O agravamento da violência no Haiti foi denunciado esta quarta-feira pela Organização Não Governamental Médicos Sem Fronteiras. Apesar de o país estar a ser há anos assolado por uma constante violência, “os níveis de insegurança atualmente testemunhados no terreno pela MSF em Port au Prince são os mais graves desde há décadas – e as populações sofrem as consequências da violência indiscriminada, incluindo trocas de tiros, casas incendiadas e pilhagens”. Para a organização Médicos Sem Fronteiras, “estes insuportáveis níveis de violência cometida por grupos armados forçaram a deslocação de já cerca de 19 mil pessoas, muitas encontrando-se atualmente em campos informais de deslocados internos, com milhares a subsistirem em condições precárias, insalubres e de sobrepopulação, além de muito limitado acesso a cuidados de saúde e outros serviços essenciais”.
As equipas da organização Médicos Sem Fronteiras no Haiti têm tido que lidar com as consequências da violência todos os dias: “a cada mês, o centro de emergência da organização médico-humanitária em Turgeau (e que antes estava localizado em Martissant) recebe uma média de 100 pessoas com ferimentos de balas; no hospital da MSF em Tabarre são atendidos regularmente pacientes com casos de traumatologia transferidos de Turgeau, e pelo menos metade dos pacientes atendidos naquela unidade hospitalar têm ferimentos causados pela violência”. Além disso, “o número de pessoas no Haiti, especificamente mulheres e raparigas, que reportam violência sexual e violência de género continua a ser extremamente elevado – uma em cada oito mulheres no Haiti entre os 15 e os 49 anos passaram por incidente de violência sexual e de género”.









