que as famílias de origem são, na maioria das vezes, excluídas da vida de seus filhos, e que o contacto com os pais não seja suficientemente garantido”. O cardeal acrescentou ainda um outro fator que foi tido em conta: “O tipo de disciplina excessivamente rígida praticada nas comunidades dos Arautos do Evangelho.”

Em comunicado enviado à Agência Católica de Notícias, através da ACI Digital, sua parceira para o noticiário em língua portuguesa, a assessoria de imprensa dos Arautos afirma que, das três entidades citadas no decreto, apenas a Associação Privada Internacional dos Fiéis dos Pontifícios Arautos do Evangelho acolhe “adolescentes menores, com autorização escrita da pais ou tutores, que mantêm os seus direitos parentais”, sendo as outras duas “instituições civis e autónomas”, ainda que inspiradas pela primeira. Além disso, queixa-se que nem eles nem os pais foram ouvidos antes da tomada das medidas pelo Vaticano. 

Os Arautos do Evangelho estão presentes em Portugal, nomeadamente em Lisboa, Braga e Guimarães. Numa reportagem recente da TVI, ficou-se a saber que a investigação determinada pela Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica incidiu sobre todas as instituições ligadas aos Arautos do Evangelho, independentemente do país. No entanto, as equipas da TVI foram sempre mal recebidas e o responsável pelos Arautos ter-se-á recusado sempre a falar com os jornalistas.

 

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