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O bispo Francis Li Jianlin foi ordenado chefe da Prefeitura Apostólica de Xinxiang, Henan, China, em 5 de dezembro. Foto Conferência Episcopal da Igreja Católica na China
O Papa Leão XIV havia nomeado o bispo Jianlin, que agora irá substituir Zhang, no passado dia 11 de agosto. Foto Conferência Episcopal da Igreja Católica na China

Decisão polémica

Vaticano substitui bispo católico só agora reconhecido por Pequim (e com paradeiro desconhecido)

| 09/12/2025

O Vaticano optou por substituir Joseph Zhang Weizhu, um bispo católico chinês que foi várias vezes detido por resistir às políticas de repressão religiosa do governo de Pequim e cujo paradeiro é desconhecido, numa medida diplomática que gerou críticas no seio da Igreja clandestina.

Weizhu, de 69 anos, deixou, assim, de ser oficialmente o chefe da Prefeitura Apostólica de Xinxiang, tendo já tomado o seu lugar o bispo Francis Li Jianlin, de 51 anos, numa cerimónia de ordenação que se realizou no passado dia 5 de dezembro, de acordo com uma notícia avançada esta terça-feira pela UCA News.

Segundo a organização Catholic Vote, sediada nos EUA, as autoridades chinesas terão impedido o bispo Zhang de participar nesta cerimónia. Ordenado secretamente com a aprovação do Vaticano em 1991 e nunca reconhecido por Pequim, o prelado foi preso pela última vez em maio de 2021, juntamente com outros padres, sob a alegação de terem violado as normas que exigem o registo do clero junto do Estado. Embora os restantes presbíteros tenham sido entretanto libertados, o paradeiro do bispo Zhang permanece desconhecido até hoje.

O Vaticano terá recentemente aceitado a renúncia de Zhang (seis anos antes da idade canónica da reforma, que é de 75 anos) e, pouco tempo depois, as autoridades chinesas tê-lo-ão reconhecido formalmente como bispo. Um comunicado da Santa Sé, datado de 6 de dezembro, saudou o seu “reconhecimento civil” e afirmou que o acontecimento representa um “passo importante” no diálogo em curso com Pequim.

“Esta medida é resultado do diálogo entre a Santa Sé e as autoridades chinesas e representa um novo e importante passo na jornada comunitária da circunscrição eclesiástica”, afirmou o porta-voz do Vaticano, Matteo Bruni, nesse comunicado.

Mas, segundo a UCA News, os acontecimentos recentes suscitaram críticas dentro da Igreja clandestina. Um padre de Xinxiang, que escreveu sob anonimato para o AsiaNews no passado dia 6, afirmou que esta ordenação “abre novas feridas em vez de curar as antigas”. E lembrou que o bispo Zhang permanece detido, impossibilitado de comparecer à consagração, e sem permissão para receber visitas de familiares.

O mesmo prelado acusou Pequim de violar o “espírito” do acordo provisório sobre a nomeação de bispos, assinado pela primeira vez em setembro de 2018, e disse que a Igreja “se vê forçada ao silêncio e à humilhação”.

O Vaticano tem afirmado que o acordo é de natureza pastoral e visa unificar os cerca de 10 milhões de católicos da China. No entanto, muitos argumentam que este pacto encorajou o Estado a intensificar a pressão sobre o clero clandestino e contribuiu para que o Vaticano permanecesse em silêncio diante das violações dos direitos humanos na China, incluindo a repressão da liberdade religiosa.

O cardeal Joseph Zen Ze-kiun, bispo emérito de Hong Kong e crítico acérrimo do acordo, tem-no classificado repetidamente como uma “traição” e uma “rebelião” contra os católicos clandestinos que sofreram décadas de perseguição por permanecerem leais ao Papa.

O Papa Leão XIV havia nomeado o bispo Jianlin, que agora irá substituir Zhang, no passado dia 11 de agosto, ao abrigo desse mesmo acordo.

 

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