“Budistas, cristãos, hindus, jainistas e sikhs na Europa: construindo fraternidade por meio do diálogo e da colaboração” foi o tema de um encontro realizado na última semana na Pontifícia Universidade de São Tomás de Aquino, em Roma, por iniciativa do Dicastério para o Diálogo Inter-religioso.
A iniciativa, que se segue a outra realizada em 2025, reuniu líderes religiosos proeminentes, académicos, estudiosos e representantes quer das religiões dharmicas quer do cristianismo, preocupados com “o fortalecimento da fraternidade humana por meio do diálogo e da cooperação inter-religiosa na Europa”.
Como parceiros, o Dicastério para o Diálogo Inter-Religioso teve o Conselho das Conferências Episcopais da Europa, o Movimento dos Focolares, o Instituto para as Relações Inter-religiosas do Angelicum, o Fórum Hindu da Europa, a União Budista Europeia, o Instituto de Jainologia do Reino Unido e a Sociedade Sikhi Sewa da Itália.
No relato feito pela Sociedade Internacional da Consciência Krishna, que esteve representada, o encontro foi “estruturado em torno de um diálogo entre duas vozes complementares”. Por um lado, sociólogos eminentes da religião e académicos reconhecidos “trouxeram profundidade analítica aos trabalhos, examinando as dinâmicas sociais do pluralismo religioso na Europa contemporânea e as condições estruturais que tanto fomentam como dificultam a cooperação inter-religiosa”. Ao lado deles, líderes espirituais e praticantes de cada tradição ofereceram testemunhos na primeira pessoa, fundamentando as discussões na fé vivida e nos desafios concretos enfrentados pelas comunidades religiosas no continente.
Na intervenção inicial, o cardeal George Jacob Koovakad, prefeito do dicastério promotor, observou que “o conceito de fraternidade é frequentemente considerado uma ideia utópica”, especialmente num momento em que é “seriamente minado por crimes contra a Humanidade, guerras, violência, conflitos, divisões, discriminação e ódio em várias partes do mundo”.
Koovakad recordou o “espírito de Assis” do Dia Mundial de Oração pela Paz, convocado por São João Paulo II em 1986, cujo 40º aniversário se evoca em breve, e o 800º aniversário da morte de São Francisco, “o apóstolo da fraternidade universal”, que inspirou a encíclica do Papa Francisco sobre a fraternidade humana, Fratelli tutti. Recorrendo a palavras de Leão XIV, o cardeal prefeito acentuou que a fraternidade é “uma realidade vivida, mais forte do que conflitos, diferenças e tensões”, que transforma “culturas, sensibilidades e tradições em uma oportunidade de enriquecimento mútuo”.
Contextualizando este encontro, a jornalista Nirmala Carvalho escreve no jornal católico Crux: “As tradições dhármicas da Índia, em que se inscrevem o hinduísmo, o budismo, o jainismo e o sikhismo, em certa medida, definem-se pelkas noções centrais de ordem e dever cósmicos (dharma), justiça moral e cósmica (karma), crença na reencarnação (samsara) e iluminação espiritual (nirvana ou moksha)”.
O que essas tradições têm em comum com o pensamento filosófico e religioso ocidental e em que medida é possível o entendimento mútuo, quando as crenças são, em última análise, incompatíveis terá sido debatido no encontro de 23 e 24 de junho, segundo a jornalista.
Em qualquer caso, os participantes no encontro da Universidade de S. Tomás de Aquino, também conhecida por Angelicum, reconheceram o papel fundamental da fraternidade na construção de comunidades coesas e pacíficas, alimentada também pelo testemunho dos crentes, “através de ações concretas que promovam a paz, a harmonia e o bem-estar de todos”.










