Primeira Assembleia Missionária

Vicentinos procuram “novos métodos para caminhar na caridade”

| 25 Abr 2024

Família Vicentina na Feira das Vocações. Padre Pedro Guimarães, segundo à esq. Foto Congregação da Missão

A Família Vicentina representada na Feira das Vocações, durante a Jornada Mundial da Juventude. O padre Pedro Guimarães, provincial dos Padres Vicentinos em Portugal, é o segundo a contar da esquerda. Foto´© Congregação da Missão

 

O carisma da Família Vicentina não vai mudar – a sua missão passará sempre por fazer da caridade “uma ação diária”, seguindo o exemplo de São Vicente de Paulo -, “mas é preciso percebermos o que é que o Espírito Santo nos está a pedir concretamente hoje… porque a caridade é a mesma, mas as pobrezas não”, diz o padre Pedro Guimarães, provincial dos Padres Vicentinos em Portugal. E é para procurar compreender isso mesmo que terá lugar no próximo sábado, 27 de abril, em Fátima, a Primeira Assembleia Missionária dos Vicentinos. Um encontro que poderá ser o “ponto de partida para uma renovação” nos diversos ramos desta grande família.

“O carisma vicentino não pode ficar indiferente ao que está acontecer atualmente na sociedade e na Igreja. Vivemos uma nova época social e eclesialmente e é-nos pedido que demos respostas novas a problemas novos”, explica o responsável da também chamada Congregação da Missão. E continua: “Não podemos ficar indiferentes às novas pobrezas que estão a acontecer na sociedade portuguesa: à imigração, aos refugiados, à instabilidade social… Como não podemos ficar indiferentes à renovação que está em curso na Igreja, que sempre aconteceu, mas que agora é talvez mais acelerada, em particular devido ao Sínodo. É preciso dar um passo em frente no que toca a estruturas e dinâmicas, para respondermos também de forma renovada, cada vez mais comunitariamente e em rede”, sublinha.

Por isso mesmo, na assembleia deste sábado – subordinada ao tema “Os pobres, protagonistas do caminho da Igreja” – estarão presentes representantes “de cada um dos ramos da Família Vicentina [Padres Vicentinos, Filhas da Caridade, Conferências Vicentinas, Juventude Mariana Vicentina, Associação Internacional das Caridades, Colaboradores da Missão Vicentina e a AMM (Associação da Medalha Milagrosa) ], num total de 50 pessoas. “Haverá consagrados e leigos, homens e mulheres, do norte do país até às ilhas, adultos e jovens também”, destaca o padre Pedro Guimarães.

De resto, foi na sequência do Encontro Internacional de Jovens Vicentinos, que decorreu em Felgueiras de 29 de julho a 1 de agosto 2023, nas vésperas da Jornada Mundial da Juventude, que surgiu a ideia de organizar esta Assembleia Missionária. “A forma como trabalhámos em conjunto para esse encontro, o facto de terem surgido tantos voluntários da Família Vicentina… Não nos podíamos dar ao luxo de ficar por aquele evento e que ele não se traduzisse num compromisso”, assinala o provincial dos Padres Vicentinos em Portugal, no cargo desde outubro de 2022.

Este novo encontro, muito mais pequeno e a nível nacional, pretende agora “voltar a reunir leigos e consagrados que possam contribuir para um diálogo sobre a atualidade do carisma vicentino, proporcionar uma formação teórica e prática de todos os participantes e aprofundar os laços de comunhão entre eles”, adianta.

E quer fazê-lo recorrendo ao método sinodal. “De manhã, haverá uma conferência com o padre Eduardo Duque para a profundar o número 4 do Relatório de Síntese na conclusão da XVI Assembleia Geral do Sínodo sobre a Sinodalidade – relativo aos pobres -, e durante a tarde os participantes irão reunir em pequenos grupos para fazer uma experiência de escuta mútua e de caminho conjunto”, detalha o presbítero, que integra a equipa de organização do encontro. “O objetivo é que cada pequeno grupo reflita de forma ativa, comprometida, e com propostas concretas para que cada ramo da Família Vicentina possa consolidar reflexões e então adotar estratégias de renovação”.

Desta assembleia, o padre Pedro Guimarães, 43 anos, espera que saia “um documento de trabalho provocador para cada ramo, que os leve a interpelar e interrogar para depois tomar decisões concretas, de acordo com as características e o ritmo de cada um”. E talvez a decisão de fazer mais assembleias missionárias no futuro. Uma coisa é certa: “Precisamos mesmo de nos sentar, rezar, discernir e descobrir novas linguagens e novos métodos para caminhar naquilo que nos foi confiado. O momento é agora e não podemos perder esta oportunidade”, conclui.

 

Apoie o 7MARGENS e desconte o seu donativo no IRS ou no IRC

Agenda

Fale connosco

Autores

 

Pin It on Pinterest

Share This