Por ocasião do Vesak
Vaticano pede a cristãos e budistas que sejam “artífices da paz, não observadores passivos”
Por ocasião da festa do Vesak – o tempo sagrado em que se comemora o nascimento, a iluminação e a morte de Buda – o Dicastério para o Diálogo Inter-religioso do Vaticano emitiu uma mensagem que convoca cristãos e budistas a um compromisso comum: agir contra a violência global.
“Esse caminho exige mais do que meras palavras; requer uma mudança de atitudes e um compromisso com ações concretas”, pode ler-se no documento, assinado pelo cardeal George Jacob Koovakad, prefeito do Dicastério. “Junto com todos os fiéis, somos convidados a tornar-nos artífices da paz — não observadores passivos, mas testemunhas corajosas capazes de promover o encontro, curar feridas e reconstruir a confiança”, acrescenta.
O Vaticano destaca que as duas tradições espirituais contêm orientações fundamentais para superar a hostilidade mundial. Por um lado, recorda que “os ensinamentos de Buda oferecem um caminho iluminador”, citando a lei eterna de que “o ódio nunca é apaziguado pelo ódio; somente com a ausência de ódio o ódio é apaziguado”. A mensagem recupera ainda o preceito budista para que “ninguém engane o outro nem despreze nenhum ser”.
Do lado cristão, o documento aponta o mandato evangélico da reconciliação ativa. A mensagem lembra que “Jesus chama os seus discípulos a ‘amar os seus inimigos e rezar por aqueles que os perseguem'” e sublinha a bem-aventurança “felizes os que promovem a paz”.
Ambas as perspetivas convergem, assim, para “uma paz que desarma os corações antes de desarmar as mãos”, pelo que cristãos e budistas partilham “a responsabilidade de promover a paz, combater a injustiça e instar aqueles que detêm o poder a não alimentarem divisões”.
O Vaticano deixa ainda um aviso contra a inação dos cidadãos religiosos face às injustiças, declarando que se deve “evitar a cumplicidade por meio do silêncio ou do medo”.