Vendo o presente e construindo o futuro
Nesta “estação de pandemia” parece estarmos em descensĂŁo, reconquistando, pouco a pouco, uma “nova normalidade”. Com prudĂŞncia, para continuar a vigiar a extensĂŁo do vĂrus, mas afirmando e confiando na responsabilidade de cada um e de todos na gestĂŁo da sua saĂşde e da saĂşde da comunidade, sem discriminação pela idade e respeitando a autonomia pessoal, que nĂŁo Ă© outra senĂŁo a capacidade de cumprir com as prĂłprias obrigações morais.
Aprendemos muito nestas semanas. Coisas boas, provavelmente. Também coisas que devem ser melhoradas e que todos devemos assumir:
Somos todos vulneráveis. Provavelmente, uns mais do que outros. Alguns reclamam que as suas necessidades sejam atendidas de uma maneira diferenciada. Há pessoas que têm sérias dificuldades para serem reconhecidas como sujeitos de direitos; também de direitos à assistência sanitária, à casa, à educação e à liberdade de decidir. Que não valem fórmulas simples para realidades complexas. Que tratando todas as pessoas do mesmo modo, falta-se à equidade e ao reconhecimento de que a igual dignidade merece igual estima e consideração, mas nem sempre o mesmo procedimento.
Saúde. Que a saúde é mais que biologia mecanicista individual que funciona corretamente, que é vida “auto-insuficiente” com significado, que necessita de relação e compromisso.
Pessoa toda e todas as pessoas. Que há serviços essenciais que nĂŁo podem ser substituĂdos pelo teletrabalho, pois exigem intervenções qualificadas de cuidados que podem originar graves riscos sendo suspensos; por isso devem retomar-se quanto antes os serviços de apoio direto a pessoas com dependĂŞncia e/ou deficiĂŞncia, os tratamentos individualizados de tipo socio-sanitário de que necessitam adultos e menores com deficiĂŞncia ou necessidades especiais, e as medidas educativas de caráter comunitário para famĂlias em situação de risco e pessoas com vulnerabilidade social.
Sistema ao serviço das pessoas. Que estabelecer um sistema eficaz e suficientemente dimensionado de serviços sociais, que possa preservar e enriquecer as relações e os apoios comunitários, Ă© imprescindĂvel, porque nĂŁo podemos permitir que o prĂłximo grande colapso seja o das instituições sociais de proximidade e de solidariedade. Que a “crise de cuidados” e o “envelhecimento das nossas sociedades”, temas dominantes nos fĂłruns acadĂ©micos, econĂłmicos e polĂticos, foram neste tempo desafios que nos fizeram ver que as relações comunitárias nos ambientes naturais sĂŁo indispensáveis.
Valorização do serviço às pessoas. Que há compromissos e lealdades, profissionais ou voluntários, que não se pagam com “salários”, mas com “honorários”, quer dizer com reconhecimento social a quem para além das suas obrigações legais, presta uma atenção de excelência correndo riscos, porque sabe que na relação assistencial não só se joga a dignidade da pessoa atendida (acariciada, alimentada, cuidada, educada, lavada, protegida ou tratada), mas o próprio projeto de autorrealização pessoal.
Ajudas Ă s pessoas. Que as ajudas de emergĂŞncia, beneficentes e gratuitas, numa sociedade justa, nĂŁo podem nem devem ser o modo habitual de enfrentar o empobrecimento das pessoas, pelo que se deve garantir um rendimento básico a toda a cidadania que assegure mĂnimos de vida sadia.
Justiça. Que a justiça requer argumentação, conhecimentos, deliberação e transparĂŞncia nas diferentes perspetivas, com a convicção de que qualquer olhar Ă© sempre limitado e necessita complementar-se a partir de outras experiĂŞncias, sempre contidas e subjetivas, porque a subjetividade está no olhar e nĂŁo no vĂrus.
A vida Ă© comunhĂŁo. Que, em qualquer momento, podemos morrer e que nĂŁo Ă© a mesma coisa morrer bem ou morrer mal, acompanhado ou isolado, porque morrer deve ser sempre “con-morrer”, como viver Ă© sempre “con-viver”. Por isso, como sociedade, devemos reconhecer a dĂvida que contraĂmos com as pessoas que faleceram em absoluta solidĂŁo e sem se despedirem dos seus familiares. TambĂ©m devemos fazer o necessário para aliviar o dano que sofreram os seus entes queridos.
A vida Ă© um dom de Deus. Ateus ou crentes, confrontamo-nos com um misterioso vĂrus que, em menos de trĂŞs meses, colocou o mercado financeiro em alerta, desacelerou a economia global, modificou os hábitos quotidianos, reavivou medos ancestrais e pĂ´s em xeque os lĂderes do planeta. E obrigou-nos a confirmar a fragilidade humana e a disputar a sobrevivĂŞncia, a sentir a necessidade do abraço e a valorizar o coletivo, a vergar-nos perante uma “mĂŁo poderosa e misericordiosa” que tudo fez e a sondar a (re)significação da vida.
Lino Maia é padre católico da diocese do Porto e presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS)
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Por ocasião dos 100 anos da morte de São José Allamano, assinalados este ano, o Consolata Museu, em Fátima, tem patente ao público uma exposição dedicada a este fundador dos dois institutos missionários. [Texto de Juliana Batista].
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O Papa presidirá a todas as 14 estações da Via Sacra no Coliseu de Roma, carregando a cruz pessoalmente durante toda a liturgia, que será marcada pelas meditações escritas pelo frei franciscano Francesco Patton, ex-Custódio da Terra Santa (2016-2025) e que atualmente vive no santuário do Memorial de Moisés no Monte Nebo, na Jordânia.
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A comissĂŁo coordenadora da tradução da BĂblia da ConferĂŞncia Episcopal Portuguesa acaba de divulgar as propostas de texto para o Livro de Naum e o Livro de Malaquias e aguarda agora o contributo dos leitores para melhorar a compreensibilidade dos textos.
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Boas notĂcias
Apelo de Metz
Com LeĂŁo XIV, lĂderes das grandes religiões assumem compromisso de uniĂŁo pela paz e dignidade humana
Os representantes das principais tradições religiosas presentes em França comprometeram-se esta segunda-feira, na cidade de Metz, a aprofundar o diálogo entre si, a educar as novas gerações para o conhecimento mútuo e a permanecerem unidos na promoção da justiça e da paz.
É notĂcia
[MĂŁos Ă Obra]
Projeto da Escola Básica e Secundária de Vialonga distinguido
Quando a tecnologia está nas bocas do mundo nĂŁo pelas melhores razões, nada melhor para do que descortinar sinais de esperança que nos levam a ter uma outra visĂŁo sobre a mesma. As boas notĂcias, mesmo as tecnolĂłgicas, tambĂ©m fazem parte do nosso quotidiano. Hoje queremos dar-vos a conhecer o CDI – Center of Digital Inclusion atravĂ©s de algumas das suas iniciativas, nomeadamente o projecto Apps for Good Portugal.
Aos leitores
Problemas na “newsletter” do 7MARGENS
Desde o inĂcio desta semana que a newsletter enviada por correio eletrĂłnico aos leitores do 7MARGENS tem chegado tarde ou com problemas de leitura.
Sondagem nos EUA revela
Pandemia não provocou a anunciada “recessão religiosa”
A percentagem de adultos americanos que dizem frequentar serviços religiosos pelo menos uma vez por mês caiu três pontos percentuais (passou de 33% para 30%) entre 2019 e 2022, não sustentando os receios de que a pandemia produzisse uma “recessão religiosa”.
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Igreja na ĂŤndia recorda massacre de 2008
Treze anos depois da onda de violĂŞncia que varreu o Estado de Orissa, na ĂŤndia, provocando mais de 100 mortos, a justiça Ă© ainda uma miragem, denuncia a Fundação AIS. Desde 2016 que Ă© celebrado pela Igreja em Orissa o dia dos Mártires.Â
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Um padre que dirigia um orfanato no Haiti foi morto a tiro, Andrè Sylvestre, de 70 anos de idade, foi assassinado na tarde de segunda-feira, 6 de setembro, durante uma tentativa de assalto, revelou a Fundação AIS.Â
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[Entre Margens]
Joana Lopes: 88 cravos Ă sua memĂłria
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Guerras e mudanças de regime
Já muitos se terĂŁo esquecido, ao acompanhar a trágica e intrincada evolução da guerra entre Estados Unidos e Israel e o IrĂŁo, que, no seu inĂcio, essa guerra foi apresentada como tendo por objetivo primacial o de derrubar um regime ditatorial e opressor, que há pouco tempo havia reprimido de forma violenta e mortĂfera a contestação de largas canadas da população sedentas de uma liberdade que essa guerra lhes haveria de proporcionar. [Texto de Pedro Vaz Patto].
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Com efeito, o sentido do mistério absoluto que a vida é começa com a consciência da consciência. A própria filosofia, de resto, começa com a consciência da consciência. É que, com a consciência da consciência, o homem desperta, assombrado, para a realidade misteriosa e radical da sua própria existência, e da Existência enquanto tal, como um todo. [Texto de Rúben Azevedo].
Cultura e artes
NAZA estreou nos cinemas
O filme israelita que documenta o genocĂdio em Gaza
Os realizadores Yuval Abraham e Rachel Szor trazem-nos um filme, NAZA, que Ă© um objeto de cinema que ultrapassa os limites do ecrĂŁ e nos coloca frente a frente com a máquina de morte que Israel montou para destruir Gaza – cometendo genocĂdio.
Cinema
Pela primeira vez, um filme produzido com o Vaticano entra na corrida aos Óscares
É um feito inédito: uma produção realizada em colaboração com o Vaticano está a iniciar o processo de qualificação para os prémios da Academia de Hollywood. Trata-se de Green Lava, documentário de 39 minutos realizado por Lia Beltrami e Ali Aksu, que acompanha a vida de Giacomo Mattivi, um jovem italiano com distrofia muscular de Duchenne.
Em 17 de outubro
Arquitetura e artes para a liturgia: arcebispo de Braga convida para encontro
Arquitetos, engenheiros, artistas, presbĂteros, responsáveis de comunidades paroquiais e todos os envolvidos na construção e adequação de espaços litĂşrgicos estĂŁo convidados a participar no I Encontro Diocesano de Arquitetura e Artes para a Liturgia, que se realiza no prĂłximo dia 17 de outubro, em Braga.
a importância que uma farda tem (1)
“Tomo um verso de GuimarĂŁes Rosa: todo o dia Ă© vĂ©spera, para breves glosas da nossa circunstância”, diz LuĂs Soares Barbosa, poeta e professor na Universidade do Minho, que a 24/25 de cada mĂŞs, assinalando a data da implantação da democracia em Portugal, publica um poema que Ă©, “uma espĂ©cie de comentário sobre a nossa circunstância portuguesa”.
Projeto recorre a IA
Evangelhos em rock, Salmos em jazz, Apocalipse em hip-hop: chegou a BĂblia cantada
Toda a BĂblia pode agora ser ouvida em modo cantado, num novo projeto que recorre Ă InteligĂŞncia Artificial (IA) para reproduzir os textos em 16 estilos musicais diferentes.
Sete Partidas
7Partidas
Vinte e cinco anos depois
Em 2001, vivĂamos em San Francisco. Naquela segunda-feira, dia 11 de Setembro, fomos acordados pelo meu sogro, que nos ligava da Alemanha para avisar que os EUA estavam a ser atacados. Em San Francisco era ainda madrugada; em Nova Iorque passava das nove da manhĂŁ, e as duas torres já estavam a arder. [Texto de Helena AraĂşjo].
Aquele que habita os céus sorri
[Entre o quadro e o mundo (31)]
Como pode a escola construir pontes num mundo de muros?
O novo episódio do podcast Entre o Quadro e o Mundo parte da metáfora da ponte para pensar o papel da escola num tempo marcado pela polarização, pelas diferenças culturais e geracionais e pela crescente presença da inteligência artificial.
Agenda
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