Ser batizado do sexo feminino impede o acesso ao ministério ordenado? Numa matéria tão condicionada culturalmente, será possível alcançar uma verdade infalível? E se a Igreja reconhecesse que não tem a faculdade para excluir a mulher do ministério ordenado? Eis algumas das questões às quais o padre e teólogo José Frazão Correia procurará responder ao longo do próximo curso da Brotéria – o centro cultural dos Jesuítas em Lisboa – que decorrerá de 1 a 3 de abril. Intitulado “As mulheres na Igreja e o (não) acesso ao ministério ordenado”, o curso destina-se “a todos os que tenham o desejo de compreender melhor este problema” e as inscrições ainda estão abertas.
“O meu objetivo não é o de puxar mais para um lado ou para outro, apesar de obviamente no meu estudo chegar a determinadas conclusões… Tenho sobretudo o desejo de que este curso possa ajudar as pessoas a perceber o que é que está em causa, quais são os argumentos apresentados num sentido e noutro, qual a sua força ou a sua fragilidade, e como é que nos podemos colocar de forma inteligente e séria diante desta questão que diz respeito à vida interna da Igreja, mas também ao modo como a Igreja se situa diante das interpelações e interrogações que lhe são feitas pelo espaço cultural onde se insere”, adianta ao 7MARGENS o padre José Frazão Correia.
O também diretor da revista Brotéria, que tem dedicado parte da sua investigação académica a este tema, explica que a principal motivação para a organização do curso veio do Documento Final do Sínodo. “No número 60, é feita uma declaração significativa em relação a não haver impedimentos para que as mulheres assumam funções de liderança na Igreja e a dizer também que o acesso das mulheres ao ministério diaconal permanece em aberto”, assinala. E recordando que, ao longo de todo o processo do Sínodo, “este tema foi sempre surgindo como incontornável na reflexão, desde as primeiras auscultações e transversalmente nas comunidades, dioceses, conferências episcopais”, mesmo “tendo em conta as disparidades culturais que existem dentro da Igreja”, o jesuíta não tem dúvidas: “a sinodalidade não pode passar ao lado dele” e “por mais delicado e difícil de tratar” que ele seja, é preciso “perder o pudor” em fazê-lo.

O padre José Frazão Correia tem dedicado parte da sua investigação académica a este tema. Foto © André Mendonça
O padre José Frazão Correia propõe, assim, um curso que se divide em três sessões, as quais decorrerão sempre entre as 19horas e as 20h30. “No primeiro dia [terça-feira, 1 de abril], vamos tentar perceber o que está em jogo – porque a Igreja tem dificuldade em identificar o problema e em colocá-lo de facto – e aqui parece-me interessante, sobretudo, identificar o que é que é a revelação em relação à qual a Igreja está obrigada e o que é que é fruto de contingências históricas”, partilha.
Já no segundo dia, o teólogo pretende “fazer uma resenha rápida dos principais pronunciamentos do magistério católico sobre esta matéria e, depois, revisitar alguns elementos da natureza bíblica”. Por fim, no terceiro dia, “tentaremos recolocar o problema no momento atual para perceber quais são os argumentos avançados, qual a sua consistência e, eventualmente, a sua fragilidade”, revela ainda.
O curso, que conta já com cerca de cem pessoas inscritas, poderá ser feito na modalidade presencial ou via streaming, estando previsto um período no final de cada sessão para “responder a questões, interpolações, interrogações, dentro da disponibilidade de tempo e dentro dos constrangimentos técnicos pelo facto de ser um curso seguido presencialmente e online”, assinala o padre José Frazão Correia.
As inscrições estarão abertas “até pouco antes do início do curso”, têm o valor de 15 euros para ambas as modalidades, e podem ser feitas no sítio oficial da Brotéria. Para aqueles que não tenham possibilidade de participar na próxima semana, mas pretendam realizar o curso, uma boa notícia: “haverá também a possibilidade de o adquirirem posteriormente na loja online e assistirem quando quiserem”.
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