O Vaticano optou por substituir Joseph Zhang Weizhu, um bispo católico chinês que foi várias vezes detido por resistir às políticas de repressão religiosa do governo de Pequim e cujo paradeiro é desconhecido, numa medida diplomática que gerou críticas no seio da Igreja clandestina.
Weizhu, de 69 anos, deixou, assim, de ser oficialmente o chefe da Prefeitura Apostólica de Xinxiang, tendo já tomado o seu lugar o bispo Francis Li Jianlin, de 51 anos, numa cerimónia de ordenação que se realizou no passado dia 5 de dezembro, de acordo com uma notícia avançada esta terça-feira pela UCA News.
Segundo a organização Catholic Vote, sediada nos EUA, as autoridades chinesas terão impedido o bispo Zhang de participar nesta cerimónia. Ordenado secretamente com a aprovação do Vaticano em 1991 e nunca reconhecido por Pequim, o prelado foi preso pela última vez em maio de 2021, juntamente com outros padres, sob a alegação de terem violado as normas que exigem o registo do clero junto do Estado. Embora os restantes presbíteros tenham sido entretanto libertados, o paradeiro do bispo Zhang permanece desconhecido até hoje.
O Vaticano terá recentemente aceitado a renúncia de Zhang (seis anos antes da idade canónica da reforma, que é de 75 anos) e, pouco tempo depois, as autoridades chinesas tê-lo-ão reconhecido formalmente como bispo. Um comunicado da Santa Sé, datado de 6 de dezembro, saudou o seu “reconhecimento civil” e afirmou que o acontecimento representa um “passo importante” no diálogo em curso com Pequim.
“Esta medida é resultado do diálogo entre a Santa Sé e as autoridades chinesas e representa um novo e importante passo na jornada comunitária da circunscrição eclesiástica”, afirmou o porta-voz do Vaticano, Matteo Bruni, nesse comunicado.
Mas, segundo a UCA News, os acontecimentos recentes suscitaram críticas dentro da Igreja clandestina. Um padre de Xinxiang, que escreveu sob anonimato para o AsiaNews no passado dia 6, afirmou que esta ordenação “abre novas feridas em vez de curar as antigas”. E lembrou que o bispo Zhang permanece detido, impossibilitado de comparecer à consagração, e sem permissão para receber visitas de familiares.
O mesmo prelado acusou Pequim de violar o “espírito” do acordo provisório sobre a nomeação de bispos, assinado pela primeira vez em setembro de 2018, e disse que a Igreja “se vê forçada ao silêncio e à humilhação”.
O Vaticano tem afirmado que o acordo é de natureza pastoral e visa unificar os cerca de 10 milhões de católicos da China. No entanto, muitos argumentam que este pacto encorajou o Estado a intensificar a pressão sobre o clero clandestino e contribuiu para que o Vaticano permanecesse em silêncio diante das violações dos direitos humanos na China, incluindo a repressão da liberdade religiosa.
O cardeal Joseph Zen Ze-kiun, bispo emérito de Hong Kong e crítico acérrimo do acordo, tem-no classificado repetidamente como uma “traição” e uma “rebelião” contra os católicos clandestinos que sofreram décadas de perseguição por permanecerem leais ao Papa.
O Papa Leão XIV havia nomeado o bispo Jianlin, que agora irá substituir Zhang, no passado dia 11 de agosto, ao abrigo desse mesmo acordo.










