Embora reconhecendo resistências

Vaticano põe em destaque frutos do acordo com a China

| 24 Out 2022

cardeal antonio tagle foto vatican media

O cardeal, atualmente nas funções de prefeito do Dicastério para a Evangelização dos Povos, traça um quadro positivo das comunidades católicas na China. Foto © Vatican Media.

 

O secretário de Estado do Vaticano, Pietro Parolin, considerou a renovação do acordo provisório com a República Popular da China sobre a nomeação de bispos católicos “um compromisso imperfeito”, mas indicou vários frutos positivos desse acordo.

A Santa Sé revelou nos últimos dias que tinha chegado a bom porto a segunda revisão do acordo, cujas negociações decorreram nos últimos meses sob grande secretismo. O conteúdo do texto revisto continua também a ser secreto.

Em entrevista a Andrea Tornielli, publicada pelo Vatican News, o cardeal Parolin indicou “três frutos principais” conseguidos com o acordo. O primeiro é que, desde que o texto foi assinado, em setembro de 2018, todos os bispos da Igreja Católica na China “estão em plena comunhão” com o Papa, não tendo havido mais “ordenações episcopais ilegítimas”. Um resultado concreto é que, na oração eucarística das missas, passou a mencionar-se explicitamente o Papa, “algo que era impensável anos atrás”, refere o secretário de Estado.

O segundo fruto foram as primeiras seis ordenações episcopais que ocorreram dentro do espírito do acordo e em conformidade com o procedimento estabelecido, que “deixa ao Papa a palavra final e decisiva”.

Neste mesmo período, também os primeiros seis bispos “clandestinos” viram a sua situação oficializada, passando a ser reconhecidos como bispos pelas instituições públicas. Este é o terceiro fruto.

Pietro Parolin refere, na entrevista, que o acordo permite “a consolidação de um bom diálogo institucional e cultural” com a China. No entanto, no seu âmago, ele diz respeito “aos bens essenciais para a vida quotidiana da Igreja” naquele país. Resultados: a validade dos sacramentos celebrados e “a certeza, para milhões de fiéis chineses, de poderem viver a sua fé na plena comunhão católica, deixando de ser suspeitos de não serem cidadãos leais ao seu país”.

 

Longo processo de aproximação

Há, no entanto, problemas que continuam em aberto. Segundo o responsável do Vaticano, ainda há muitas dioceses vagas e outras que têm bispos muito idosos. Há também dioceses “em que o caminho da reconciliação, tão desejado pelo Papa Francisco, está a marcar passo”. E há, finalmente, dioceses nas quais, “apesar dos esforços e da boa vontade, não é possível ter um diálogo frutífero com as autoridades locais”.

As dificuldades exigem “novos passos, numa relação de colaboração que tem múltiplos protagonistas: a Santa Sé, as autoridades centrais [da China], os bispos com suas comunidades e as autoridades locais”. E exigem a “diplomacia da paciência”, como dizia o Papa, em julho deste ano, numa entrevista à Reuters.

É público que este acordo suscitou e suscita vivas reações, na China e fora dela. O expoente máximo da contestação tem sido o bispo emérito de Hong Kong, o cardeal Joseph Zen, atualmente perseguido pelas autoridades chinesas e do qual se disse que o Vaticano não o apoiou com frontalidade para não perturbar a revisão do acordo agora renovado.

Mas no interior da República Popular da China a resistência continua a fazer-se sentir. Numa entrevista ao Vatican News, o cardeal filipino Luis Antonio Tagle, ele próprio com antepassados nascidos na China, reconhece isso mesmo: “A Santa Sé não ignora nem minimiza as diferenças de reações entre os católicos chineses diante do acordo, onde a alegria de muitos se confunde com as perplexidades de outros. Faz parte do processo. Mas é preciso ’sujar as mãos’ com a realidade das coisas como elas são”.

Para este purpurado, foi desenvolvido um processo longo de aproximação ao lado chinês, procurando identificar as fontes dos entraves e dificuldades históricas e encontrar modos de conciliar as posições de um lado e de outro. O ponto a que se chegou, apenas no tocante à nomeação de bispos, foi a possibilidade de encontrar “pastores bons e dignos”, que também fossem reconhecidos pelo lado chinês.

Tagle relativiza o facto de, ao abrigo do acordo, as autoridades civis chinesas intervirem no processo de nomeação dos prelados. Isso aconteceu em muitos outros lados e, segundo ele, sempre foi resultado de uma necessidade de adaptação às particularidades locais, sem sacrificar os princípios da Igreja. Dá o exemplo do “padroado real” que vigorou muito tempo no seu país e não esquece que “mesmo São Francisco Xavier e os jesuítas faziam a sua missão na Índia sob o patrocínio da Coroa portuguesa”.

O cardeal, atualmente nas funções de prefeito do Dicastério para a Evangelização dos Povos, no Vaticano, traça um quadro positivo das comunidades católicas na China:

“Vejo que as paróquias e as comunidades desenvolvem trabalhos pastorais e caritativos com fervor e criatividade em toda a China. Todos os anos há muitos novos batismos, incluindo entre adultos”, observou.

 

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