Venezuela “a desmoronar-se” entre a fome e o coronavírus, com 96% das pessoas em situação de pobreza

| 21 Jul 20

pobreza venezuela, Foto ACN

Segundo estudos recentes, 79% dos venezuelanos estão em situação de pobreza extrema. Foto © ACN – Portugal

 

A Venezuela está “a desmoronar-se” e precisa urgentemente de ajuda humanitária internacional. “Caso contrário, não temos outra alternativa: ou morremos do coronavírus ou morremos de fome”, afirma o bispo católico de San Carlos (Venezuela), Polito Rodriguez Méndez, sobre a situação que se vive atualmente no país.

Citado pela fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), o bispo de San Carlos, 250 quilómetros a sudoeste da capital, Caracas, não tem dúvidas: “As coisas pioram todos os dias”, pois “a economia está paralisada, não há indústria nem trabalho na agricultura.” O resultado desta anemia reflete-se no Produto Interno Bruto que, segundo Méndez, “está abaixo de zero”, e há pessoas que passam dias sem comer, por não terem rendimentos suficientes que lhes permitam adquirir bens alimentares.

“Uma família ganha cerca de três ou quatro dólares por mês [pouco menos, em euros], mas uma caixa de ovos custa dois e um quilo de queijo três dólares… Antes, as pessoas eram pobres, agora não conseguem sobreviver…”, alerta o bispo. Devido à quarentena imposta como medida de contenção da pandemia, os preços subiram ainda mais. “É impossível continuar assim.”

O relato de Polito Méndez é o espelho do mais recente estudo sobre as condições de vida dos venezuelanos, promovido pela Universidade Católica Andrés Bello e pelo Instituto de Investigações Económicas e Sociais. No período entre novembro de 2019 e março de 2020, o nível de pobreza bateu recordes: 96% dos lares encontram-se atualmente em situação de pobreza, e 79% estão na condição de pobreza extrema, o que significa que os seus rendimentos não são suficientes sequer para adquirir uma cesta básica de alimentos. Estima-se que haja 639 mil crianças com menos de 5 anos a sofrer de malnutrição crónica.

Ao nível das remessas externas, que alguns habitantes recebiam dos seus familiares emigrados, registou uma forte diminuição. Muitos desses familiares terão ficado desempregados devido à crise económica geral provocada pela pandemia de covid-19 e deixaram de poder enviar dinheiro para o seu país de origem.

“No outro dia, encontrei um seminarista a chorar. Os seus pais perderam o emprego e deixaram de podem enviar alguma coisa ao filho. Vivemos da providência de Deus”, conta Polito Méndez à AIS, alertando que, “com toda esta situação deprimente”, também “o número de suicídios aumentou” no país.

A única solução, defende, é “procurar ajuda internacional”. “Não há suprimentos, funcionários motivados, comida!”, lamenta. “Precisamos de ajuda do exterior para dar [às pessoas mais pobres] algo para comer pelo menos uma vez por semana.”

 

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